O enfrentamento ao jogo do bicho não para em Bauru. Ontem, a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), desmantelou mais uma banca, que movimentava, por dia, até R$ 9 mil. Entre os envolvidos, havia uma mulher que trabalha há 25 anos com o jogo do bicho.
O fato evidencia como a contravenção penal está enraizada e, por isso, virou foco da ação da polícia. Conforme o JC publicou no mês passado, o número de apreensões subiu 160% este ano. Entre os casos, uma marca é recorrente: Zoo.
Ontem, ela voltou a ser alvo da Polícia Civil. “Desmantelamos uma banca que fica na quadra 1 da rua São Sebastião. Lá, havia quatro pessoas: dois irmãos proprietários, uma apontadora e o apurador de mesa”, conta o titular da DIG, Kleber Granja.
O local já era investigado pela especializada há cerca de duas semanas. “É a mesma banca que fechamos há poucos meses e que migrou para esse novo local”. Nas outras apreensões, foram localizados até brindes com a logomarca da banca Zoo.
Após a nova investida ontem, os policiais se dirigiram até a quadra 2 da Bernardino de Campos, onde há um ferro-velho. Lá, de acordo com o delegado, seria onde os recolhas - aqueles que arrecadam o dinheiro das apostas - se reuniriam. Quatro deles foram localizados no estabelecimento.
Ao todo, a polícia encontrou grande quantidade de material de escritório, dois livros-caixa e R$ 337,45. “Esta quantia é apenas cerca de 10% de uma apuração. Eles já haviam feito o recolhimento da maior parte para um local que ainda estamos procurando. Cada banca faz três apurações diárias. Então, estimamos que girava entre R$ 7 mil e R$ 9 mil por ali”.
Quilos de apostas
Entre o material apreendido, foram localizados aproximadamente 20 quilos de papéis de apostas. “Tudo será analisado e pode auxiliar nas investigações”, adianta Kleber Granja. Três motocicletas e quatro carros dos envolvidos também foram recolhidos. Como estavam devidamente registrados, foram liberados ainda ontem.
Já as oito pessoas encontradas nos dois estabelecimentos foram levadas à DIG. “Como está em período eleitoral, não pode ser feita a autuação em flagrante. Foi elaborado um boletim de ocorrência (BO) e eles disseram que só vão se manifestar em juízo”, complementa o delegado.
Entre os “funcionários”, que foram todos liberados, um caso chamou a atenção da polícia. “Tinha uma ‘funcionária’ que já tinha 25 anos atuando no jogo do bicho. Ela não tem qualquer garantia trabalhista, justamente porque é algo ilício”, conclui Kleber Granja.
Atualmente, o jogo do bicho se encaixa no artigo 51 da Lei de Contravenções Penais. A condenação é prisão de 4 meses a um ano, mais multa. Entretanto, os casos de prisão são muito raros.