Brasília - A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou ontem, durante o julgamento do mensalão, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu por corrupção ativa.
Chefe da campanha que elegeu o ex-presidente Lula em 2002, Dirceu foi acusado de negociar acordos com os partidos políticos que apoiaram o novo governo e de criar um esquema clandestino de financiamento que distribuiu recursos ao PT e a seus aliados para garantir apoio no Congresso.
O voto que selou maioria por condená-lo foi do ministro Marco Aurélio Mello. Ele foi o sexto ministro a entender que Dirceu é culpado pelo mensalão. Também votaram neste sentido os ministros Joaquim Barbosa, Rosa Weber, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. Os ministros Ricardo Lewandowski e José Roberto Dias Toffoli entenderam que a Procuradoria não conseguiu provar a participação de Dirceu no esquema e o absolveram. O julgamento deste capítulo será retomado hoje, com os votos de Celso de Mello e do presidente Carlos Ayres Britto.
Segundo afirma sua defesa, o ex-ministro se desligou do PT quando assumiu a chefia da Casa Civil e não participou das ações do partido, que eram de responsabilidade de seus dirigentes.
O ministro Marco Aurélio usou diversos depoimentos para apontar a participação de Dirceu, que seria quem “batia o martelo” e “homologava todos os acordos” do partido.
Além de Dirceu, a maioria do STF também condenou, ontem, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro Delúbio Soares por corrupção ativa. Os três, ao lado do ex-secretário-geral Silvio Pereira, compunham o núcleo político do esquema, segundo definiu a denúncia da Procuradoria Geral da República.
Os ministros Cármen Lucia e Marco Aurélio foram duros ao rejeitar a defesa de Genoino, que apontou a história de vida do petista para rebater as acusações, e disse que ele desconhecia o esquema, já que era responsável apenas por decisões políticas, ficando distante das finanças do partido, sob o comando de Delúbio. “No Brasil há essa prática, de nada se saber, pelo menos notada nos últimos anos”, disse Marco Aurélio.
Dirceu disse, ontem em nota, que aceitaria a decisão, a qual chamou de “juízo de exceção, mas afirmou que não se calará e não se abaterá. “Lutei pela democracia e fiz dela minha razão de viver. Vou acatar a decisão, mas não me calarei. Continuarei a lutar até provar minha inocência. Não abandonarei a luta. Não me deixarei abater”, disse.