A presidente Dilma Rousseff sancionou, na última semana de agosto, a lei que separa 50% das vagas nas universidades federais para alunos das escolas públicas. Essas vagas também incluem negros, pardos e indígenas. Numa tentativa de camuflar sua própria incapacidade no que diz respeito à educação básica, essa lei busca, a curto prazo, incluir os alunos da escola pública nas universidades do governo. A questão é: isso é realmente certo ou é simplesmente uma apelação social? Vejamos: você acha certo ter que batalhar, estudar e conseguir uma boa pontuação no vestibular, mas não ter direito à sua vaga, pois uma pessoa a ganhou só porque foi privilegiada por uma cota? Não. Isso não é legal! Seria realmente correto observar a cor, deficiência ou renda familiar para pressupor que uma pessoa tem capacidade para entrar em uma universidade conceituada? Qualquer pessoa que estude e se dedique consegue entrar em qualquer universidade ou curso.
É certo que no Brasil, ao longo dos anos, muitas pessoas sofreram preconceito devido à cor da sua pele, sua opção sexual, sua condição física e social. Mas são exatamente essas pessoas que tanto lutaram pela igualdade que agora pretendem desfrutar dessas vantagens. Irônico, não? A Constituição federal reza que todos somos iguais, certo? Não podemos esquecer também que esse sistema de cotas pode incentivar as pessoas a estudar menos. Quando uma coisa é fácil de conseguir, você não batalha tanto. Resultado: pessoas menos dotadas de inteligência dentro das universidades. Ou pior ainda, pode acontecer um efeito idêntico ao causado pelo Prouni: qualidade de ensino em queda livre.
Por outro lado, não podemos deixar de mencionar que muitos alunos de escola pública não conseguem passar no vestibular por causa da má qualidade de ensino recebida, ou seja, de que adianta ser um bom aluno se a escola não te ensina o básico? Pesquisas recentes apontam que no primeiro ano de cursos superiores os alunos beneficiados pelas cotas sociais tiveram um melhor aproveitamento do que os alunos que vieram da rede particular. Como? Eles não são piores? Não! Apenas não tiveram a mesma base. Voltamos à estaca zero. As cotas são injustas, mas também é injusto colocar duas pessoas com "preparações diferentes para "lutar". O que fazer? A curto prazo as cotas sociais parecem atenuar o problema, mas 50% não é muito? Afinal de contas não é toda escola pública que é ruim. Bauru é um bom exemplo disso ? as escolas municipais são muito boas (infelizmente ainda não têm ensino médio). E o sistema de vestibular será mesmo a melhor maneira de avaliar se um aluno é apto a curar o ensino superior? Isso também deve ser repensado.
Infelizmente muita gente não quer enxergar a verdade. A educação pública de modo geral é ruim, principalmente o ensino fundamental. E o governo não quer admitir isso e nem resolver o problema. Toda essa discussão sobre cotas e o escambau são um grande teatro. O que o Governo quer é agradar as massas a troco de votos. Todos os projetos sociais, apesar de válidos, não são nada mais nada menos do que manobras para ganhar a simpatia do povo (entenda-se eleitor). Então vamos pensar direito, você realmente acha que isso resolve alguma coisa? Afinal, é mais fácil dar o peixe do que ensinar a pescar. Presidente Dilma, acorda! Por que ao invés de aumentar as cotas, pra ficar mais fácil para os alunos entrarem, não aumenta o salário e melhora a capacitação dos professores para formarem alunos competentes?
Maria Luiza Pagamisse - aluna do 2º Ano do Ensino Médio do Colégio Educare - Piratininga - e Otavio Augusto Amaral de Calmon Borges - Funcionário público municipal e professor