Após quatro dias de greve do transporte coletivo em Bauru, encerrada ontem após acordo firmado no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), o comércio central da cidade contabiliza prejuízos. A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) estima redução de até 60% nas vendas das lojas situadas no quadrilátero central, entre o Calçadão da Batista de Carvalho, avenida Rodrigues Alves, rua 1º de Agosto e travessas, por falta de clientes dependentes dos ônibus.
“O movimento reduziu muito por causa da greve e as vendas caíram. Hoje (ontem), é quinto dia útil e o Calçadão está praticamente vazio”, diz o presidente da CDL, Sérgio Motta. Segundo ele, nem mesmo o “dia universal” do pagamento foi suficiente para levar os clientes às compras, e o cenário que se observava ao longo das quadras do Calçadão da Batista, na manhã de ontem, eram funcionários nas portas das lojas se desdobrando para chamar a atenção das poucas pessoas que circulavam pelo local. “Tivemos lojas que faturavam R$ 5 mil por dia e chegaram a vender só R$ 100,00.”
De acordo com a CDL, o fluxo do comércio central em um dia comum atinge 15 mil pessoas. Já em datas de pagamento e em finais de semana, sobre para 20 mil a 30 mil. Com a greve, cerca de apenas 6 mil pessoas passaram pelo local ontem.
Dias atípicos
Segundo o proprietário de uma loja de esportes no Centro Celso Tadashi Nakamura, o contingente baixo de clientes trouxe prejuízos. “Estamos em pleno mês das crianças, era para o Calçadão estar com o movimento dobrado. Da média de 50 clientes, estamos atendendo diariamente 20”, afirma o empresário.
Sem clientes, sem comissão. A vendedora Amanda dos Santos reclamava sobre os R$ 40,00 gastos com mototáxi ao longo dos quatro dias de greve dos coletivos. “Eu moro na Vila Cardia e dependo do ônibus para trabalhar. O salário já é apertado, sem comissão e com os descontos da moto ainda... Esse mês será complicado.”
Há 17 anos vendendo lanches em uma barraca na cidade, Antônio Batista Lopes, 56 anos, conta nunca ter visto o Calçadão tão vazio quanto nos últimos dias. “Eu vendia 40 lanches por dia e nem 10 estão saindo. Minha freguesia depende dos ônibus”, enfatiza.
R$ 880 mil
Enquanto a CDL não estimou os valores do prejuízo financeiro da greve no comércio central, a Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb) informou que, por se tratarem de dias úteis, deixou de faturar pelo transporte dos passageiros cerca de R$ 880 mil nos quatro dias de paralisação. Já o Bauru Shopping, por meio de sua assessoria, informou que a greve não impactou as vendas e nem trouxe prejuízos aos lojistas.
Indústrias
No setor industrial da cidade, não há mensuração dos prejuízos causados às empresas por conta da falta de transporte público urbano. Entretanto, conforme o diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Domingos Malandrino, não há dúvidas de que a economia local foi afetada nos últimos dias, principalmente as micro e pequenas empresas, que representam 98% das 1 mil indústrias da cidade.
“No primeiro dia da greve muitas pessoas perderam o dia de trabalho nas indústrias mais longe, como as do Distrito Industrial III”, diz o diretor regional do Ciesp.
Conforme o JC apurou, algumas empresas da cidade chegaram a montar um esquema especial com vans para que seus funcionários, prejudicados pela falta de ônibus, não fossem afetados no emprego.