Quando criança em início de idade escolar, a professora Josiane Maria Armondi dos Santos tinha medo de ir à escola. Chorava como acontece com muitos pequenos nos primeiros dias de aula. Mas ela encontrou alguém que, com carinho e muita dedicação, fez desaparecer aquele medo infantil e surgir a paixão pelo magistério: “Esse anjo se chama ‘dona’ Eliazib Simi Misquiati. E eu a encontrei por acaso no último churrasco da Vila Vicentina. Foi uma emoção sem igual”.
Quem não guardou na lembrança a forma carinhosa e especial de ensinar de um professor (a)? Mais do que as primeiras contas, as primeiras sílabas ou mesmo os primeiros passos profissionais, os mestres são verdadeiras inspirações para muitos de seus alunos.
Foi assim entre dona Eliazib e Josiane. “Ela era uma professora muito doce e competente, tanto que me marcou a ponto de influenciar a minha escolha profissional”, lembra Josiane.
E a lição de dona Eliazib foi feita por Josiane e repassada para novas gerações. Tanto que Josiane também serviu de inspiração profissional para ao menos uma de suas alunas. Em sua primeira turma, no ano de 1984, Josiane teve uma aluna especial que também se tornou professora.
“O nome dela é Gisele Bilce. Encontrei com ela há algum tempo e ela me disse que se tornou professora por minha causa. Para minha surpresa, ela me chamou de tia Josi. Ah, como eu amo ser professora e como eu amo meus alunos”, diz Josiane, que atualmente trabalha com a educação infantil.
De pai para filhas
Ver o pai dar aulas era o passeio preferido das irmãs Eliane e Fidalma Nora Bitencourt quando crianças. Para elas, “seo” Walter Nora Bitencourt sempre foi o modelo ideal de professor. Tanto que elas decidiram seguir os passos desse mestre.
“Desde a primeira vez que o vi dando aulas eu disse para mim mesma que era aquilo que eu queria ser quando crescer. Eu ficava simplesmente encantada com a forma como ele explicava as matérias para os alunos”, recorda Eliane.
Segundo as filhas, as lições do pai sempre foram passadas aos alunos com muito carinho e dedicação. “Sempre acompanhei o trabalho de meu pai e escolhi ser professora ouvindo dele que ensinar também é aprender diariamente”, finaliza Fidalma.
Padrinho de casamento
E tem até quem convide o professor para ser padrinho de casamento. Esse foi o caso da professora Maria Cecília Moura Carvalho que por admiração pelo primeiro professor, “Seo“ Antônio Jerônimo, convidou-o para ser padrinho de casamento.
“Ele me ensinou a ler e a escrever. Ele foi um ótimo professor. Por ver o seu bom trabalho e o de outras professoras, como minha tia Helena Junqueira Carvalho, é que decidi seguir a profissão”.
Criação da data
A criação do Dia do Professor se deu em virtude de D. Pedro I, no ano de 1827, ter decretado que toda vila, cidade ou lugarejo do Brasil criasse as primeiras escolas primárias do País, que foram chamadas de “Escolas de Primeiras Letras”, através do decreto federal 52.682/63.
Já a ideia de fazer do dia 15 de outubro um feriado surgiu em São Paulo com o professor Salomão Becker, que propôs uma reunião com toda a equipe da escola em que trabalhava para que fossem discutidos os problemas da profissão, planejamento das aulas, trocas de experiências, etc.
Tal reunião foi um sucesso e, por este motivo, outras escolas passaram a adotar a data, até que a mesma se tornou de grande importância para a estrutura escolar brasileira.
Anos depois, a data passou a ser um feriado nacional, dando um dia de descanso a esses dedicados profissionais do ensino.
Fonte: www.brasilescola.com
Sindicato fará hoje manifestação em prol da qualidade do ensino
Se por um lado os professores são lembrados com carinho por sua dedicação e respeito ao magistério, por outro, eles precisam lutar por mais dignidade profissional e melhores condições de trabalho. Hoje, às 10h, o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp), subsede de Bauru, realiza uma panfletagem na rua Batista de Carvalho, esquina com a rua Treze de Maio, com o objetivo de denunciar os problemas vividos pela categoria.
“Queremos mostrar para a comunidade que não temos muito a comemorar por causa do tratamento que recebemos do governo do Estado de São Paulo. Esse diálogo é muito importante porque muita gente não sabe com a realidade é. O governo usa os meios de comunicação para dizer que está tudo bem, mas a verdade não é bem essa”, esclarece a coordenadora da subsede da Apeoesp de Bauru, Idenilde de Almeida Conceição.
De acordo com Conceição, a manifestação chama os profissionais e a comunidade para dar as mãos em prol do ensino de melhor qualidade. Entre os problemas evidenciados pelo Ato do Dia do Professor estão a má valorização da categoria, a violência que afeta diariamente o ambiente escolar, a retirada da autonomia da própria escola e o descaso na hora de contratar professores temporários que, segundo a entrevistada, perderam direitos como o plano de saúde, por exemplo.
Decepção
No Dia dos Professores, a diretora estadual da Apeoesp, Suzi da Silva, destaca que um outro problema da categoria é a desistência das salas de aulas. Segundo a diretora, muitos professores passam em concursos públicos, mas, a decepção pelo salário, a falta de estrutura das escolas e a dificuldade para manter a disciplina na classe estimulam o abandono da carreira. “Já estamos sentindo falta de professores na rede estadual”.