Política

Reforma da Rodrigues Alves fica para o próximo governo

Vinicius Lousada com Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Não foi dessa vez. Em dezembro, chega ao fim o segundo governo municipal que planejou, mas não resolveu o antigo problema do asfalto na avenida Rodrigues Alves, uma das vias com maior fluxo de ônibus e carros da cidade. É este o fator, aliás, apontado como responsável pela deterioração do pavimento naquela região, especialmente no trecho entre a Nações Unidas e a Pedro de Toledo. A obra também foi promessa de Tuga Angerami.

Em março deste ano, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e o secretário municipal de Obras, Eliseu Areco, anunciaram que o edital para a licitação da obra seria aberto ainda naquele mês. A prefeitura, porém, já admite que a reforma da Rodrigues Alves não sairá este ano. A justificativa é a falta de recursos em razão da queda na arrecadação. A intervenção custa R$ 2 milhões.

A edição do Jornal da Cidade de ontem já havia adiantado que acabou o dinheiro dos cofres da prefeitura para 2012 e solicitações para autorizações de despesas já estão sendo negados aos secretários municipais. Vale lembrar que só com os repasses de Imposto de sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), do Governo do Estado, a arrecadação ficou R$ 12 milhões abaixo do previsto.

O secretário de Obras enfatiza que o projeto de recuperação do asfalto não apenas da Rodrigues, como também da avenida Pedro de Toledo, está pronto e a execução das obras depende da priorização do serviço por parte do Gabinete do prefeito.

Areco admite que também não é certa a destinação de recursos para a reforma da Rodrigues Alves no ano que vem. “Não tenho como garantir. Tem a previsão orçamentária, mas não a especificação sobre os locais onde os recursos serão aplicados”, diz.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), no entanto, destina apenas R$ 2,5 milhões para asfalto novo. “Pode até ter previsão, mas quem comanda isso é a Secretaria de Finanças”, diz Eliseu. A obra não depende apenas do recapeamento da avenida. Segundo Eliseu Areco, será necessário retirar o asfalto e a base do pavimento já existente para a substituição com novas estruturas.

Como a maioria dos itinerários de ônibus urbanos passa por ali, as frenagens aliadas ao peso dos veículos acabam danificando o asfalto rapidamente, destruindo, inclusive, a base especial que sustenta todo esse fluxo diário e intenso.

 

Comerciantes, pedestres, ciclistas e motoristas reclamam da situação

Ponto de passagem de milhares de pessoas por dia, a Rodrigues Alves e seu asfalto caótico são alvos de reclamações por todos os lados. Comerciante da região há 23 anos, Carmen Figueiroa, 40 anos, relata o quanto o problema atrapalha.

“Muita gente não aguenta mais. Isso já faz anos que está do mesmo jeito. Venho dirigindo e essas ondulações fazem com que a gente perca o controle do carro, principalmente naqueles com direção hidráulica. Sem contar quando não raspa por baixo”, observa.

O mototaxista Uildo Rodrigues da Silva, 56 anos, conta que trabalha com a atenção redobrada enquanto trafega pelo Rodrigues Alves. “A gente tem que desviar o tempo inteiro, principalmente quando passa pelos cantos da avenida, onde o asfalto é ainda mais deteriorado”.

O olhar de quem está o tempo inteiro nas calçadas da avenida também tem histórias para contar. O aposentado João Manoel Alves, 63 anos, atua como ambulante e relata que deficientes físicos encontram muitas dificuldades para atravessar a vida.

Além disso, em dias de chuva, é comum que os buracos formados no pavimento acumulem água, proporcionando verdadeiros ‘banhos’ em pedestres e usuários do transporte coletivo, que aguardar os circulares nos pontos. “Quando os ônibus passam, vai água para todos os lados”, conta.

 

Outras ações

Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Bauru, na gestão de Agostinho a avenida passou por recape entre o Trevo James Russel, que dá acesso ao Jardim Redentor/Distrito Industrial, e a rua doutor José Ranieri, nas proximidades da unidade educacional do Sesi, no ano passado e em 2009.

No ano passado, as quadras 24 a 36 da avenida também foram recapeadas. Para melhorar as ondulações asfálticas, em 2009 foi feita a retirada desses excessos em pontos da avenida, nas quadras 8, 9 e 10, entre as ruas Antônio Alves e Agenor Meira.

Além disso, nos últimos meses, a prefeitura tem feito ações pontuais com a raspagem dos excessos de asfalto ondulado sobre as guias, como relata um comerciante da avenida, que prefere não se identificar. “Eles agem como se tivessem resolvendo o problema, mas as ondulações voltam a aparecer semanas depois”.

Além disso, as rampas de acesso a deficientes, exigidas pelo Ministério Público (MP) estão sendo construídas sobre alguns pontos críticos.

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