Lençóis Paulista – O adolescente de 16 anos acusado de matar uma comerciante de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) com um tiro na cabeça, durante assalto ocorrido há um mês (leia mais abaixo), apresentou-se ontem à tarde na delegacia da cidade. Acompanhado de seu advogado, o jovem – que já tinha internação decretada por roubo – confessou o crime, disse que cometia delitos para sustentar o vício em crack e alegou ter agido sozinho. Ele também declarou que o disparo foi acidental.
De acordo com o delegado Marcos Jefferson da Silva, após vários acordos descumpridos, ontem, por volta das 15h30, o adolescente apresentou-se na delegacia acompanhado da mãe e do advogado. “Ele confessou o crime e informou que agiu sozinho”, conta. Após o latrocínio, o revólver teria sido jogado em um rio.
O jovem disse à polícia que é viciado em crack e comete delitos para sustentar seu vício. Ele, contudo, negou qualquer envolvimento com o tráfico de drogas e declarou que optou por se entregar porque não aguentava mais viver escondido. “Ele disse que não estava mais suportando a pressão e que não podia sair”, revela.
Ainda segundo o delegado, o adolescente afirma que o disparo que tirou a vida da comerciante foi acidental e que ele não tinha a intenção de matá-la. “Ele disse que entrou com a arma engatilhada no local e que, na hora em que a mulher foi em direção a ele e pegou no seu braço, a arma disparou”, relata.
Além do latrocínio, o jovem confessou a autoria de roubo a uma farmácia na rua Henrique Losinkas Alves, no bairro Cecap, ocorrido no dia 10 de setembro. Na ocasião, um homem entrou no local armado com revólver e, após ameaçar funcionários, roubou R$ 600,00 em dinheiro e 100 cartões de recarga para celular de várias operadoras.
Depois de prestar depoimento, o adolescente foi encaminhado ao Núcleo de Atendimento Integrado (NAI) da Delegacia da Infância e Juventude (Diju) de Bauru, de onde seria transferido para uma unidade da Fundação Casa (antiga Febem). A Polícia Civil aguarda laudo da perícia no local do crime para concluir o inquérito que apura o caso.
Internação
De acordo com o delegado Marcos Jefferson da Silva, num primeiro momento, o jovem ficará internado por 45 dias em cumprimento a mandado de internação provisória. No decorrer dessa internação, o futuro dele será determinado pelo Juizado da Vara da Infância e da Juventude de Lençóis Paulista.
O promotor da Infância e Juventude do município, Daniel Passanezi Pegoraro, explica que o adolescente já estava com a internação provisória decretada por outro roubo. “Ele estava sendo procurado por conta da participação no latrocínio e também porque havia uma internação pendente”, diz.
“Logo que o delegado terminar a apuração do latrocínio, aí sim ele deve ser internado também pelo latrocínio”. Durante a internação provisória, o jovem deverá ser julgado e receber sentença. No caso do latrocínio, a condenação pode chegar a três anos de internação na Fundação Casa. Se ele fosse maior de idade, a pena mínima seria de 20 anos.
Relembre o caso
Conforme divulgado pelo JC, no dia 11 de setembro, por volta das 15h40, um homem moreno, com capacete, e armado com revólver, invadiu uma mercearia localizada na rua Amauri Thadeu de Oliveira Ciccone, no Residencial Açaí II, e começou a retirar todo o dinheiro do caixa, no total aproximado de R$ 150,00.
Quando percebeu a ação do assaltante, a proprietária do local, Maria Cristina Carrara, 42 anos, que atendia uma cliente nos fundos do estabelecimento, reagiu e partiu em sua direção, provavelmente para tentar retirar o revólver da sua mão. Ela foi atingida por um disparo na cabeça e acabou morrendo no local.
Toda a ação foi gravada pelas câmeras do circuito de segurança da mercearia. Dois dias depois, as imagens ajudaram a Polícia Civil a identificar o autor do crime. Ao ver a filmagem, a mãe de um adolescente de 16 anos, morador do jardim Ibaté, começou a chorar e reconheceu o filho como sendo o assaltante.
A mulher revelou que o jovem era usuário de drogas. Informações extraoficiais dão conta de que ele chegou a contrair dívida de R$ 4 mil com traficantes. Em entrevista à imprensa, a mãe do adolescente disse ainda que ele deveria pagar pelo crime que cometeu. Durante vários dias, a polícia efetuou buscas, mas o jovem não foi localizado.