Articulistas

Educação para um formigueiro humano

Joaquim Eliseo Mendes
| Tempo de leitura: 4 min

Há certos artigos que não saem de nossa cabeça e com os quais ficamos encucados, como se diz na gíria, mesmo que um razoável tempo já tenha decorrido após sua publicação, em virtude das colocações, ideias e argumentos expostos pelo articulista, levando-nos a um turbilhão de pensamentos e até mesmo trazendo para nós problemas ou questionamentos que, ao mesmo tempo, não e são nossos. Se para alguns leitores não foi significativo o artigo intitulado "Casa apertada", publicado em uma edição do Segunda-Feira do JC, de autoria de um ilustre jornalista do mesmo, comigo foi diferente, pois tem-me provocado um redemoinho de expectativas e apreensões, e, sinceramente, não acredito que alguém que o tenha lido não venha a meditar e se preocupar com o futuro das novas gerações em que estarão inseridas nossos filhos, netos e demais descendentes.

É necessário que se pondere profundamente sobre as heranças que estaremos deixando para o futuro. Para a redação do artigo, o perspicaz e observador jornalista inspirou-se no Dia Mundial da População (11 de julho), instituído pela ONU, que divulgou relatório contendo consistentes dados informativos populacionais, os quais o articulista do referido artigo à afirmação de que a "nave-mãe terra que está superlotada e a cada estação acolhe novos passageiros". Segundo dados apresentados pelo relatório oficial em que se inspirou, a população do planeta terra, nossa casa, em 1804 era de 1 bilhão de pessoas; em 1927 já somava 2 bilhões e, segundo projeção feita pela divisão de estudos populacionais da ONU, a cada 12 anos o aumento é de 1 bilhão. Agora somos 7 bilhões, morando bem ou mal na mesma casa, isto é, no mesmo planeta terra e é bom que se lembre, sem nenhuma opção de mudança. Seguindo-se a projeção populacional proporcional estimada pela ONU de aumento de 1 bilhão de pessoas a cada período de 12 anos, mesmo com as notícias positivas de diminuição do número de 6 para 3 filhos das mulheres de regiões menos favorecidas economicamente, no ano de 2048, após decorrerem mais 3 períodos de 12 anos a população mundial estará girando em torno de 10 bilhões de pessoas. Esta projeção levou-me a pensar em dois inapeláveis e intransferíveis problemas paralelos do futuro ? quando a humanidade será um verdadeiro formigueiro humano: a produção descontrolada de lixo pelo próprio homem e a produção automotiva crescente de carros, caminhões, aviões, motos, bicicletas e outros veículos que ainda surgirão. Razões para profundas indagações: primeira, afinal, onde caberá todo o lixo produzido pelo homem? Será destinado aos oceanos, ao espaço sideral, enterrado ou ficará no próprio planeta tomando o seu espaço disponível fazendo-o viver e conviver em uma "casa apertada". Hoje já é sentido vilão do próprio homem! O segundo ponto que me leva a um questionamento diz respeito à futura convivência do homem com a produção industrial, mais, especificamente com a automotiva que, devido aos incentivos fiscais e facilidades de compras pelas classes sociais emergentes, a cada ano as frotas mais aumentam, fato que já estamos testemunhando no trânsito e principalmente nos estacionamentos dos nossos veículos. Convenhamos, muitos não estão preparados e educados para terem veículos. Se em Bauru já está difícil transitar em momentos de pico e estacionar, pensemos de hoje a 10 anos e não em 2048, ano referencial que estabeleci no início. Impossível a reestruturação das vias públicas e estradas na mesma velocidade e dimensão da produção automotiva. Caro amigo leitor, pense em quantos carros e motos existirão proporcionalmente a uma população mundial de 10 bilhões de seres humanos? Imagine como será o trânsito e a segurança dos pedestres nas cidades médias, grandes e megalópoles, o tráfego e os acidentes nas estradas.

Muito embora muitos possam achar de que há muito exagero e pessimismo em meus cálculos e previsões e de que ainda falta muito tempo, aceito as críticas, lembrando porém de que o futuro já está aí. Após todas estas despretensiosas informações e ponderações eu concluo com todo respeito a outras alternativas que existam e devam ser tomadas pelos governos que lideram e administram as sociedades de seus países, de que a primeira e única será educar o homem preparando-o para mudança da conduta no presente e para a convivência sem traumas no futuro. Porém, consciência, mudança e respeito do homem pelo próprio homem somente serão conseguidos através de uma educação social que deva começar em casa, continuar na escola, ser desenvolvida e incentivada pela mídia sob a responsabilidade dos governos que existem para o precípuo direito e fim de educar para preservar. Da trilogia, Educação-Lei-Autoridade, que se dê destaque à educação!

ProfessorJoaquim Eliseo Mendes ? membro efetivo da ABL

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