Atenas - As ruas de Atenas e de Madri foram palco ontem de novos protestos contra as medidas de austeridade implementadas nos dois países, que sofrem com os efeitos da crise econômica.
Na Grécia, essa foi a primeira grande manifestação popular após a eleição, em junho, do governo liderado pelo premiê Antonis Samaras. A agência de notícias Reuters estimou em 50 mil pessoas o número de manifestantes na cidade, enquanto a polícia calculou o número em 25 mil.
Como nos protestos de fevereiro, um pequeno grupo foi responsável por conflitos com a polícia, que revidou com bombas de gás lacrimogêneo os coquetéis molotov lançados em sua direção.
Na Espanha, a manifestação acontece um dia depois de grandes protestos em Madri, quando 6.000 pessoas prometeram cercar o Congresso. Em confrontos com a polícia ontem, houve 64 feridos e 35 prisões, razão alegada para o novo protesto.
Os dois países estão em recessão econômica e têm as maiores taxas de desemprego da zona do euro, acima da casa dos 20% entre a população total e maior que 50% entre os jovens. Além disso, vivem impasses sobre o auxílio financeiro internacional.
Os protestos acontecem às vésperas de o governo grego anunciar novas medidas de austeridade, no valor de quase 12 bilhões de euros, conforme exigências da “troica” de credores (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), e em meio à incerteza sobre um novo pedido de empréstimo a ser feito pela Espanha.
Sem esses cortes na Grécia, os credores não farão a remessa da próxima parcela do empréstimo acertado no início do ano, o que pode obrigar o país a dar o calote de sua dívida e põe em risco sua permanência no euro.
Ontem, na praça Syntagma, em frente ao Parlamento, os manifestantes diziam que não se submeteriam à “troica” e pediam “Fora FMI e União Europeia”. Cerca de 3.000 policiais estavam protegendo o centro de Atenas, o dobro do número habitualmente usado em protestos. No caso espanhol, a indefinição sobre a decisão de pedir socorro financeiro às autoridades europeias fez com que os juros dos títulos da dívida pública do país voltassem ontem à casa dos 6%.