Damasco - O Ministério das Relações Exteriores sírio disse que as últimas sanções impostas ao país pela União Europeia (UE) representam um respaldo à oposição armada, chamada de “grupos terroristas” pelo regime de Bashar Assad. O ministério também afirmou que as sanções são uma demonstração da mentalidade colonialista dos europeus.
Na segunda, a UE incluiu todos os ministros do governo sírio em sua “lista negra”, que veta a entrada deles em território europeu e congela seus bens na Europa.
Para a Síria, as medidas são “um elo a mais no respaldo político e material que alguns países europeus oferecem aos grupos terroristas e àqueles setores que querem prolongar a crise”.
Repressão
No total, o conjunto de sanções inclui 28 pessoas e duas empresas, punidas por comercializar produtos que podem ser utilizados para a repressão contra os insurgentes. Os rebeldes lutam há 19 meses para remover o ditador Assad do poder.
Cessar-fogo
O governo da Síria disse ontem que o cessar-fogo proposto pelo enviado internacional da ONU, Lakhdar Brahimi, falhará porque os rebeldes que tentam remover Bashar Assad do poder não têm uma liderança organizada para respeitar o acordo.
Brahimi pediu ajuda a autoridades da região para negociar uma trégua na Síria durante o feriado muçulmano de Eid ul Adha, no final de outubro. No período, os islâmicos lembram o sacrifício do profeta Abraão, que matou o filho Ismail conforme a vontade de Deus. A festa dura quatro dias e precede a peregrinação a Meca, ponto alto do islamismo.
Entretanto, o jornal estatal “Al-Thawra” anunciou em sua edição de ontem que os rebeldes não estão suficientemente organizados para fazer com que todos respeitem o cessar-fogo do feriado.
“De um lado, há o Estado, representado pelo governo e pelo Exército, mas e do outro lado, quem está?”, perguntou o jornal em seu editorial.
Outros acordos de trégua anteriores já foram desrespeitados pelos dois lados do confronto. No caso da atual proposta, o governo sírio demonstrou interesse em acatá-la anteontem, desde que os rebeldes e os países que os apoiam também o fizessem.
Rebeldes questionam
Os rebeldes do Exército Livre Sírio, principal grupo armado da oposição, disseram ontem duvidar que o regime de Bashar Assad respeitará um cessar-fogo durante a festa de Eid al Adha, que começa na próxima semana.
A proposta foi feita pelo enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) ao país, Lakdhar Brahimi, na segunda e pretende fixar uma trégua durante os quatro dias da festa, que relembra o pedido de Deus ao profeta Abraão para matar o filho Isaac.
O porta-voz da força armada rebelde, Malek Kurdi, disse à agência de notícias Efe que não recebeu nenhuma comunicação de Brahimi, de modo que o grupo não deu nenhuma resposta sobre a trégua.
Presidente do Irã apoia proposta de cessar-fogo
Teerã - O Irã apoia a ideia de um cessar-fogo na Síria durante um feriado islâmico na próxima semana e acredita que eleições livres são o caminho certo para ajudar a resolver o conflito de 19 meses, disse o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, de acordo com a agência de notícias estatal Irna.
O mediador internacional sobre a Síria, Lakhdar Brahimi, propôs que as forças do presidente sírio, Bashar al-Assad, e os combatentes rebeldes que buscam sua derrubada interrompam o combate durante o festival Eid al Adha, que começa na próxima semana.
Brahimi apelou aos líderes do Irã, o mais forte aliado regional de Assad, para apoiar a ideia. Ahmadinejad disse ontem que tinha feito a mesma proposta durante as negociações desta semana com o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan.