Tribuna do Leitor

Uma comparação... Incompatível!


| Tempo de leitura: 2 min

Sinto que não estou ouvindo bem. Procuro um médico e recebo a notícia: tenho que colocar um aparelho no ouvido. O preço: 10.000,00 reais. Preocupado, conto a um amigo, que me diz: - Adquira o cartão do SUS e vá a um posto de saúde! Foi o que fiz no outro dia de manhã. No mesmo dia fui chamado ao posto, que me informou que na próxima semana um médico me encaminharia ao Centrinho. No Centrinho, pouco depois de 15 minutos, já fui atendido, onde um médico disse: - Vou mandá-lo a uma outra repartição, que depois de exames específicos, seu aparelho ficará pronto. Talvez demore algumas semanas. Disse-lhe que não havia pressa, afinal não era um caso de vida ou morte.

Aí é que vem a comparação! Leio nesta Tribuna, dia 25/09, o pensamento da sra. Mara Regina Livramento Cardoso, sob o título "Saúde ou matadouro". Nela, relata que uma pessoa morreu no UPA do Mary Dota, porque não tinha vaga para ela no hospital. Mais abaixo diz: "Tome vergonha na cara, Augusto, pois o povo está morrendo!". Finalmente, pergunta: "Se fosse sua irmã ou seu pai, o que faria?".

Na verdade, não posso comparar o meu caso com o da pessoa que morreu no UPA do Mary Dota. Eu, graças a Deus, estou aqui bem vivinho... e posso esperar algumas semanas. E a pessoa que morreu? Ela não teve tempo para esperar! Agora eu pergunto: até quando vamos aguentar a falta de atenção e pouco caso com o nosso sistema de saúde?! Por que não copiam as atitudes somadas à competência e educação praticada pelo Centrinho, que sem dúvidas é um centro de referência em todo o Brasil, quiçá até em muitos países de primeiro mundo? Quantas pessoas ainda irão morrer na maca, nos corredores "dos UPAs da vida"?! E olhe que temos um deputado ligado à saúde em nossa cidade!

Quero deixar bem claro que esta minha fala nada tem a ver com a eleição que se aproxima. Escreveria isso em qualquer outra oportunidade, mas não posso deixar de registrar aqui que não adianta termos ruas bem asfaltadas para que as ambulâncias cheguem com os enfermos rapidamente nas UPAs... e depois morram lá por falta de socorro adequado! "Prioridades, sr. Augusto... prioridades!", como bem disse a nobre missivista em 25/09.

Luiz Carlos Pasquarelo

Comentários

Comentários