Islamabad - A jovem paquistanesa Malala Yousafzai, 14 anos, baleada na cabeça por talebans no dia 9 de outubro em represália ao seu ativismo pelo direito das mulheres à educação, foi transferida ao Reino Unido para que receba tratamento médico mais adequado.
Ela estava internada em um hospital militar em Rawalpindi, ao sul de Islamabad (Capital do Paquistão).
Malala foi internada na tarde de ontem no hospital público Rainha Elizabeth, na cidade de Birmingham, que possui um centro especializado no tratamento de ferimentos à bala e na cabeça.
Segundo o diretor médico David Rossel, o tratamento da jovem deve durar meses. Ele ressaltou a experiência de sua equipe, acostumada a tratar de militares que foram feridos à bala em combates. Ela tem todas as chances de uma “boa recuperação”, disse.
O ministro de Relações Exteriores do Reino Unido, William Hague, elogiou a valentia de Malala e considerou sua militância um exemplo a ser seguido. No final de semana, milhares de paquistaneses participaram de manifestações em apoio à jovem.
O ex-primeiro-ministro britânico Gordon Brown, hoje enviado especial da ONU pela educação, anunciou uma petição em apoio às causas defendidas por Malala.
“A petição requer que o Paquistão assegure que toda menina tenha a oportunidade de ir à escola”, disse Brown, que entregará o documento ao presidente paquistanês Asif Ali Zardari em uma visita ao país em novembro.
Segurança
Malala ficou conhecida em 2009, quando tinha 11 anos, ao denunciar em um blog da BBC as violências cometidas pelo Taleban no vale do Swar.
Os funcionários do hospital e governo se recusaram a dar detalhes sobre as medidas de segurança que seriam colocadas em prática para proteger Malala, mas um porta-voz do Ministério do Interior disse que a segurança dela era “uma prioridade tanto para o Paquistão como para o Reino Unido”.
Um porta-voz do hospital disse que não há medidas adicionais, mas como a unidade tratou militares britânicos, ela já tinha uma “segurança bastante robusta”.