Com 16 candidatos a prefeito eleitos na macrorregião de Bauru no último domingo, o PSDB conseguiu manter o mesmo número de cadeiras do último pleito ao Executivo, em 2008. O PT, que tinha prefeitos em quatro municípios, perdeu duas cadeiras. A queda mais acentuada, porém, é a do PV, que também havia emplacado quatro prefeitos em 2008, mas acabou ficando sem nenhum representante nessas eleições.
No levantamento, a reportagem levou em conta 44 cidades abrangidas pelo JC (veja quadro ao lado). Apesar de liderarem o número de prefeituras, os tucanos não conseguiram se manter no poder em municípios onde, tradicionalmente, elegem candidatos, como Avaí, Bariri e Borebi. Neste último, o PSDB comandava o Executivo ou participava indiretamente do governo desde 1993, quando a cidade se emancipou politicamente.
Por outro lado, a legenda conseguiu reeleger candidatos em municípios importantes, como Botucatu e Lençóis Paulista. No último caso, a atual prefeita Bel Lorenzetti garantiu mais um mandato com votação expressiva conquistando 84,36% dos votos válidos. Outras cidades onde o PSDB garantiu a permanência no poder foram Dois Córregos, Iacanga, Espírito Santo do Turvo, Santa Cruz do Rio Pardo e Uru.
Já o PT, que governa atualmente Areiópolis, Cafelândia, Lucianópolis e Presidente Alves, não conseguiu manter a mesma performance de 2008 nas urnas e perdeu duas cadeiras no Executivo. Em Areiópolis, Cafelândia e Presidente Alves, os atuais prefeitos não conseguiram emplacar seus sucessores. Em Lucianópolis, o partido faz parte da coligação do candidato eleito, que é do PP.
A legenda, no entanto, garantiu importante vitória em Jaú, uma das cidades mais importantes da região. Com 59,31% dos votos válidos, Rafael Agostini derrotou o atual prefeito e candidato a reeleição Osvaldo Franceschi Junior (PV). Em Vera Cruz, o candidato do PT, Fernando Simon, também derrotou uma candidata a reeleição – Renata Zompero Dias Devito, do eterno rival PSDB.
Outro partido que conseguiu ampliar o número de prefeitos na região foi o PR, do deputado federal Milton Monti, que tem base eleitoral em São Manuel. Com um prefeito eleito em 2008, no domingo, o partido garantiu comando de cinco cidades, entre elas São Manuel. Os municípios governados pelo PP saltaram de dois para quatro. Já o PSB ampliou o seu governo das atuais duas para cinco cidades. O PMDB também ‘ganhou’ uma prefeitura, passando de cinco para seis eleitos.
Já PTB e DEM, que hoje têm dois prefeitos, elegeram apenas um nessas eleições. O PPS, que governava três municípios, só conseguiu emplacar um representante. O PDT, que tinha dois prefeitos, ficou sem nenhum representante no Executivo. Os demais prefeitos eleitos para gestão 2013-2016 na região são filiados ao PSL (Torrinha), PRP (Presidente Alves) e PPL (Reginópolis).
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Executiva Estadual do PSDB para que o partido avaliasse o desempenho dos seus candidatos na região mas, até o fechamento desta edição, não havia obtido retorno. O JC também telefonou várias vezes para o coordenador da macrorregião do PT de Bauru, Everton de Matos, mas ele não atendeu e não retornou recado deixado em sua caixa postal.
“Enfraquecimento”
O mapa político na região mostra que o partido que mais se enfraqueceu nas últimas eleições foi o PV. Com prefeitos no comando das prefeituras de Bocaina, Jaú, Pederneiras e Pratânia, no domingo, a legenda não conseguiu eleger nenhum representante para o Executivo. Nos casos de Jaú e Pratânia, os atuais prefeitos buscavam sua reeleição. Já em Bocaina, o atual chefe do Executivo tentava emplacar seu vice.
O único caso atípico é Pederneiras, onde o candidato eleito, do PSB, contava com o apoio da atual prefeita, Ivana Maria Bertolini Camarinha. Na avaliação de Alexandre Bissoli, membro da Executiva Estadual do PV, o futuro do partido precisa ser reavaliado. “Eu acho que tem que ser chamada toda a coordenação regional da região que a gente chama de Bacia 15 e tem que ser feita uma profunda discussão a respeito do processo e avaliar o que aconteceu”, diz.
“Não dá para afirmar, hoje, qual foi o motivo, mas houve algum fator que culminou nessa não eleição de candidaturas do PV na região”. Apesar dos números, porém, Bissoli ressalta que a legenda teve alguns resultados positivos. Em Igaraçu do Tietê, segundo ele, o candidato do PV obteve boa votação e ficou em segundo lugar. “Apesar de não ser do PV, o sucessor da Ivana em Pederneiras é uma continuação, na verdade, do governo do PV”, afirma.
Na opinião do dirigente, o partido começou a se enfraquecer há dois anos, quando o deputado federal José Paulo Tóffano não conseguiu se reeleger. “A região toda não conseguiu se unir para reeleger o parlamentar que representava essa região e, consequentemente, os resultados das eleições municipais foram só os próximos capítulos de algo que se anunciava há dois anos atrás, que era um enfraquecimento político do Partido Verde na região”, avalia.
“Uma questão que é evidente é buscar novas lideranças. Ficou claro que a falta de lideranças novas fez com que a gente tivesse menos opções e as que se colocaram não foram aceitas pela população”.