Nacional

Idosos respondem por quase 20% da renda do País

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Rio - Com a combinação de uma alta taxa de fecundidade em décadas anteriores e o menor crescimento populacional dos últimos anos, o número de idosos no Brasil aumentou e crescerá ainda mais nos próximos anos, ampliando seu peso na economia, diz análise do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea).

O estudo, feito com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), aponta que em 2011 os mais velhos geraram 19,4% do rendimento total dos brasileiro. Nos lares onde viviam, os idosos eram responsáveis por 64,5% do rendimento familiar.

Essa fatia da população tinha um renda (considerando todas as fontes, como trabalho, aposentadorias, aluguéis, investimentos financeiros) de R$ 28,5 bilhões ao mês. Desse total, a maior parcela provinha da Previdência Social, que cobria 69,5% do rendimento dos mais velhos, segundo o estudo.

Ana Amélia Camarano, coordenadora do estudo, diz que o Brasil conseguiu enfrentar o problema da falta de uma renda assegurada após os 60 anos e da pobreza na velhice - comuns em alguns países.

Segundo ela, 76% (ou 15 milhões de pessoas) dos idosos recebiam benefícios de seguridade social no Brasil.

Ela diz, porém, que nem todos os problemas estão equacionados. “As condições de saúde e de autonomia dessa população que passou a viver mais são fundamentais e o desafio para as política públicas”, afirma.

De 1992 a 2011, a proporção de pessoas com mais de 60 anos passou de 7,9% do total para 12,1% - aproximadamente 23 milhões de pessoas.

 

Idosos em atividade

Segundo o estudo do Ipea, 35,1% dos homens idosos participavam de algum tipo de atividade econômica - cerca de 50% desse grupo já estava aposentada e se mantinha no mercado de trabalho. Já entre as mulheres com mais de 60 anos, 12,4% continuavam ativas e também aproximadamente metade recebia aposentadoria.

Do total de homens mais velhos, 75,3% eram aposentados e apenas 3,7% não tinham nenhum rendimento. “É um percentual muito baixo”, disse Camarano.

No caso das mulheres, 13,4% não tinham renda própria e 58,3% recebiam aposentadoria. Para as idosas, diz a pesquisadora, o problema da falta de rendimento (decorrente da menor inserção feminina no mercado de trabalho quando elas eram mais jovens) é atenuado pelo fato de receberem pensões após a morte dos maridos.

 

Adolescentes têm menos filhos

São Paulo - A gravidez na adolescência já não é um problema tão grave no País, segundo o Ipea. Em 1992, a cada 1.000 jovens na faixa de 15 a 19 anos, 88 tinham filhos. O número baixou para 58 em 2011. De acordo com o Ipea, que baseou o estudo em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), a fecundidade entre adolescente caiu em todas as regiões do País. O declínio maior, porém, ocorreu no Nordeste.

Entre as adolescentes com filhos, caiu a proporção das que tinham cônjuges - de 56% em 1992 para 37,3% em 2010. Nesse período, as que se declaravam como filhas dentro da família (e provavelmente solteiras) passou de 28,4% para 36,7% do total de mulheres na faixa de 15 a 19 anos com filhos. Cresceu ainda a proporção de adolescentes que chefiavam famílias - de 1,9% em 1992 para 9,7% em 2011.

Segundo os dados cruzados pelo Ipea, a redução da natalidade e a inserção maior da mulher no mercado de trabalho mudou o perfil dos arranjos familiares no País. O grupo de casal sem filhos subiu de 11,7% das famílias em 1992 para 17,4% em 2011. Já o de casal com filhos declinou de 62,8% para 48,3% do total.

As mães com filhos que eram chefes do domicílio passaram a corresponder a 15% em 2011 - o percentual 12,3 em 1992. Também cresceu o peso de mulheres e homens vivendo sozinhos no conjunto dos lares brasileiros, alcançando 9,5% e 7,9%, respectivamente, em 2011.

De acordo com o Ipea, a proporção de mulheres chefes de família (incluindo as casadas) subiu de 19,3% em 1992 para 36,6% em 2011. Nesse intervalo, a contribuição das mulheres para a renda das famílias brasileiras cresceu - de 30,1% para 41,5%.

Pelos dados do instituto, 66,3% das mulheres casadas ajudavam, em alguma medida, a compor a renda familiar.

 

População chegará a 208 milhões em 2030

São Paulo - A população brasileira chegará a 208 milhões em 2030, segundo cálculo do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea). A previsão está do boletim Tendências Demográficas Apontadas pela Pnad 2011, divulgado ontem.

Com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil atingirá a maior população em 2030, quando a força de trabalho deve chegar a 156 milhões de pessoas. Hoje, os brasileiros somam 190 milhões.

No anos seguintes, é esperada uma queda progressiva do número de brasileiros, que somarão 205,6 milhões em 2040. Neste ano, 152 milhões serão trabalhadores.

A pesquisadora Ana Amélia Camarano explica que o resultado reflete o envelhecimento da população e a taxa de fecundidade nas últimas décadas, que começou a cair na década de 1990. Em 1950, a taxa era de 6,2 filhos. Hoje, o número de filhos por mulher é 1,7.

“Nossa projeção vem caindo e, entre 2030 e 2040, deve se aproximar da taxa do Japão, que é um filho por mulher, abaixo do nível de reposição da população”, afirmou Ana Amélia.

Segundo ela, o fecundidade tem espaço para cair entre as mulheres pobres e nas regiões no Norte e Nordeste, onde o número de filhos está em torno de dois.

 

Comentários

Comentários