São Paulo - A crise econômica internacional parece ter efeito limitado sobre os produtos de tecnologia. O desempenho do mercado brasileiro de videogames é um exemplo disso. Depois de enfrentar a pirataria e se profissionalizar nos últimos anos, o setor avança em ritmo acelerado. O Brasil já é o quarto maior consumidor de games do mundo.
Um estudo da consultoria PwC aponta que esse mercado movimentou no Brasil US$ 420 milhões (aproximadamente R$ 850 milhões) em 2011 - e deve crescer a uma taxa anual composta de 8,8%, alcançando US$ 640 milhões (R$ 1,3 bilhão) em 2016.
Segundo uma pesquisa Ibope divulgada no início deste mês, de cada 100 brasileiros, 23 são usuários de algum tipo de jogo eletrônico. O cenário promissor chama a atenção de empresas estrangeiras - e aquelas que ainda não estão instaladas no País buscam parcerias nacionais.
“Em tempos difíceis nos Estados Unidos e na Europa, muitas companhias enxergam na América Latina, e em especial no Brasil, uma alternativa para continuar crescendo”, diz Marcelo Tavares, diretor da feira Brasil Game Show que reuniu, entre os dias 11 e 14, em São Paulo, empresários de cerca de 20 países dispostos a fazer negócios. O número de países quase dobrou com relação à última edição, no ano passado, e inclui gigantes como Sony, Microsoft, Nintendo e Warner.
Com o mercado nacional em expansão, é difícil encontrar uma empresa que não projete crescimento. Para 2012, a NC Games espera um faturamento de R$ 250 milhões no Brasil, quase o dobro do que faturou no ano passado. Para 2013, a meta é atingir uma receita de R$ 380 milhões.
Fundada há 18 anos em São Paulo, a empresa acompanhou a evolução do setor desde o tempo em que a pirataria e o contrabando deixavam pouco espaço para o varejo e hoje é a maior distribuidora de jogos para console na América Latina, representando boa parte das produtoras internacionais, como Ubisoft, Konami e Sega.
O fundador e diretor da NC Games, Claudio Macedo, atribui os bons resultados aos recentes investimentos feitos pela companhia em estrutura e logística, aliados à queda gradual do custo dos aparelhos de videogame no País. “Quanto mais consoles são vendidos, mais jogos a gente distribui”, resume.