Política

ETA não está sucateada, diz diretor

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O sistema da Estação de Tratamento de Água (ETA) funciona em sua capacidade normal e, apesar da necessidade de reparos pontuais, não apresenta problemas que sugiram o sucateamento da unidade. A afirmação é do diretor de Divisão do Departamento de Água e Esgoto (DAE), Igor Fournier, em entrevista ontem. Ele esteve acompanhado do diretor de serviços da ETA, Olavo Severino Neto.

Fournier não vê sentido na denúncia que nasceu de servidores de que o sistema está sucateado. Ele vê motivação por disputa de cargos em comissão no DAE como pano de fundo da questão. O levantamento de problemas na ETA veio em uma reação quase instantânea à decisão politica do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) de abrir sindicância para apurar suposta ocorrência de sabotagem no rompimento de adutora, ocorrido na semana passada. Servidores distribuíram informações, em CD com fotos internas, dando conta de falhas operacionais e no funcionamento do sistema de abastecimento que responde por cerca de 40% do consumo da cidade, no Jardim Ouro Verde.

Segundo o levantamento que partiu o DAE, em fevereiro de 2008 foi inaugurada uma etapa de modernização do sistema ETA, cujo procedimento foi realizado para acabar com o uso de cal e de sulfato na área de produção de água. “As dificuldades operacionais no sistema sempre vão existir. Bombas queimam pelo uso e adutora estoura. Mas não procede a alegação de cal hidratada vencida. Compramos por registro de preços e o estoque de 14 toneladas é compatível com o que usamos. Não há como dispensar cal mesmo com a espera de sensores nos tanques. Porque o produto é usado para desinfecção e é alcalinizante para regular PH”, citou o diretor.

Sobre a espera pela troca da válvula (borboleta) no sistema hidráulico, o que torna a operação mecânica ao invés de automatizada, Fournier diz que o dispositivo comprado no ano passado apresentou problema e somente agora foi possível obter a garantia de troca pelo fornecedor (Modentic Brasil – RJ). Mas essa dificuldade operacional não afeta a produção. Gera na verdade dificuldade para o servidor, dois deles, que tem de descer para acionar o sistema ao invés de apertar botão. Mas isso será sanado”, contou.

Para Olavo e Igor, a ETA enseja revisão na estrutura física. “Mas o processo de tratamento não é obsoleto. Ele funciona bem. É preciso melhor cuidado na estrutura geral, mas o sistema funciona bem”, avaliaram.

 

Lodo no rio

O diretor de Divisão do DAE reconhece que o despejo de lodo resultante do tratamento de água no rio Batalha não é o procedimento mais adequado. Mas ele argumenta que não haveria prejuízo substancial ao meio ambiente.

“Isso é diluído na lavagem e isso acontece duas vezes por ano e escolhemos períodos mais chuvosos para isso. O sulfato não vai junto com o lodo e o flúor fica no tratamento, porque é adicionado à agua e não prejudica em nada. O ideal seria o descarte do produto em Estação de Tratamento de Esgoto mas isso só é possível pelo sistema atual para a futura ETE”, explicou.

A ETA conta com dois diretores, três chefes, dois encarregados e 22 servidores operacionais. “O DAE enfrenta problemas do cotidiano por fadiga de material ou vazamentos no sistema. Isso é rotineiro e estamos atuando. A situação melhorou sobretudo na demanda de abastecimento. Mas sucateamento da ETA é uma avaliação que não procede”, finalizou.

 

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