Polícia

Aluna é agredida por grupo e desmaia

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 6 min

“Mãe, fiquei com 10 de inglês”. Foi assim, feliz, que uma menina de 11 anos começou seu dia ontem: enviando uma mensagem para o celular de sua mãe contando que está atingindo notas altas na escola. No entanto, horas depois ela foi brutalmente agredida a socos por uma adolescente de 14 anos ao sair da Escola Estadual Ada Cariani Avalone, no Mary Dota, em Bauru.

Na confusão, outros jovens também participaram da agressão. Desacordada, ela recuperou os sentidos depois de ser atendida na UPA do Mary Dota. Nesta segunda-feira, depois de um conflito gerado a partir de uma página de perguntas e respostas na Internet, outra adolescente foi agredida dentro da sala de aula, no Jardim Bela Vista (leia mais abaixo).

Assustada com o fato, a mãe da menina, de 33 anos - as identidades foram preservadas em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) -, estudante de pedagogia,  relatou que por volta das 11h30 de ontem recebeu uma ligação da filha. Gritando, ela pedia por socorro.

“Foi horrível escutar ela pedindo socorro e aquela gritaria. Fui correndo para a escola, mas ela não estava mais lá. Eu ligava, mas ela não atendia o celular. Fiquei desesperada.  Teve um momento que eu liguei e um garoto atendeu o telefone. Disse para ele que eu iria acionar a polícia. Ele me respondeu: ‘Eu não tenho medo da polícia’”, relatou.

No meio do caminho, por sorte, a mãe encontrou uma viatura da Polícia Militar (PM) que fazia patrulhamento no Núcleo Mary Dota. “Chamei os policiais rapidamente e eles foram até as proximidades da escola, o que dispersou o grupo. Chegando no local, na rua Alberto Paulovich, eu vi aquela aglomeração e a minha filha desacordada. Achei que ela estava morta”.

 

Defesa

Em conversa com a equipe de reportagem do JC na tarde de ontem após ser atendida no PS, a adolescente contou que se lembra apenas do momento em que a suposta agressora se dirigiu a ela e disse: “Sua falsa”. Em seguida, começou a violência.

“Ela começou a me dar um monte de socos na cara e eu desmaiei. Outras pessoas ajudaram ela a me agredir. Estou sentindo muita dor no rosto. Me protegi com o capuz e com os braços. Depois eles pegaram o meu celular, mas uma pessoa achou ele”, contou a garota, chorando.

A mãe dela diz que nunca pensou que essa realidade pudesse estar tão próxima. “Estudo sobre bullying, agressões, e nunca pensei que isso pudesse estar tão próximo de mim. Estou muito assustada e vou registrar boletim de ocorrência porque isso tem que acabar. Fiquei sabendo que ela (a agressora) estudou na escola e já agrediu outras meninas”, acrescentou a mãe da vítima.

O caso foi registrado diretamente na Delegacia da Infância e da Juventude (Diju) de Bauru como ato infracional e lesão corporal. Ao final da tarde de ontem, a garota havia conseguido transferência para outra escola estadual.

A Diretoria Regional de Ensino de Bauru informou, em nota, que a agressão envolvendo alunas da Escola Estadual Ada Cariani Avalone está sendo averiguada pela direção da unidade, que teve conhecimento na tarde de ontem “de que uma ex-aluna citada pela reportagem se envolveu em um conflito nas imediações da instituição. A equipe gestora tenta identificar outras estudantes envolvidas para que sejam tomadas as medidas cabíveis em relação à ocorrência”.

 

Redes sociais são usadas para denúncias anônimas que resultam em confrontos

Na última segunda-feira, por volta das 21h30, uma estudante de 17 anos foi agredida dentro da sala de aula na Escola Estadual Professor José Aparecido Guedes de Azevedo, no Jardim Bela Vista, em Bauru. Tudo começou com uma briga polemizada no site “Ask”, de perguntas e respostas. A jovem, que não possui perfil na página, foi agredida por outra colega de classe com arranhões e puxões de cabelo. A suposta agressora teria “combinado” a briga pelo Ask.

“Eu estava saindo da sala de aula quando a menina me puxou pelo braço, perguntando porquê eu estava xingando ela. Eu disse ‘pra’ ela que não fui eu, que eu nem sabia do que ela estava falando, porque ela mencionou o Ask. Ela disse para eu descobrir quem era ou eu ia apanhar no lugar desta pessoa, e me empurrou. Eu acabei acertando um soco na cara dela. Na briga, senti alguém vindo atrás de mim. Era a amiga dela. Me deram socos, puxaram meu cabelo e estou com muitos arranhões no braço”, contou a adolescente, que registrou boletim de ocorrência (BO) na polícia.

No outro dia, os comentários no Ask continuaram. O assunto agora era a agressão. Alguém, anonimamente, novamente se passava pela jovem. Desta vez não houve outra agressão. O caso também teve registro em BO como ato infracional e lesão corporal.

Assim como a estudante, um adolescente de 14 anos também foi vítima no Ask, entretanto, ele possuía perfil na página. “Eles criaram um perfil falando mal da minha escola e lá falavam mal de mim também. Registrei boletim de ocorrência e o perfil foi apagado”, relatou.

Sobre a agressão entre as duas alunas da Escola Estadual José Aparecido Guedes de Azevedo, a Diretoria Regional de Ensino esclareceu que tomou conhecimento dos fatos e que a equipe gestora chamou as estudantes envolvidas para esclarecimentos.

Os responsáveis pelas adolescentes foram convocados para uma reunião com a direção a fim de informá-los sobre o ocorrido. As duas estudantes envolvidas foram suspensas.


Repreensão

O delegado assistente da Delegacia da Infância e Juventude (Diju), Ronaldo Divino, explica que o infrator agressor pode ser punido com repreensões. “Neste caso, se for considerado culpado, esse adolescente é punido com uma espécie de repreensão. A internação é para casos mais graves. É possível identificar quem postou as mensagens anônimas, mas isso é uma decisão judicial”.

O especialista em mídias sociais Paulo Milreu analisa que, por volta do ano 2000, outros sites como o Ask foram criados. “Naquela época tínhamos um site chamado “Ovo Neles!”, em que as pessoas faziam algo parecido, que era criticar de forma anônima, mas através de uma brincadeira. Esse site gerou muita polêmica e alguns processos. Não lembro o que aconteceu com ele depois”.

Para ele, estes fatos tomaram tal proporção porque hoje, com mais de 85 bilhões de usuários, o acesso à internet se tornou mais amplo. “Basta pensar se não tínhamos essas agressões e discussões no mundo desconectado, não é? Claro, trata-se do problema de amplitude e alcance. Agora esse tipo de discussão ou agressão causa muito mais estrago”, completou.

Ele aconselha a maior proximidade entre pais e filhos nas redes sociais. Sejam amigos dos seus filhos nas redes sociais, troquem mensagens, curtam suas postagens e fotos, comentem o que gostaram e o que não acharam adequado, tenham diálogo online e offline sobre o tema”. 


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