Ela tem mania de cão
Um escritório cheio de bibelôs em forma de cães. Muitos deles das mais variadas cores, formatos e materiais. Foi nesse cenário que Luciana dos Santos Farah, dona do site “Mania de Cão”, recebeu a equipe do JC para contar suas principais vivências profissionais e pessoais.
Apaixonada por animais desde criança, Luciana ingressou na Faculdade de Veterinária, em Marília, mas voltou para Bauru por motivos pessoais ainda no início do curso. Aqui, depois de ingressar na Faculdade de Serviço Social e de desistir por “não ter se encontrado” na filosofia adotada pelo curso, ela seguiu os conselhos do pai e se formou em direito, profissão que não seguiu porque o pensamento estava sempre nos animais.
“Nunca tive jeito para advogar. Fiz direito ao mesmo tempo em que fui bancária. Até que sofri um acidente e precisei me afastar do banco. Pesquisei sobre os negócios voltados para os animais de estimação e acreditei que montar um site seria legal. Fui atrás do que eu queria”.
Antes disso, Luciana foi dona do primeiro pet shop da cidade. Mas foi no universo da Internet que ela se encontrou profissionalmente. Há quatro anos no ar, o site “Mundo de Cão” é um lugar onde as pessoas podem desfrutar de uma variedade de serviços e informações voltadas para os animais de estimação. São dicas, notícias sobre eventos, anúncios de animais achados e perdidos, bichinhos à espera de adoção... “Gosto de dizer que é um jornal virtual para quem gosta de bichos”.
A ideia de montar um site para os amantes dos animais de estimação deu tão certo que Luciana já espalha franquias pelo País. “O crescimento do ‘Mania de Cão’ certamente é um projeto. Quero finalizar o processo de franquias, algo que não é fácil. Já lançamos em Salvador, Rio de Janeiro e Botucatu”.
Jornal da Cidade - Quando você se viu apaixonada por animais, em especial por cães?
Luciana dos Santos Farah - Desde muito pequena eu sou apaixonada por bichos. Minhas lembranças de infância são recheadas de cachorros, papagaios... Estava sempre mexendo com os animais. Tive um casal de husky siberiano, que alegrou muito a minha vida. Inclusive tenho uma foto deles no meu escritório. Eu passei por uma fase difícil e o carinho e a presença deles me animava.
JC - Até que ponto você acredita que o contato com animais pode ajudar um ser humano a superar momentos difíceis?
Luciana - O amor incondicional deles é fundamental. Eles não te cobram nada. Tem uma frase que eu gosto que diz que os animais são bons amigos, não fazem perguntas ou críticas. Às vezes você não está legal e, com o olhar deles, você sente um aconchego. Já as pessoas acabam dizendo coisas que você não quer ouvir, coisas que são até boas, mas muitas vezes você quer apenas carinho. Quando você dá amor para um animal, ele retribui independentemente de qualquer coisa.
JC - Seu escritório é repleto de bibelôs em forma de cachorro e imagens de São Francisco de Assis...
Luciana - Eu adoro. Devo ter mais de 300 bibelôs em forma de cães. Acho até que eu sou compulsiva por isso. Se passo e vejo um cachorrinho, eu compro. Sabe aquelas mulheres que não resistem a sapatos e roupas? Eu sou assim como miniaturas de cães. Também já ganhei muitos de amigos e familiares, mas agora eles estão bravos e não me dão mais. Muitos dizem que eu só penso nos animais e no canil do meu namorado, e por isso deixo as festas de lado.
JC - Você nunca pensou em ser veterinária?
Luciana - Eu cheguei a entrar para a Faculdade de Medicina Veterinária em Marília, mas por motivos particulares eu larguei o curso e voltei para Bauru. Em seguida, comecei a fazer serviço social, faculdade que não conclui por minhas ideias não serem aceitas. Hoje o serviço social é diferente, mas, naquela época, era voltado apenas para o humano. E o meu sonho era trabalhar como assistente social em um hospital veterinário. Eu via programas na TV e observava que isso era possível. Mas as pessoas acharam que eu era louca. O que eu queria que elas entendessem é que, quando uma pessoa tem um animalzinho de estimação e ele fica doente, ela também precisa de ajuda. Um idoso, por exemplo, quando perde um cachorro de estimação precisa de amparo, é como se tivesse perdido alguém da família. Bem, disseram que se eu fizesse um trabalho de conclusão de curso sobre isso, nem nota eu teria. Deixei a faculdade. E, hoje, todo hospital veterinário tem um assistente social.
JC - Mas você é advogada, certo?
Luciana - Meu pai é advogado e sempre quis que eu seguisse a profissão. Fiz o curso, mas nunca tive jeito para o negócio. Fiz direito ao mesmo tempo em que trabalhei com investimento. Porém, sempre com o pensamento nos animais.
JC - Você foi dona do primeiro pet shop de Bauru.
Luciana - Sim. Tive o primeiro pet shop de Bauru, o “Mundo Cão”, que ficava na Praça Portugal. Minha mãe comprou de uma moça que era de São Paulo e eu assumi. Foi um sucesso. Eu trazia novidades... Até que engravidei e precisei me afastar porque tive toxoplasmose. Recebi uma boa proposta e vendi a loja.
JC - Quais foram os seus passos profissionais depois do pet shop?
Luciana - Eu montei uma loja de bijuterias, o que foi legal, mas ainda não era o que eu queria. Vendi a loja e fui ser bancária. Trabalhei no Unibanco e no HSBC como consultoria de investimento. Fui trabalhar até em São Paulo. Cresci nessa área, ganhei dinheiro, mas não estava feliz. Até que sofri um acidente de carro e precisei me afastar do banco. Nesse meio tempo, eu pesquisei sobre os negócios voltados para os animais de estimação. Foi quando acreditei que montar um site seria legal. Vi que isso poderia dar certo, era o que eu queria e fui atrás desse desejo.
JC - Foi assim que nasceu o “Mania de Cão”?
Luciana - Sim. Hoje, depois de quatro anos no ar, o site tem tudo o que as pessoas que gostam de animais de estimação precisam saber. Desde dicas, eventos, notícias, anúncios de bichinhos achados e perdidos, animais à espera de adoção... Gosto de dizer que é um jornal virtual para quem gosta de bichos.
JC - O que você acha que falta em Bauru quando o assunto são os animais de estimação?
Luciana - Acho que falta um melhor controle de natalidade, como uma campanha eficiente de castração. Além disso, já passou da hora de termos um espaço próprio para eles, como um abrigo para acolher e cuidar dos animais abandonados de maneira diferente da feita pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), hoje. Mas o controle de natalidade e a consciência da população em relação a isso são fundamentais. Não posso dizer que sou uma protetora dos animais, já que temos grandes mulheres que realizam esse trabalho em Bauru com unhas e dentes. Mas ajudo e posso dizer que sou uma adepta da causa. Eu tiro o chapéu para essas pessoas.
JC - O seu namorado é dono de um canil. Os cães foram os cupidos?
Luciana - (Risos) Para falar a verdade, sim. Meu namorado, Frederico, tem um canil de bulldogue inglês em Piratininga. São cães campeões trazidos da Inglaterra e tudo mais. Bem, começamos a namorar há três anos quando ele viu o site e me procurou para fazer o anúncio. Fui até a chácara e nos conhecemos profissionalmente. Um ano se passou e ele me ligou para falar novamente de negócios. Nesse período, eu não estava mais namorando e começamos uma amizade que virou namoro. Ele foi a melhor coisa que me aconteceu recentemente. Temos muito em comum, e com o namoro eu adotei o canil. Uma vez terminamos e eu sofri duplamente. Primeiro por estar sem ele, depois por ficar longe dos cães (risos).
JC - Você tem novos planos profissionais? Fiquei sabendo que o site já tem franquias. Pretende expandir ainda mais?
Luciana - Eu acabei de lançar um site dentro do “Mania de Cão”, o “Desconto Pet”, um lugar de compras da linha pet. O crescimento do site certamente é um projeto. Quero finalizar o processo de franquias, algo que não é fácil. Já lançamos em Salvador, Rio de Janeiro e Botucatu.
JC - A dedicação aos animais passou para a sua filha?
Luciana - Ela gosta bastante. Tanto é que vai fazer Faculdade de Medicina Veterinária. E eu vou fazer também. Ainda não sei quando, mas vou voltar para a faculdade, se Deus quiser (risos).