Política

Servidor fala em sucateamento da ETA

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Em uma reação quase instantânea à decisão politica do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) de abrir sindicância para apurar suposta ocorrência de sabotagem no rompimento de adutora, ocorrido na semana passada, servidores do Departamento de Água e Esgoto (DAE) distribuíram ontem informações, em CD, com fotos internas, dando conta de falhas operacionais e no funcionamento do sistema de abastecimento que responde por cerca de 40% do consumo da cidade, no Jardim Ouro Verde.

O JC apurou que as informações partiram de dentro da autarquia, protagonizadas por servidores que preferiram não se identificar. A assessoria de imprensa do DAE foi acionada. A área de comunicação informou que os dados dando conta de sucateamento no sistema seriam avaliados hoje, em conjunto, pelo diretor de Divisão, Igor Fournier, e a diretoria de serviços da ETA, com retorno das informações prometido para esta data.

Segundo o levantamento que partiu o DAE, em fevereiro de 2008 foi inaugurada uma etapa de modernização do sistema ETA, cujo procedimento foi realizado para acabar com o uso de cal e de sulfato na área de produção de água. “No começo deste ano o sistema parou de funcionar, devido a falta de quatro sensores que servem para indicar os níveis dos tanques de preparação e dosagem”.

Os cilos (depósitos), na chamada Casa de Preparação da cal e do carvão, estão cheios dos produtos armazenados desde o começo do ano. A situação gera, segundo servidores, duas consequências: a cal era para ter sido abolida do sistema e isso não aconteceu por causa do primeiro apontamento. O estoque do produto estaria vencido. Há fotos dessa situação. “O sistema voltou a ser manual, gerando desperdício de recurso investido e de pessoal/trabalho. Os responsáveis foram notificados do problema desde o inicio do ano, mas o problema persiste”, traz o levantamento.

O sistema hidráulico é o mesmo da inauguração da ETA, dos anos 70. Há foto em CD mostrando dispositivos em estado precário e outros que não funcionariam, apesar de novos, como a válvula (borboleta) instalada no começo do ano que não chegou a operar 30 dias por apresentar problemas elétricos.

“Sem a borboleta a liberação para lavar os filtros diariamente tem de ser feita de forma manual, em 12 filtros (desperdício, inoperância). O sistema era automático, bastando apertar um botão para a válvula abrir e fechar. Sem a válvula e o serviço manual, a ETA não tem condições de funcionar com sua vazão ampliada, gerando menor produção de água para abastecer a cidade”, cita.

Outra denúncia interna de gravidade: O lodo/barro seria jogado à noite no rio Batalha e atrás do Rastro do Cowboy, contaminando o manancial com restos de sulfato, hidróxido de sódio, cloro gás, flúor e hipoclorito de sódio.

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