As quatro mortes registradas na noite de anteontem na rodovia da Amizade em Agudos, somam para as estatísticas que fecham a violência no trânsito durante o feriado prolongado de Nossa Senhora de Aparecida. Segundo levantamento feito pela Polícia Rodoviária Estadual (PRE), durante a operação Padroeira, foram 32 mortes em todo o Estado. Na região de Bauru, ao menos 9 pessoas morreram em acidentes registrados neste mesmo período.
Apesar do alto número de ocorrências em todo o Estado – foram 992 acidentes- a polícia considera que a quantidade de vítimas feridas reduziu de 810 para 493, se comparada ao último feriado prolongado do ano, representado pelo Dia da Independência.
O número de mortes também apresentou queda de 43 para 32, registrando uma diminuição de 25%.
A maioria dos casos de morte ocorreu por conta de choques em obstáculos parados e atropelamentos, que totalizaram 6 mortes do dia 12 ao dia 14 de outubro, a maioria, 83%, ocasionada no período noturno.
Ainda em relação ao número de acidentes que registraram vítimas fatais, mais da metade teria acontecido no período entre as 18h e as 5h59.
O excesso de velocidade foi a principal causa da maior parte das 16 mil autuações em todo o estado. O restante se distribuiu entre ultrapassagem em local proibido, falta de cinto de segurança e por documentação irregular.
Casos
Na noite do feriado, sexta-feira, uma colisão registrada no município de Álvaro de Carvalho, região de Marília (100 quilômetros de Bauru), causou a morte de L.C.A.F. (somente as iniciais foram divulgadas), de 29 anos. O acidente aconteceu por volta das 22h40, na rodovia da Comunidade (SP-349), sentido Júlio de Mesquita.
O motorista de um automóvel Corsa perdeu a direção do veículo, por motivos a serem apurados, e colidiu contra uma árvore além do acostamento. Com o impacto, o condutor morreu no local.
No início da tarde de sábado, uma mulher morreu após o carro em que ela e mais três pessoas estavam cair em um açude, no quilômetro 2 da vicinal Mário Covas, na altura da cidade de Lins (100 quilômetros de Bauru). Na ocasião, A.J.C., 53 anos, não conseguiu se soltar do cinto de segurança e acabou morrendo afogada.
No domingo, um ciclista morreu atropelado por volta das 11h30 quando tentou atravessar a rodovia Alcides Soares, em frente à portaria 2 da Fazenda Lageado, em Botucatu (100 quilômetros de Bauru).
Segundo a Polícia Militar (PM), M.G.B. (somente as iniciais foram divulgadas), 55 anos, teria tentado atravessar a rodovia no momento em que um Fiat Uno trafegava pela pista. Ele foi atropelado e morreu no local. Os dois adultos e a criança que estavam no carro não se feriram.
Ainda no domingo, por volta das 21h, um motociclista morreu após envolver-se em um acidente com um caminhão no quilômetro 170 da rodovia Otávio Pacheco de Almeida Prado (SP-225), no trecho entre Jaú (47 quilômetros de Bauru) e Igaraçu do Tietê.
Na mesma noite, um atropelamento registrado em Pardinho, região de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) matou J.C.C., 49 anos. O fato aconteceu na rodovia Pedro Bosco (SPA-007/209).Segundo os policiais, a vítima foi atingida por um VW/Santana no momento em que tentava atravessar a rodovia.
Quatro vítimas são sepultadas
As quatro pessoas mortas no acidente na Rodovia da Amizade foram enterradas ontem em Agudos e Borebi. Os corpos do condutor do Chevrolet/Kadett Márcio Marciano, 27 anos, e do serviço gerais Adriano Rodrigues dos Santos, 36 anos, foram velados e enterrados em Agudos. Segundo as famílias, os dois rapazes eram amigos de infância e voltavam de uma festa em Borebi quando o acidente aconteceu. Em Borebi foram enterradas as irmãs Sonia Maria Salles Viana e Maria Urdânia Salles Assad, moradoras daquela cidade, também mortas na vicinal de ligação entre Agudos e Borebi.
O acidente aconteceu no início da noite de anteontem em Agudos e além do Kadett, envolveu entre um Mercedes Classe A, prata, com placas de Borebi, no qual as duas mulheres seguiam de volta para casa na companhia do motorista P.O.Q.S., 47 anos, que teve apenas ferimentos leves.
O choque frontal entre os veículos aconteceu por volta do km 2 da vicinal, em um trecho onde a ultrapassagem é proibida e um dos lados da pista não possui acostamento, somente um pequeno barranco.
Ontem de manhã, o JC esteve no local da colisão e ainda era possível observar os rastros da tragédia e os estilhaços na pista.
Segundo a versão apresentada por um motorista que sobreviveu, por motivos desconhecidos, o Kadett teria cruzado a pista segundos antes da colisão. O local passou por perícia técnica e as causas do acidente serão investigadas pela Polícia Civil de Agudos.
Amizade de anos
Sob forte comoção, Anésio dos Santos, 62 anos, pai de Adriano, e Maurício Marciano, 49 anos, pai de Márcio, comentavam ontem pela manhã, no velório dos rapazes, a amizade que os dois possuíam. “Eles eram amigos há muito tempo e adoravam sair juntos para ir a festas e aproveitarem a vida. O Adriano frequentava bastante a minha casa”, conta Maurício.
Segundo Anésio, seu filho trabalhava como serviços gerais em uma fazenda e teria emprestado o carro de um amigo para ele e Márcio irem a um aniversário de um rapaz em Borebi.
“Ele saiu e disse que estaria de volta logo, mas não voltou. As condições daquela pista não são boas, nem acostamento tem. Alguma coisa deve ter acontecido. Algum buraco pode ter atrapalhado e causado essa tragédia toda”, lamenta Anésio.
Márcio Marciano estava desempregado e além do pai, deixa sua mãe Regina de Fátima Marciano, os irmãos Rogério Marciano, Fabrício Marciano, sua filha de apenas quatro anos, Aniele Fernanda Marciano, e sua namorada Patrícia Fernanda Cardoso.
Já Adriano, deixa seu pai, sua mãe, Irene Carmo dos Santos, 65 anos, seus irmãos, Nilza dos Santos, Neuza dos Santos, Marcos dos Santos, Marcelo dos Santos, Willian dos Santos, Reginaldo dos Santos e sua namorada Natália Neves da Silva.
Os corpos dos dois rapazes foram velados no Terra Branca e o enterro aconteceu ao final da tarde no Cemitério Municipal de Agudos. Já os corpos das duas mulheres foram velados e depois enterrados no Cemitério Municipal de Borebi.
Casamento interrompido
Abaladas com a tragédia, as namoradas de Márcio e Adriano contam que eles faziam planos de casarem-se nos próximos anos.
“Ele já tinha comprado até o nosso jogo de quarto. Vivia dizendo que iríamos nos casar logo”, revela Natália Neves da Silva, 17 anos, namorada de Adriano há 5 anos, sendo consolada por sua mãe. “Ele era como um filho. Um rapaz trabalhador e super brincalhão. Vai deixar um buraco em nós”, completa Cleide Teixeira de Souza.
Já a namorada de Márcio, Patrícia Fernanda Cardoso, conta que falou com ele pela última vez às 13h30. “Ele me ligou avisando que estava lá no aniversário, que só tinha homens, e que voltaria logo. Dizia para todos que iria casar comigo”, lamentava a jovem.
Trecho perigoso
Há menos de seis meses um dos rapazes morto na colisão de domingo já tinha sofrido outro acidente na mesma rodovia, porém em um trecho mais à frente, conta familiares. “Um carro cortou a frente dele, mas o acidente foi leve. O Gol ainda está batido na garagem de casa, não dá para acreditar que isso aconteceu de novo”, frisa Maurício Marciano contando que o filho saiu de casa por volta das 11h dizendo que se encontraria com amigos para dar uma volta. “Aquela, é uma pista simples e perigosa. Vários acidentes já aconteceram por lá. Precisa ser melhorada ou duplicada”, completa Maurício também reclamando das condições da vicinal.