São Paulo - Um travesti de 24 anos morreu ontem após ser arrastado por um carro em um percurso de duas quadras. na zona sul de São Paulo. Segundo a polícia, o travesti entrou no carro de um suposto cliente por volta das 7h. Eles estavam em um hotel, na avenida dos Bandeirantes, quando houve uma discussão e o travesti, Wanderson da Silva, saiu do carro.
Ainda de acordo com a polícia, assim que o travesti desceu do veículo, o motorista acelerou. Wanderson, então, se agarrou ao capô do carro e o motorista continuou dirigindo, arrastando o travesti até a alameda dos Piratinins.
Wanderson chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. A polícia tenta descobrir a identidade do assassino. O caso foi registrado no 27º DP (Campo Belo), onde será investigado.
“É um “travesticídio” o que está acontecendo”, diz o presidente da ALGBT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), Toni Reis.
De acordo com levantamento feito pela associação, é o 86º travesti assassinado no Brasil apenas neste ano.
Segundo Reis, os crimes contra minorias sexuais resultam do preconceito social que existe. Em alguns casos, até entre os próprios clientes dos travestis que, depois de manter relações sexuais com eles, acabam se arrependendo e cometendo agressões.
Para Reis, há dificuldade de combater o preconceito porque ações educativas acabam sendo politicamente barradas por grupos conservadores.
Ele afirma que a resistência desses grupos tem influenciado a campanha eleitoral deste ano.
“Políticos foram relacionados ao vídeo que ficou conhecido como “kit-gay” como maneira de minar suas candidaturas”, afirma Reis.
“Nas redes sociais, o discurso homofóbico é muito forte. Anônimos acabam se sentindo legitimados ao agredir travestis por causa disso”.
A impunidade no caso de assassinatos contra travestis, diz Reis, é muito alta, “quase 100%”, porque “ninguém quer servir como testemunha”, e os processos acabam sendo arquivados.