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Seleção Brasileira: Ele tem suas preferências


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Embora seja consenso no mundo do futebol que Brasil x Argentina é um dos maiores clássicos da bola e que a rivalidade entre os dois países transcende o gramado, nem sempre ter a oportunidade de participar de uma partida entre os dois maiores rivais das Américas é sinônimo de continuidade na Seleção Brasileira. Essa é uma das peculiaridades que envolvem o renovado confronto anual entre brasileiros e argentinos, na reedição da antiga Copa Rocca, agora com o pomposo nome de Superclássico das Américas.

Com o formato de apenas tolerar a convocação de atletas que atuam nos dois países, o Superclássico das Américas poderia ser a chance de Mano Menezes observar alguns atletas que jogam no País para depois usá-los nas convocações “para valer”, em que também se juntam os atletas que estão em clubes do Exterior. Mas o fato de participar desse duelo de dois jogos, que amanhã terá sua partida de volta disputada na cidade de Resistencia, interior da Argentina, não é garantia para os jogadores do Brasil de que Mano lhes dará novas oportunidades no futuro.

No ano passado, dos jogadores chamados pelo treinador para o Superclássico das Américas, apenas seis deles permanecem entre aqueles que fazem parte de convocações de Mano feitas sem restrições de idade ou de procedência. Além de Lucas e Neymar, que antes já haviam disputado a Copa América, com o “time completo” da Seleção, somente Dedé, Leandro Damião, Paulinho, Rômulo, Jefferson e Oscar aproveitaram a oportunidade que ganharam no Superclássico de 2011 - do atual time-base de Mano, só Rômulo e Oscar, desse sexteto, são considerados titulares da Seleção. Os outros atletas receberam poucas chances de efetivamente jogar pelo time nacional.

No grupo de 2012, Mano voltou a apostar numa mescla de jogadores já com rodagem na Seleção com novatos. Mas, a julgar pela convocação para os dois próximos amistosos do Brasil (dias 11 e 16 de outubro, contra Iraque e Japão, respectivamente), dificilmente haverá um aproveitamento dos atletas que eventualmente se destaquem amanhã, na segunda partida contra a Argentina - na primeira, o Brasil venceu por 2 a 1.

 

Interesses políticos em jogo

O Estádio Centenário, em Resistencia, palco do confronto de amanhã entre Brasil e Argentina, está em condições sofríveis. O gramado, por exemplo, é bastante irregular e, ainda ontem, funcionários corriam contra o tempo para deixá-lo em condições de jogo. No entanto, há uma forte razão para o Superclássico das Américas ocorrer lá: o governador da província do Chaco, uma das mais pobres do país e onde fica a cidade, é grande aliado da presidente Cristina Kirchner.

Cotado diversas vezes para ser vice de Cristina, além de eterno candidato a ocupar a chefia do gabinete de ministros, o governador Jorge Capitanich tenta capitalizar com o Superclássico. Há poucos dias, declarou que o evento “posicionará o Chaco como um lugar excelente para a realização de eventos esportivos”.

O governo Kirchner alega que a escolha deve-se à política de “federalização” da presidente Cristina. Ou seja: levar os jogos de destaque às províncias que nunca tiveram acesso a eles.


Quarteto do Brasileirão

O técnico Alejandro Sabella divulgou ontem a lista de convocados da Argentina para o jogo e voltou a chamar o volante Guiñazu, do Internacional, o meia Montillo, do Cruzeiro, e os atacantes Barcos, do Palmeiras, e Martínez, do Corinthians.

O quarteto que atua no futebol brasileiro já havia sido chamado para o primeiro duelo do Superclássico das Américas, realizado em Goiânia no dia 19 de setembro. Naquela oportunidade, o Brasil venceu por 2 a 1 e Martínez fez o gol da Argentina.

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