Falta de infraestrutura, problemas logísticos e aumento significativo da frota de veículos são alguns dos motivos que justificam um grande problema em nível nacional que começou a aparecer em Bauru: a falta de combustível em alguns postos. O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro) na cidade mostra preocupação, já que a Petrobras não teria aumentado sua produção e em alguns postos da cidade já falta diesel.
Segundo Edivaldo Abílio Tuschi, presidente interino do Sincopetro, o aumento do poder aquisitivo da população e da frota, aliado às deficiências estruturais para a distribuição de combustível no País, desencadeiam falhas na logística da empresa.
“A Petrobras produz uma média de 2,5 milhões de barris de petróleo por dia. Acontece que a Petrobras está importando 11% da sua produção de diesel (181 mil barris por dia) e gasolina. Eles falam que o problema é operacional e por isso equacionam essa distribuição de combustível”.
Segundo ele, em função disso o combustível estaria sendo distribuído de maneira com que “não falte muito só em uma parte do País”. “O prejuízo está sendo dividido para todos”, avalia Tuschi.
O sindicato afirma ainda que o consumo anual de combustível no Brasil é de 80 bilhões de litros, sendo 60 bilhões de diesel e o restante dividido igualmente em álcool (cerca de 12 bilhões de litros), gasolina e outros derivados do petróleo.
“O problema existe, sim, e é operacional em termos de infraestrutura. Não temos logística para descarregar tanto diesel e tanta gasolina dos portos, estocar e distribuir a nível Brasil. Há pouco tempo faltou diesel no Mato Grosso, no Rio de Janeiro. Em Bauru não é diferente em alguns postos, como por exemplo os de bandeira branca, onde já existe dificuldade para a compra de diesel nas distribuidoras”, aponta.
Cotas
Segundo Tuschi, isso vem ocorrendo com os postos de bandeira branca - aqueles que não representam uma distribuidora especificamente - justamente porque possuem cotas menores para a compra. As cotas correspondem à quantidade de combustível que essas empresas podem comprar em um determinado período. Possuem mais cota os postos de bandeiras oficiais.
Ou seja, quem sofrerá diretamente o problema operacional da distribuição de combustível no Brasil, em sua maioria, serão os postos independentes. “Nos meus dois postos de bandeira branca eu cheguei a ficar três dias sem diesel porque não tinha na distribuidora”.
Para o empresário Wagner Siqueira, a situação não muda. Dono de dois postos de combustível em Bauru, no início deste mês ele ficou dois dias sem conseguir comprar diesel.
“A minha demanda maior é por gasolina e álcool, e mesmo assim, como não consegui comprar diesel, fiquei dois dias sem. Agora não está acontecendo mais, mas acredito que o problema vai voltar”, avalia Siqueira.
Atualmente, segundo o Sincopetro, Bauru possui cerca de 105 postos de combustível, sendo que aproximadamente 30% deles são bandeira branca.
Solução
Para Edivaldo Abílio Tuschi, presidente interino do Sincopetro, tudo se resolveria diminuindo a demanda da gasolina. “O problema é no descarregamento e logística de distribuição. Nós temos que priorizar o diesel, mas estamos importando muita gasolina e não está vendendo o etanol como vendeu no ano passado. Na maioria dos postos, cerca de 50% dos clientes preferem gasolina, quando antigamente era 90% etanol. A solução seria aumentar a gasolina para diminuir a demanda. Aí teria infraestrutura para se importar e não faltar o diesel”.
Petrobras nega interrupção
Em resposta aos questionamentos feitos pela reportagem do JC, em nota, a Petrobras negou problemas na distribuição de diesel em Bauru. “Em agosto de 2012, a Petrobras bateu novo recorde de vendas de óleo diesel, que superou em 7,6% o anterior (ocorrido em agosto de 2011). No caso específico do diesel S500, obrigatório para a região de Bauru, não se registrou interrupção alguma nas entregas da Petrobras na região de São Paulo durante o referido mês, tendo as vendas do produto na região superado em 17% as de agosto do ano anterior”, informa a nota.
Com relação às importações, a produtora e distribuidora nacional de petróleo afirmou que, atualmente, importa cerca de 20% do mercado de diesel e gasolina apenas nos meses de demanda mais aquecida. “Tais importações, que visam a suprir o diferencial entre demanda e produção, constituem medidas rotineiras da Petrobras”.