Polícia

Autor de estupro e morte pega 20 anos

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Um crime que abalou Bauru há pouco mais de dois anos teve, finalmente, um desfecho ontem. Após longo julgamento, Anderson Luís Marquesi, 31 anos, foi considerado culpado por estuprar e depois matar Jéssica Amaro Luiz, em 2010. A pena total atribuída foi de 20 anos em regime fechado. Na época do crime, a vítima, que tinha 19 anos, teve a cabeça esmagada por um bloco de concreto.

O corpo de Jéssica foi encontrado no chão de um trecho de terra em uma quadra sem número da rua Newton Prado, na Vila Independência. Ela estava sem nenhuma vestimenta da cintura para baixo e com ferimentos profundos na cabeça causados por uma pancada desferida com um pedaço de concreto pesando aproximadamente 20 quilos.

Após seis dias de investigação, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) apontou Anderson Marquesi como autor do crime. O inquérito foi conduzido pelo delegado adjunto da especializada na época, Paulo Calil. Na ocasião, o acusado chegou a confessar o homicídio e disse que foi porque ela não quis beijá-lo. Em depoimento, porém, ele negou o estupro.

Ontem, dois anos depois, mudou a versão e se disse inocente nos dois crimes. No julgamento, argumentou que confessou o assassinato sob coação. A defesa, porém, mostrava-se até satisfeita com a condenação de homicídio e bem mais concentrada em conseguir desclassificar o crime de estupro.

Para tanto, o defensor Fábio Vergínio Burian Celarino apontou a falta de lesões que comprovariam a violência do seu cliente e ainda aventou a possibilidade de ter havido uma relação consensual. O laudo atestando que não fora encontrado esperma na vítima também fez parte da tese de defesa.

A promotoria, porém, rebateu que tal laudo pouco importava. A acusação sustentou que, apesar de não ter havido a conjunção carnal, houve o estupro. “O estupro se configurou por ele ter dado beijos lascivos nos seios e na vagina da vítima. Tudo sem o consentimento dela. Pela nova lei, isso já é estupro”, apontou o promotor criminal João Henrique Ferreira.

 

Pena

O julgamento durou cerca de nove horas. Com quatro votos, o júri considerou o acusado culpado tanto no crime de homicídio quanto no de estupro. Como a condenação necessita apenas da maioria, não são divulgados se os três outros votos restantes condenavam ou absolviam Anderson Marquesi.

O juiz Benedito Antônio Okuno definiu a pena total em 20 anos. 12 foram pelo homicídio qualificado. Como havia outra qualificação - o crime de assassinato para encobrir o estupro -, foram acrescidos mais dois anos. Pelo estupro propriamente dito, a condenação foi de seis anos.

Como os crimes são considerados hediondos, a pena deve ser cumprida em regime fechado. A defesa pode recorrer, porém, o advogado Fábio Celarino não quis se pronunciar.

Durante sua tréplica no julgamento, ele já adiantou que “não fala com a imprensa”. Ao fim, ele confirmou a “promessa” e saiu sem dar entrevistas.

 

‘Justiça de Deus’

Nenhum familiar da jovem Jéssica Amaro Luiz esteve presente no julgamento. Já a família do acusado Anderson Luís Marquesi compareceu em grande número. Visivelmente abalados, a maioria chorou bastante.

Ao fim do júri popular, a esperança de uma reviravolta praticamente acabou. Os familiares saíram e, de forma irônica, ainda deram parabéns aos jurados. “Parabéns pela injustiça que vocês fizeram”. Uma senhora chegou a clamar pela justiça divina. “A Justiça de Deus é bem maior que essa aqui”. 

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