Esportes

Noroeste: Duas chapas

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 5 min

Após a inscrição da chapa encabeçada por Elias Brandão, anteontem, as eleições para a diretoria executiva do Noroeste ganharam outros concorrentes, ontem, com a inscrição da chapa “Sangue Novo”, que tem como candidato a presidente Álvaro Pedroso e vice-presidente, João Carlos Amâncio Franco. As eleições estão confirmadas para amanhã, às 10h, na sede do clube. O novo presidente será eleito pelo Conselho Deliberativo alvirrubro e outras chapas ainda podem ser inscritas até a data do pleito.

As duas chapas inscritas até o momento apresentam propostas distintas. Enquanto Pedroso, empresário que vive em São Paulo, acena com o financiamento do futebol do clube por empresários, que trariam jogadores e se responsabilizariam pelos salários dos atletas, numa espécie de terceirização do futebol alvirrubro com o aluguel do espaço, ou com a vinda de empresas para financiar as despesas, Brandão pretende viabilizar recursos locais, busca apoio de empresários de Bauru e confia em obter receita com shows de grandes nomes da música brasileira no Estádio Alfredo de Castilho e com a locação do espaço para eventos.

 

‘Eu manjo de futebol, modéstia à parte’

Em entrevista ao site Jornada Esportiva, ontem à noite, Pedroso adiantou algumas providências e diretrizes de uma possível administração no Noroeste. Com um discurso de especialista em futebol, Pedroso mostra confiança em montar uma equipe competitiva com orçamento baixo. “Futebol, você não tem que gostar, tem que entender. Você pode gostar e montar estes times que os caras montaram aí. O que acontece?”, questiona. “Eu conheço. Montar time não é o problema. Montamos time bom e com salário razoável, nada de pagar fortuna a jogador”, diagnostica.

O candidato à presidência acredita em uma equipe competitiva com gastos bem menores do que os atuais. “No mínimo, para fazer um time bom para subir, é R$ 150 mil. Mas sabemos onde buscar jogadores bons com valores pequenos. Temos conhecimento de vários empresários que podem colocar jogadores aqui e pagar os salários. Tem muito jogador bom desempregado”, aponta Pedroso. A aposta em atletas locais é outra opção. “Tenho certeza que em Bauru, no meio da sociedade, tem excelentes jogadores. Agora, eles vão ter oportunidade”, acrescenta o candidato.

A atenção ao departamento de futebol alvirrubro será ponto de honra de Pedroso, se eleito. O candidato espera apoio da cidade. “Vamos fazer um trabalho com profissionais de imprensa e empresários para ver que tipo de jogadores podemos contratar. Não vou contratar nenhum ex-jogador para comandar o departamento de futebol. Vai ter uma supervisão no futebol especial minha, porque eu entendo de futebol, eu manjo de futebol, modéstia à parte. Se existem duas coisas que eu entendo são vendas e futebol. As portas do Noroeste vão estar abertas a todo mundo, queremos Bauru inteira trabalhando conosco. Quem quiser se apresentar, que se apresente para colaborar. Mas o futebol vai ter a supervisão direta minha, isso eu faço questão”, pontua.

Pedroso entende que o marketing será ponto fundamental para a sustentabilidade do Norusca na era pós-Damião. “A propaganda é o segredo do negócio”, entende.

A chapa “Sangue Novo” também cogita parceria com uma empresa de eventos para maximizar a utilização do Alfredo de Castilho e entende que o clube não pode abrir mão do espaço, descartando qualquer possibilidade de repassá-lo à Prefeitura Municipal. “O Alfredão é viável e vamos estudar uma forma de alavancar o estádio”, salienta o candidato a vice, João Carlos Amâncio Franco.

 

‘Vou fazer shows monstruosos no estádio’

A chapa encabeçada por Elias Brandão causou polêmica na cidade, até mesmo entre os próprios integrantes, muitos deles inseridos na composição da possível diretoria sem serem consultados. Padre Beto, que consta como vice-presidente, procurou o Jornal da Cidade para expressar sua surpresa com a notícia, e afirmou que não tem interesse em assumir o cargo. Carlos Alexandre de Carvalho, inscrito para o cargo de diretor social também soube da indicação de seu nome pelo JC. “Foi uma surpresa. Temos o movimento Resgate Bauru e nosso objetivo é voltado para a sociedade e não para a parte esportiva, que tem gente que é mais habilitado”, resume.

Brandão argumenta que protocolou a inscrição como convite aos componentes. “Não tem problema. Só fica valendo quando tiver a assinatura de todos, sábado (amanhã). Quem não quiser, vai ser trocado automaticamente. Fica como convite, aquele que falar que não quer, eu vou trocar. Ninguém é obrigado a fazer nada forçado, fiz o convite e oficializei. Não posso ser punido criminalmente por um convite que fiz para as pessoas para que o Noroeste não feche as portas”, defende-se.

O candidato ressalta que sentiu obrigação de agir para que o clube fique nas mãos de pessoas da cidade. “Trata-se do Esporte Clube Noroeste e o bauruense está deixando vir uma chapa de São Paulo, que não diz nada com nada. Uma pessoa que vai ficar em São Paulo e vai administrar o Noroeste e o Estádio Alfredo de Castilho. Eu moro em Bauru e estou fazendo o papel que o povo de Bauru deveria assumir. Estou fazendo o papel de um bauruense e assumindo um compromisso muito sério. O Noroeste é o time que representa Bauru e região e deixo o convite aos empresários para que participem”, conclama.

Brandão reitera que buscará recursos usando o espaço do Complexo Alfredo de Castilho. “O novo presidente precisa saber o que quer para o clube. Precisa ter dinheiro e seria melhor um empresário com faturamento bancar. Mas, no meu projeto, de onde virá o dinheiro? Vou fazer shows monstruosos no estádio do Noroeste a cada 15 dias, trazer Zezé di Camargo e Luciano, Paula Fernandes, esses cantores famosos, e também alugar o estádio para igrejas e fazer o (título de capitalização) Noroestecap. Preciso, logicamente, de apoio. Espero que apareçam empresários que componham minha chapa”, torce o candidato, que questiona o posicionamento da chapa adversária. “Não sabemos de onde viria o dinheiro da outra chapa para investir no Noroeste. Eu estou clamando aos empresários que apresentem a terceira chapa ou observem meu nome e procurem fazer um contato comigo. Meu objetivo é entrar com o pensamento de ter o faturamento de R$ 400 mil por mês para pagar as dívidas”, conclui.

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