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Agudos vai ter apenas um candidato a prefeito

Wellington Balbo
| Tempo de leitura: 2 min

Fiquei pasmo ao saber que na cidade de Agudos haverá apenas um candidato a prefeito. Nada contra o prefeito que, diga-se de passagem, vem realizando um bom trabalho na cidade. Mas, sinceramente, como um município do porte de Agudos terá apenas um candidato? E a opção aos eleitores? E a oposição, onde está? Desta forma a democracia fica comprometida e todos perdem. Mas, consideremos um detalhe significativo: a oposição não sai de Marte, Júpiter ou Saturno, ela sai do seio do povo, porquanto são as pessoas que compõem os partidos, que fazem a oposição ou situação. E onde está a população agudense? Onde estão os cidadãos que deveriam estar comprometidos com o futuro da cidade?

O mais intrigante é que depois reclamamos das más administrações, acusamos os políticos de corruptos, falaciosos e os colocamos todos no mesmo balaio. Mas e nós? Onde estamos? Como criticar se não participamos, se não buscamos nos politizar ao menos um pouco? Só temos o direito de reclamar se contribuímos efetivamente para alguma coisa. Neste caso, dirão alguns que contribuem com o pagamento de impostos. Não me refiro a este tipo de contribuição. Falo de um outro, bem mais profundo e objetivo: o de trabalharmos para que o coletivo seja sempre o beneficiado. De que forma? Participando das decisões de nossa cidade, buscando informações, votando com coerência, não se deixando corromper pelo comodismo e o velho sofá de domingo... É necessário sair da cadeira existencial, deixar pra lá a omissão e a famigerada indiferença.

Se há algo que me entristece é a indiferença que caracteriza a criatura humana no tocante a temas capitais da existência, como, por exemplo, a política. A bem da verdade é que deixamos de nos envolver por comodismo. "Não tenho tempo". Isso é coisa de políticos! Problema do governo! Essas frases exprimem o desinteresse geral sobre política, que é um assunto de suma importância para a coletividade. Ah, essa tal de indiferença... por isso muitas coisas não acontecem, não andam, é que ainda somos guiados pela indiferença, pelo pouco caso. Desconhecemos nossos direitos e muitas vezes esquecemos nossos deveres. Aliás, o desrespeito ao direito do outro provém da ignorância sobre os nossos próprios direitos e deveres. Se, por indiferença, não sabemos nem os nossos direitos e deveres, quem dirá o dos outros! Portanto, passamos por cima mesmo e desrespeitamos os mais basilares direitos dos outros, sem dó nem piedade, ou, melhor, conhecimento.

E, como pensam alguns, não é o ódio o antagonista do amor, mas, sim, a indiferença. Ela ? a indiferença - esfria relações, afasta pessoas e até permite que uma cidade tenha apenas um candidato a prefeito. Lamentável! Que o exemplo de Agudos sirva para que todos nós façamos uma reflexão sincera sobre nossa participação na sociedade. Estamos contribuindo para a formação de um mundo melhor? Ou ainda ficamos reclamando, sentados em nossa sofá existencial, alheios a temas que repercutem decisivamente em nossas vidas?

O autor, Wellington Balbo, é colaborador de Opinião

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