Política

Vices polemizam AHB e Mensalão

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

A suposta compra de votos da base aliada no Congresso Nacional durante o governo Lula e a crise na Associação Hospitalar de Bauru (AHB) foram os assuntos que esquentaram o debate entre os candidatos a vice-prefeito de Bauru, realizado ontem pela TV Preve. Protagonistas no cenário eleitoral do município neste ano, PT e PSDB foram os temas da troca de acusações entre os coadjuvantes Estela Almagro (PT) e Gilson Rodrigues (PSDB).

A petista dirigiu sua pergunta ao vice de Chiara Ranieri (DEM), questionando se o tucano sabia onde estavam os R$ 16 milhões desviados da AHB, já que, segundo ela, os envolvidos com o escândalo tinham relações próximas com filiados do PSDB no município.

Respondendo negativamente, Gilson lembrou que o processo em torno do caso está sob segredo de Justiça e afirmou que seu partido torce pela punição dos culpados e pela devolução dos recursos desviados do Sistema Único de Saúde (SUS), como apontou a Operação Odontoma.

O ex-presidente do PSDB de Bauru aproveitou o embalo para lembrar que este era o mesmo desejo de toda a sociedade em relação ao caso do Mensalão, que está sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O tucano fez questão de relacionar o PT a nomes como José Dirceu e José Genoíno.

Gilson também provocou a petista citando a frase que se espalhou recentemente pela internet. “O PT nasceu com presos políticos e terminou com políticos presos”.

“É a cara do PSDB falar uma coisa dessa e não responder”, retrucou Estela. Em seguida, ela afirmou que o Mensalão surgiu com os tucanos, no Estado de Minas Gerais. Ela foi mais longe e citou o nome de Reinaldo Rocha (PSDB), que já foi assessor do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) e concorre à Prefeitura de Avaí. “Ele é um dos investigados”, disse a vice-prefeita, que tenta a reeleição.

Gilson respondeu que não tem procuração para defender Rocha, mas enfatizou que o tucano não foi preso pela operação da Polícia Federal, em 2009, e lembrou que o partidário lidera as pesquisas de intenção de voto no município da região.

 

Armadilha

Estela Almagro (PT) dirigiu duros discursos à política de Saúde do Governo do Estado, que entrega a gestão de unidades a entidades. No entanto, foi alvo de ataques de Gisele Costa (PSTU). A socialista lembrou que Rodrigo Agostinho (PMDB) descumpriu compromissos da campanha de 2008, ao criar a Fundação Regional de Saúde. Além disso, lembrou que o governo municipal descumpre a legislação federal, terceirizando o Programa Saúde da Família (PSF) à Sorri-Bauru.

A petista também escorregou ao ser questionada por Gilson Rodrigues (PSDB) sobre à inércia da política industrial da administração Rodrigo Agostinho (PMDB). A petista tergiversou, alegando que Bauru não deve entrar em guerra com outros municípios, em razão da migração das empresas instaladas na cidade. “Cada empresa deve ter sua razão”, pontuou.


Sem obras?

O candidato do PSDB, Gilson Rodrigues (PSDB), também errou a estratégia ao comentar sobre Obras, dizendo que Bauru ficou estagnada nesse setor durante a gestão Rodrigo Agostinho (PMDB), atribuindo todas as ações realizadas ao Governo do Estado. Acontece que realizações físicas são sensíveis à maior parte da população, como pontuou Estela Almagro (PT).

Dessa forma, o tucano perdeu a oportunidade de fazer críticas do ponto de vista estrutural e até mesmo à falta de critérios para priorização de ações por parte do governo municipal nesse setor.

 

Zona de segurança

Vice de Clodoaldo Gazzetta (PV), o delegado Abel Cortez (PSD) também cometeu derrapadas ao longo do debate, mas no geral deu seu recado. Tentando manter-se na zona de seu melhor domínio, pois é delegado de polícia, abordou a segurança pública nas duas oportunidades que teve de formular perguntas aos adversários.

Quando foi questionado sobre Saúde, confundiu duas propostas de sua coligação ao, inicialmente, dizer que a construção de um prédio anexo ao Hospital de Base (HB) teria como finalidade abrigar um futuro Ambulatório Médico de Especialidades (AME) municipal. Depois lembrou-se que a ideia era viabilizar novos leitos para pacientes que aguardam vagas de internação no HB.

Ao falar sobre a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), disse que cuidar do saneamento estava entre as atribuições do órgão. Também teve de responder sobre as afinidades (ou falta delas) entre o PV e o PSD, ao ser questionado por Gisele Costa (PSTU).

 

Assume?

Abel Cortez (PSD) e Estela Almagro (PT) tiveram que responder se estariam preparados para assumir a prefeitura caso Clodoaldo Gazzetta (PV) e Rodrigo Agostinho (PMDB) assumissem cargos de deputado com a eleição de 2014. Ambos refutaram a possibilidade, mas a petista fez questão de iniciar a resposta dizendo que se sentia prepara para a eventual missão.

Em outra oportunidade, Estela preferiu não comentar sobre as eleições de 2016 e eventual apoio de Rodrigo a uma candidatura encabeçada por si. A petista ainda negou boatos de que a aliança entre PMDB e PT quase foi rompida em 2010, quando Agostinho preferiu não entrar na campanha de Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno das eleições presidenciais. “Faz parte haver divergência”.

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