A médica veterinária Eliana Cristina Ribeiro comunicou ao Jornal da Cidade a morte de Marcelo Carlos de Almeida, 45 anos, com quem ela se formou na Universidade de Marília (Unimar), em dezembro de 1992. Bauruense, Marcelo ficou conhecido após matéria do JC, publicada em março de 2009, contar sua história de médico veterinário, que chegou a ter clínica em Franco da Rocha (SP), lecionou em Marília, casou e teve quatro filhas e, por fim, tornou-se morador de rua em Bauru após virar alcoólatra.
"Tentamos de tudo para que ele pudesse se recuperar", lembra Eliana. "Lamentavelmente, ele acabou morrendo em Pompéia, onde vivia nos últimos anos. Estava com a saúde muito debilitada".
Marcelo viveu por seis anos perambulando em Bauru - e chegou a se abrigar em casa abandonada na quadra 11 da rua Bandeirantes, no Centro, onde foi encontrado pela equipe do JC.
Carregava consigo documentos, entre os quais, o diploma e a carteira profissional com registro de professor universitário.
“Quando me separei, entrei em depressão e logo em seguida me entreguei ao alcoolismo”, contou ao JC, há três anos. “O que mais dói é o preconceito da sociedade. Acham que a gente não é nada. Como eu não sou nada? Eu sei que tenho alguma coisa para dar e sei que alguém pode aprender comigo”.
Para comer, ele contava com a solidariedade. “Eu como muito pouco e peço sem vergonha. Comida o povo dá, não recusa”, revela. Ele dizia estar escrevendo um livro, “Mendigo de Luxo”, que não chegou a ser lançado. Segundo Eliana, Marcelo foi enterrado em Bauru.
Douglas Reis |
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Eliana durante encontro com Marcelo em 2009, em Bauru |
