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Noroeste: Tempo de definições

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 4 min

Duas reuniões devem começar a definir os novos rumos do Noroeste. Pouco mais de uma semana após o desligamento da família Garcia do comando administrativo e financeiro do clube, verdadeiro terremoto para as estruturas alvirrubras, a “poeira baixou” e o intuito passa ser consertar o estrago e viabilizar a sobrevivência do centenário Norusca. O presidente em exercício do Noroeste, Toninho Gimenez, viaja para São Paulo, onde pretende ter uma reunião com Paulo Garcia, filho de Damião Garcia, e acertar o respaldo da família Garcia na adequação de despesa ao tamanho de sua receita do clube. Além disso, quem sabe, garantir a continuidade de investimento no Noroeste, mesmo que em outros moldes, sem bancar completamente o futebol alvirrubro. Às 18h30, o Conselho Deliberativo do Norusca se reúne na sede do clube para avaliar e decidir providências para corrigir o curso do Alvirrubro.

O objetivo de Gimenez é ir a São Paulo, conversaWWr com Paulo e trazer uma definição sobre o assunto para colocar uma posição mais consistente aos conselheiros. “Seria ótimo se isso desse certo. Vamos ver”, declara Gimenez. De qualquer forma, mesmo que não fechem posição hoje, Paulo Garcia deve vir a Bauru acompanhar Noroeste x Osasco - o filho de Damião já esteve na partida da última rodada, na Grande São Paulo e, inclusive foi aos vestiários da equipe -, no sábado, e as conversas com Gimenez, neste caso, podem ser retomadas. O Jornal da Cidade tentou contato telefônico com Paulo e com seu filho, João Paulo Garcia, ex-vice-presidente do Norusca, para comentar o assunto, mas não obteve sucesso.

Na pauta da reunião do Conselho de hoje, estão assuntos como receita insuficiente para cobrir despesas, enxugamento de gastos, alternativas de manutenção da estrutura e Complexo Damião Garcia e a possível parceria com um investidor árabe, que surgiu durante esta semana, cujo representante deve vir a Bauru em breve para conhecer as instalações do clube. A parceria Noroeste/Oriente Médio é intermediada pelo empresário Júlio Fressato.

Além disso, devem ser confirmadas as eleições para a diretoria executiva para a próxima terça-feira. Até o momento, nenhuma chapa se inscreveu e apenas um grupo de torcedores noroestinos de São Paulo, ligado à Torcida Sangue Rubro, manifestou interesse em apresentar candidatura.

 

Administrando crises

Administrando crises poderia ser o nome de algum livro de autoajuda. Mas também se encaixa perfeitamente na carreira do técnico Moisés Egert, que tem a responsabilidade de manter o elenco noroestino focado apenas dentro de campo em meio às turbulências administrativas e financeiras pelas quais o clube passa. E Egert administra crises, no plural, porque já viveu situação semelhante no XV de Piracicaba, clube com o qual conseguiu dois acessos e que hoje disputa a primeira divisão do Campeonato Paulista.

O treinador lembra os dias difíceis à frente do Nhô Quim. “Não é fácil, passei pelo XV dificuldades bem piores do que esta. Chegamos a ficar quase 90 dias sem receber. Tivemos que trabalhar a parte extracampo e dei o exemplo para eles (jogadores do Noroeste). Falei que o que fizemos no XV de Piracicaba fez diferença. Vejo o grupo aqui com este mesmo pensamento. É o caminho para que as coisas mudem no clube... sei lá, que o Damião continue, se arrependa e volte. Mais do que nunca, o resultado vai ser o carro chefe”, pontua Egert.

O técnico ressalta que a postura dos jogadores de se manter focados e trabalhando rendeu resultados dentro e fora de campo. “Hoje, o XV está na primeira divisão e tem uma parte da folha financeira que a Federação (Paulista de Futebol) sustenta (cota do Paulistão), não depende de mais ninguém para se sustentar e aqueles jogadores que estavam naquela dificuldade, em 2010, hoje, estão na Série A, Série B, Série C do Brasileiro, ganhando bons salários e estão lá (XV) na primeira divisão do Paulista, jogando e com uma história fantástica. O pensamento é o mesmo aqui no Noroeste, não estamos preocupados com o dia de amanhã, a filosofia é exigir e pensar hoje para que nosso dia de amanhã seja melhor”, projeta Egert.

 

João Bidu torce por entendimento

Conselheiro e ex-vice-presidente do Noroeste, João Bidu revela que não poderá comparecer à reunião do Conselho Deliberativo desta noite por causa de um compromisso fora da cidade assumido previamente. Porém, manifestou sua opinião sobre a atual situação do clube e torce para que Toninho Gimenez consiga chegar a um acordo com Paulo Garcia para amortecer o impacto da saída dos Garcia na vida do Alvirrubro.

“Minha expectativa é de que a família Garcia reveja a decisão abrupta que tomou. Não vamos negar tudo que o seo Damião e família fizeram pelo Noroeste, mas sair assim de uma hora para outra, deixando sem dívidas, mas com compromissos altos, é totalmente inviável. Na verdade, minha grande esperança é que o Toninho consiga convencer o Paulo de que não dá para ser assim. Se ficarem até dezembro, zera-se tudo com os jogadores e o clube começa uma vida nova, dentro da realidade do Noroeste”, pontua.

Nesta vida nova, pós-família Garcia, Bidu espera uma readequação aos padrões locais de patrocínio, trazendo o clube para a realidade local. “Quanto o Noroeste pode arrecadar sem a família Garcia? Tem que trabalhar dentro deste orçamento bastante reduzido. Já que não tem mais um grande patrono, vamos tocar dentro dos nossos recursos, que são parcos”, conclui.

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