Nova York - Entre seis meses e um ano. Esse é o tempo que resta para que o programa nuclear iraniano possa ser detido, antes que seja tarde demais para impedir a produção de uma bomba atômica.
O alerta foi a principal mensagem do discurso feito ontem pelo premiê israelense, Binyamin Netanyahu, na Assembleia-Geral da ONU.
O prazo, que analistas israelenses interpretaram como um ultimato para um possível ataque israelense, ofuscou o esperado duelo entre Netanyahu e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, que ocupara o mesmo púlpito pouco antes.
Teerã afirma que seu programa atômico tem fins pacíficos, e o presidente iraniano, em discurso na ONU um dia antes, acusara Israel e o Ocidente de “intimidação nuclear” contra seu país.
Em sua resposta, Netanyahu citou profetas e heróis bíblicos, exaltou os avanços científicos de Israel, comparou o Irã à rede terrorista Al Qaeda e discorreu sobre o choque de civilizações entre o moderno e “as forças medievais do islã radical”.
Mas o momento mais lembrado de seu discurso certamente será a exposição gráfica dos limites que, segundo Netanyahu, devem ser impostos ao Irã para que a república islâmica desista de fabricar a bomba atômica.
Munido de uma cartolina com o desenho de uma bomba com o pavio aceso, o premiê israelense disse que 90% do caminho iraniano para a produção de armas nucleares estará completo “até a próxima primavera, no máximo até o próximo verão”.
Isso equivale a entre seis meses e um ano no calendário do hemisfério Norte. Com uma caneta vermelha, riscou uma linha onde deve ser imposto o ultimato ao regime iraniano - uma linha vermelha, na expressão em inglês.