Bairros

Recém-revitalizado, Vitória Régia é pichado por bando

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

A “cara nova” do Parque Vitória Régia durou pouco. Apenas três dias depois de ter recebido pintura em um projeto de revitalização da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Júlio de Mesquita Filho, o cartão-postal bauruense voltou a sofrer com o vandalismo. Tanto a concha acústica quanto as arquibancadas já foram pichadas. Ação rápida dos vândalos? Para a prefeitura, até que demorou (leia mais abaixo).

A pichação foi registrada no começo da madrugada de ontem. Na concha, picharam a frase “E lá vai fumaça” e alguns símbolos. As “assinaturas” também foram colocadas em parte da arquibancada.

Segundo informações da Polícia Militar, houve a denúncia anônima de que um grupo estaria pichando o local. Duas viaturas da Base Centro foram deslocadas até o Vitória Régia por volta da meia-noite.

Lá, encontraram a pichação e um grupo de oito jovens próximo. Entre eles, havia dois adolescentes, com 16 anos. Contudo, o grupo negou ser o autor da pichação.

Os policiais ainda realizaram a revista pessoal nos jovens. Nenhum material de pichação que os ligasse ao crime fora encontrado e, por isso, todos foram liberados.

 

Investigação

A Polícia Civil afirma que a investigação para identificar pichadores é um trabalho muito árduo. “É um trabalho que exige quase que dedicação exclusiva. É uma investigação muito complicada”, explica o titular da Delegacia da Infância e Juventude (Diju), Roberval Antônio Fabbro.

Os casos de pichação em Bauru possuem dois destinos. Por conta da maior parte de incidência ser relacionada a adolescentes, eles são encaminhados para a Diju. Se algum adulto estiver envolvido, vai para o 1.º Distrito Policial (DP), onde funciona a Delegacia de Crimes Ambientais.

“Os pichadores fazem símbolos que são inscrições pessoais. Uma das frentes de investigação é conseguir identificar essas ‘assinaturas’ e montar um cadastro”, explica Fabbro.

O delegado ainda complementa que famílias e professores podem ajudar neste trabalho. “Os jovens treinam essas ‘assinaturas’. Fazem isso no quarto, cadernos e carteiras escolares”, conclui o titular da Diju.

 

‘É burra e injustificável’

Para o secretário de Cultura de Bauru, Elson Reis, a pichação até que demorou. “Durante a Revirada Cultural, a vigilância que contratamos para o palco ficou de olho nesse ponto também. Se não fosse isso, teriam pichado antes”, aponta.

Ele ainda revela que os pichadores “ameaçavam” os estudantes enquanto eles revitalizavam o parque.

“Eles me disseram que, no momento em que pichavam, algumas pessoas diziam que não adiantaria nada. Falavam que iam pichar assim que os estudantes saíssem. Isso é um absurdo”.

O titular da Secretaria de Cultura classifica a pichação como “burra” e “injustificável”. “É lamentável. Não existe justificativa para isso. Não é expressão de arte. É algo feito por uma minoria burra e que desrespeita e estraga o que é de todos”.

Ele afirma, contudo, que é inviável ter vigilante fixo no Vitória. “Os pichadores vão para outro local público. O que falta é educação”, finaliza. 

 

 

Crime

 

O ato da pichação é considerado vandalismo e crime na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98). 

A pena para quem for condenado é detenção de três meses a um ano mais multa. De acordo com a lei, a pena mínima sobe para seis meses quando o alvo é monumento tombado. 

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