A vinda a Bauru era para proferir uma palestra em uma faculdade. Porém, duas professoras de Jaú acabaram com um revólver no rosto e abandonadas em um local ermo. Os assaltantes levaram o carro delas com tudo dentro, porém, prometeram que elas irão achar o veículo. É o quarto caso de sequestro-relâmpago registrado somente nesta semana em Bauru (leia mais ao lado).
O caso ocorreu na rua Luiz Levorato, no bairro Campo Limpo. Duas docentes universitárias, de 28 e 29 anos, saíram da faculdade por volta das 21h30 de anteontem, quando foram abordadas. “Somos de Jaú e tínhamos vindo dar uma palestra aqui”, conta uma das vítimas, que teve a identidade preservada pela reportagem.
Elas estavam em um Fiat Punto, com placas de Jaú. A dupla armada entrou no carro, anunciou o assalto e ordenou que elas passassem para o banco traseiro. “Um dos assaltantes ficou dirigindo e o outro, no passageiro, ficou com uma arma no meu rosto”.
Os homens dirigiram alguns minutos em posse das vítimas. “Parecia uma eternidade. Achei que iria morrer. Pensei que eles fossem até o mato atirar na gente”.
Após os momentos de terror, elas foram abandonadas próximo à Toca da Coruja, localizada na altura do quilômetro 234 da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), a Bauru-Jaú. “Andamos mais de uma hora até achar ajuda”, relembra a professora.
No local ermo, os ladrões mandaram as vítimas correr e não olhar para trás. Uma delas chegou a pedir para que a dupla não levasse o material escolar. “Ele disse que queria só o carro. Prometei que iria ‘usar’ o veículo e que, depois, iríamos achar o carro com tudo dentro”.
Os assaltantes fugiram com o Punto, documentos pessoais das vítimas, cartões bancários, notebook, celulares, pen drives e ainda R$ 400,00 em dinheiro.
Até o fechamento desta edição, os ladrões ainda não tinham cumprido sua “promessa”. Nem o automóvel das vítimas e nem os objetos do interior foram localizados. A dupla também não foi detida.
Empresário, casal e universitária foram vítimas nos outros casos
Além das duas professoras, outras quatro pessoas passaram por momentos de terror em Bauru esta semana. Foram mais três casos de sequestro-relâmpago com modos de operação semelhantes.
A primeira ocorrência foi na noite de segunda-feira. O proprietário de uma casa de carnes localizada na avenida Nossa Senhora de Fátima foi abordado por três homens e uma mulher. A vítima foi amarrada e abandonada em local ermo. A quadrilha foi presa em flagrante com a Hilux do empresário em Valparaíso (238 quilômetros de Bauru), na região de Araçatuba.
O outro caso ocorreu em um intervalo de quatro horas. Uma universitária de 23 anos foi surpreendida por quatro jovens enquanto transitava com seu Renault Clio pelo prolongamento da avenida Chaim Mauad, em um atalho de terra que dá acesso à avenida Getúlio Vargas.
Já no terceiro sequestro-relâmpago, um casal foi abordado quando chegava à residência de uma das vítimas, localizada na rua Padre João, Vila Santa Izabel - região da Praça das Cerejeiras.
Cinco homens armados de revólveres e espingarda renderam as vítimas, de 20 e 21 anos. Após uma hora rodando, o casal foi abandonado em um pasto.
Por volta das 8h de anteontem, o veículo do casal foi localizado em uma rodovia de Marília (100 quilômetros de Bauru). Um bando teria roubado uma farmácia na cidade e, enquanto fugia da polícia pela rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), capotou o veículo. Quatro homens fugiram a pé pelo matagal que há nas imediações, mas Wilquer Vinícius Cruz, 22 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Civil de Marília.
No carro, foram localizadas as armas utilizadas no sequestro-relâmpago do casal. A quadrilha ainda é suspeita de outros crimes, como o sequestro-relâmpago da universitária em Bauru, o roubo de uma padaria na cidade e o de um hotel em Lençóis Paulista.
Como se prevenir?
Apesar da Polícia Militar (PM) não acreditar que haja uma tendência nessa modalidade de crime, os requintes de violência preocupam. Assim, é necessário que a população se previna de um possível sequestro-relâmpago.
Segundo o oficial de relações públicas do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), capitão Alan Terra, uma das principais dicas é sempre rondar o quarteirão antes de entrar em casa. “Se perceber algo suspeito, acione o 190”.
Depois, outra dica é, se possível, entrar de marcha ré na garagem do imóveis. “Você fica de frente para a rua. Isso aumenta sua visão periférica”, aponta.
O capitão afirma que, em locais públicos, o velho ditado “não dar sorte para o azar” é fundamental. “Evite transitar por locais ermos. Como vimos em um dos casos, a vítima pegou um atalho por um local isolado. Nunca faça isso”.
E se a prevenção não for suficiente? “Se você estiver em posse dos assaltantes, o mais importante é nunca reagir”, alerta Alan Terra, complementando ainda que “a vítima não deve encarar os criminosos, fazer movimentos bruscos e nem mesmo tentar fugir”.