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Cresce união informal entre casais

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Há cerca de um ano e meio, a secretária Jamylle Prieto, 34 anos, decidiu “juntar as escovas” com o namorado, o gerente de loja André Luís Rimundini, 38 anos, com quem se relaciona há seis anos. Sem a pressão familiar para oficializar a união, mas ainda com o desejo de, num futuro não muito distante, sacramentar o casamento, Jamylle faz parte de um perfil cada vez mais comum em Bauru.

Dados do Censo 2010, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que as chamadas relações consensuais ganharam espaço entre os casais que decidem viver juntos, em detrimento das uniões convencionais (leia mais na página 22). Em Bauru, o casamento informal já é a opção de um a cada quatro casais. Ao todo, 25,5% das relações conjugais estão nesta condição, ante as 22,1% registrados em 2000.

Já o número de casamentos oficializados na igreja e lavrados em cartório caiu de 59,5% para 55,9% em dez anos, embora ainda represente a maioria das uniões conjugais. Um dado revelador sobre esta mudança de comportamento é que grande parte dos casais que vivem sob o mesmo teto sem registro civil ou bênção no altar se concentra na faixa de 25 a 35 anos.

Entre 35 e 55 anos, o volume de parceiros unidos formalmente cresce de maneira significativa. Uma explicação para o fenômeno é o exemplo de Jamylle, que decidiu fazer um “test drive” com o companheiro antes de casar-se no papel. “Decidimos comprar nossa casa (no Jardim Flórida), que ainda estamos pagando, e morar juntos para viver a experiência de um casamento, que é totalmente diferente de um namoro. Está dando super certo e nossa intenção é oficializar a união, só não sabemos quando”, argumenta ela, que tem uma irmã de 30 anos que também mora com o namorado.

A escolha feita por Jamylle e André tem se tornado cada vez mais comum em uma sociedade que se libertou de alguns tabus sexuais, mas que, por outro lado, ainda se mantém atrelada às convenções, conforme explica a psicóloga e terapeuta de casais Maria Regina Corrêa Lopes Vanin.

“A sociedade se tornou mais permissiva e a cobrança familiar para regularizar uma união já não é tão grande como antigamente. Mas, em contrapartida, as pessoas ainda desejam se casar dentro dos padrões tradicionais”, pondera.

 

Força da tradição

Uma prova de que o casamento convencional ainda mantém sua força é a enorme fila de espera para agendar serviços de buffet e celebrações nas igrejas da cidade. Um das mais concorridas, o Santuário Nossa Senhora de Fátima, por exemplo, já possui matrimônios marcados até 2014. E, para 2013, 90% da agenda já foi preenchida, com praticamente todos os finais de semana comprometidos.

“Hoje, existe toda uma indústria em torno do casamento, buffets que fazem festas espetaculares, cerimonialistas que fazem todo o trabalho de organização. E esta indústria é uma resposta a uma demanda, talvez até consumista, que existe”, analisa a psicóloga.

Jamylle diz não ter o sonho de casar-se com toda pompa, de véu e grinalda, mas deseja realizar ao menos uma festa íntima para familiares e amigos, além de obter o registro civil para assegurar direitos do casal.

“Sem a certidão, fica mais difícil ter acesso a algumas garantias legais. Penso em casar apenas no cartório, mas, como minha mãe é muito católica, não descarto totalmente a ideia de casar na igreja. Quem sabe, não é mesmo?”, cogita.

 

‘Casamento sem papel’ prevalece nas classes mais baixas

Outro dado curioso é que a união informal prevalece entre casais de classes sociais menos abastadas. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 50,6% dos parceiros com rendimento mensal de até meio salário mínimo vivam sob o mesmo teto sem registro civil ou bênção no altar. Apenas 33,3% haviam sacramentado o casamento na igreja e no cartório.

Já entre os casais com rendimento mensal de cinco a dez salários mínimos, 61,4% estavam formalmente casados, ante os 21,3% que optaram por uma vida conjugal informal. “As classes com menor renda acabam não fazendo tanta questão desta formalização, até porque casar na igreja e no papel custa dinheiro. Quem pode gastar, até por um aspecto consumista mesmo, acaba dando maior importância para as cerimônias”, frisa a psicóloga e terapeuta de casais Maria Regina Corrêa Lopes Vanin. 

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