Política

Alegria e tristeza ontem na Câmara

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 7 min

Enquanto nove vereadores estampavam sorriso nos rostos após confirmarem a reeleição neste domingo, aqueles que tentaram, mas não estarão na Câmara Municipal a partir do ano que vem, não esconderam o abatimento. Com exceção de José Carlos de Souza Batata (PT), eles evitaram discursar na tribuna. Decepcionado, José Roberto Segalla (DEM) sequer compareceu à sessão.

O Jornal da Cidade apurou que o parlamentar está desolado com o resultado das eleições, não apenas pelo seu desempenho individual, mas pelo cenário devastador para a oposição, que elegeu apenas quatro parlamentares: dois do PSDB e dois do PV.

A reeleição de Segalla era dada como certa nos bastidores políticos, em razão do mandato que ganhou destaque, principalmente pelas duras críticas ao prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).

Muitos de seus colegas acreditam, inclusive, que este tenha sido um dos fatores que provocou a derrota do demista. Ele recebeu quase 700 votos a menos do que em 2008.

Outro oposicionista que ficou de fora da próxima Câmara foi Gilberto dos Santos (PSDB). O tucano também viu sua votação cair de 2.057 para 1.235. Ontem, ele ficou pouco tempo no plenário, sempre mexendo no aparelho celular. Com poucas palavras, atribuiu a derrota à falta de dinheiro e estrutura na campanha. “Em 2008, eu investi mais”, disse.

Décimo primeiro no ranking geral e com aumento de votos em relação a 2008, Luiz Carlos Barbosa (PTB) ficou de fora porque seu partido – o único que não fez coligações proporcionais – não atingiu o quociente eleitoral.

O vereador, porém, evitou fazer críticas ao comando de sua sigla, presidida por Ricardo Oliveira (PTB). “Isso é coisa da política. Uma vez, vai bem. Outra, não. Mas estou muito satisfeito com o meu desempenho. Duro é se eu despencasse, né?”, brincou o vereador de três mandatos.


Poucas chances

É praticamente nula a possibilidade de ser alterada a configuração da Câmara Municipal, caso o ex-presidente da Fundação de Previdência (Funprev), Vanderlei Tomiati (PTB), consiga, junto à Justiça, o deferimento de sua candidatura. Isso porque o petebista re-cebeu apenas 208 votos.

Ontem, seus votos não foram contabilizados, pois Tomiati aguarda decisão acerca de recurso. O Ministério Público Eleitoral apontou que o candidato não se desincompatibilizou no prazo legal do cargo de diretor Previdenciário da fundação.

Caso Vanderlei reverta a situação, um novo cálculo do quociente eleitoral deve ser feito. A avaliação, porém, é de que a baixa votação do candidato não vai afetar na composição do Legislativo. À rádio Auri Verde ele disse, na manhã de ontem, que esperava ter recebido, no mínimo, mil votos.

O quociente eleitoral foi de 10.670 votos. O PTB conseguiu 10.428, sem contar os de Vanderlei Tomiati.

 

DEM ficou menor

Com duas cadeiras eleitas em 2008 e nenhuma em 2012, o DEM foi o grande perdedor do processo eleitoral em Bauru. O partido também perdeu espaço no País (44% das prefeituras no primeiro turno), mas Chiara não acredita que a derrota no município seja reflexo do cenário nacional.

Além disso, a família Ranieri não teve bom desempenho. O irmão da vereadora, Neto Ranieri (DEM), recebeu apenas 557 votos.

Na tribuna, Chiara comentou a explosão de votos de Fábio Manfrinato (PR), dizendo que o vereador mais votado começou com ela. “Chamei o Fábio para minha assessoria”.

Posteriormente, Manfrinato assumiu a cadeira da demista durante sua licença-maternidade, em 2009. Ele mudou para o PR, após assumir o cardo de assessor de Acessibilidade da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).

 

20 anos depois...

Depois de cinco mandatos, José Carlos de Souza Batata (PT) admitiu que é diferente a sensação de subir à tribuna sabendo que não estará lá a partir do ano que vem. “Vamos sentir falta disso”, disse ao amigo Marcelo Borges (PSDB), que não tentou a reeleição em 2012.

O petista atribui à derrota ao sistema proporcional da eleição para os cargos legislativos e à ausência de partidos com densidade eleitoral na coligação. “Não fizemos alianças. Mas sou um homem de partido e estou satisfeito por ter ajudado a eleger a nossa segunda cadeira”, pontuou.

Diante do receio de perder espaço no Legislativo municipal, o PT fez, às vésperas da eleição, uma força-tarefa, incitando os candidatos a vereador a movimentarem suas campanhas.

Acontece que a segunda cadeira do partido ficou com Sandro Bussola (PT), que foi assessor de Batata durante 16 anos. “Estivemos no mesmo grupo durante anos. É claro que há um cisma”, pontuou Batata.

O vereador, no entanto, diz que está satisfeito com sue desempenho, por ter aumento em quase mil o número de votos, se comparado a 2008. O petista diverge da esposa e vice-prefeita, Estela Almagro (PT). Ela acredita que a não-reeleição de Batata pode ser atribuída também a um desgaste natural após 20 anos de mandato. “Isso não aconteceu”, ressaltou.



Semel

Batata preferiu não confirmar seu retorno ao comando da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel). Ele foi presidente da pasta até o final de março deste ano, quando deixou o cargo para viabilizar sua candidatura a vereador. “Não dá para falar. Vamos discutir com o partido o que nós vamos querer”, pontuou.

Na tribuna, o parlamentar discursou sobre a importância de uma reforma política no País, defendendo o fim do voto obrigatório.

 

‘Se fosse candidata a vereadora, não teria sido eleita’, diz Chiara

Falando em ‘massacre nas urnas’ em favor da situação, Chiara Ranieri (DEM) avalia que todos os candidatos que criticaram o prefeito Rodrigo Agostinho e sua administração saíram derrotados no Legislativo. Segundo ela, a não-reeleição de José Roberto Segalla (DEM) reflete isso. “É a perda mais significativa. Essa Câmara não será mais a mesma sem todo o seu conhecimento”, disse na tribuna, com a voz embargada.

Por ter adotado postura combativa ao governo, ela declarou também não acreditar que estaria eleita caso tentasse a reeleição como vereadora. Chiara, aliás, disse não querer sequer pensar sobre seu futuro político. “Foi o encerramento de um ciclo de quatro anos”.

A parlamentar fez questão de ressaltar também que desempenhou o papel de vítima neste processo eleitoral. “O resultado [5,32%] não me surpreendeu e eu sabia exatamente onde estava entrando. Acontece que alguém precisa fazer oposição. Algumas cidades da região não tiveram candidatos oposicionistas e isso é muito ruim. Nossa candidatura levou a reflexão sobre Bauru e nos transformamos em um instrumento de esperança”, afirmou.

A candidata derrotada parabenizou os adversários, inclusive o Rodrigo Agostinho, e citou nominalmente a vereadora eleita Telma Gobbi (PMDB), que como ela foi entre 2009 e 2012, será a única parlamentar do sexo feminino a partir de 2013.

 

Oposição, pero no mucho

“Oposição com diálogo” e oposição com responsabilidade”: essas são as expressões utilizadas por Fernando Mantovani (PSDB) e Natalino da Pousada (PV) para definirem suas atuações como parlamentares de partidos que não pertencem à base de Rodrigo Agostinho. Entre eles, os dois foram os únicos reeleitos.

Acontece que ambos são apontados pelos colegas justamente como os mais governistas dos oposicionistas, estando, muitas vezes, alinhados ao prefeito nos últimos quatro anos. “Minha forma de agir foi aprovada pela população”, disse o verde.

A eles, vão se juntar Arildo Lima Júnior (PR) e o médico Raul Gonçalves de Paula (PV), na legislatura que começa ano que vem e termina em 2016.

Atual líder da oposição, Marcelo Borges (PSDB) demonstrou incômodo ao comentar a redução da força política de seu partido e disse que a própria base deve causar problemas ao prefeito reeleito, citando Telma Gobbi (PMDB) e Roque Ferreira (PT) como exemplo daqueles que “podem causar problemas” a Rodrigo.


‘Resultado fortalece Legislatura’

Quarto vereador mais votado, o líder do governo na Câmara, Renato Purini (PMDB), avalia que a reeleição de nove vereadores mostra que a população está satisfeita com a atual legislatura. Segundo o vereador, a maior surpresa ficou por conta da explosão da votações de parlamentares com mandato.

Ele está junto com Roberval Sakai (PP), Fabiano Mariano (PDT) e Roque Ferreira (PT) entre os quatro mais votados, depois de Fábio Manfrinato. Purini atribuiu ainda o sucesso do PMDB nesta eleição ao prefeito Rodrigo Agostinho. Os votos de legenda na sigla chegaram perto dos 10 mil. “Saltamos de uma para quatro cadeiras. Esse era um dos meus compromissos como presidente da Comissão Provisória do partido. Agora precisamos organizar os diretórios e pensar em 2014”, disse o vereador.

No entanto, ele negou que estivesse se referindo ao seu nome como possível candidato a deputado. Agostinho também nega veementemente que concorrerá a uma vaga na Câmara dos Deputados.

O bom desempenho de Roberval Sakai já era esperado. Com amplo apoio de igrejas evangélicas, ele figurava na lista dos candidatos com chance de serem o mais votado. Já Mariano estimava receber cerca de 4 mil votos, mas ultrapassou os 6 mil. O vereador sequer aparecia entre os citados de pesquisas de intenção de voto.

“Eu sabia que tinha ampliado o número de apoiadores. Não estou falando de eleitores nem de cabos eleitorais. Os apoiadores são aqueles que ajudam a multiplicar nosso nome em busca de votos. Era justamente esse número que não conseguíamos mensurar”, explicou.

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