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Nosso trânsito e nossa saúde

Said Yusuf Abu Lawi
| Tempo de leitura: 3 min

O assunto do momento na "Sem Limites" é a mobilidade social e inserido nesse contexto temos a questão do trânsito que, cá entre nós, está dando "pano para manga". Tenho acompanhado atentamente pelo JC algumas propostas para minimizar os impactos gerados no trânsito de nossa cidade em face do aumento do número de veículos em circulação e da ausência de um sistema viário que comporte o crescente volume de tráfego. Quero destacar a relação existente entre esse trânsito volumoso de veículos e a saúde dos motoristas bauruenses cujos efeitos ainda não foram muito bem mensurados, mas que, com certeza, será alvo de muitas pesquisas em nossas Universidades nos próximos anos. No que tange ao escoamento do volume de tráfego uma das soluções podem ser as chamadas "vias rápidas" para interligar as principais regiões de nossa cidade, conceito este já utilizado em muitas cidades de médio e grande porte no país.

Artérias como Azarias Leite, 13 de Maio, Gustavo Maciel e Araújo Leite poderiam ser transformadas em "vias rápidas" com um custo bem acessível para os cofres municipais. Quatro "vias rápidas" interligando as regiões Norte e Sul, vias com quatro pistas de rolamento para veículos com faixas separadas com os chamados "olho de gato", sem estacionamento, velocidade de 60 km por hora controlada por radares e com semáforos sincronizados nos principais cruzamentos. Assim a Azarias Leite teria sua mão invertida interligando o Viaduto JK até a Avenida Comendador da Silva Martha ao passo que a 13 de Maio faria a ligação entre além desta avenida e o Viaduto João Simonetti. O mesmo poderia ser feito com a Araújo Leite que faria a interligação da Avenida Nuno de Assim com o Aeroporto ao passo que a Gustavo Maciel seria a responsável pelo escoamento do tráfego entre a Avenida Getúlio Vargas e o centro da cidade. São alguns exemplos de vias de escoamento rápidas, mas outras também poderão servir a tal propósito além das propostas para a região central da cidade.

Tal conceito também poderia ser aplicado nas Avenidas Rodrigues Alves e Duque de Caxias com a finalidade de propiciar a interligação Leste/Oeste na cidade. Removendo-se as antiquadas "tartarugas" da Avenida Duque de Caxias ela passaria a ter "mão única" interligando o Parque das Camélias/Flamboyant a região da Vila Falcão com três pistas de rolamento para autos e uma faixa exclusiva para ônibus. O mesmo para as Avenidas Pedro de Toledo/Rodrigues Alves que seriam as responsáveis pela interligação entre a Vila Falcão e o trevo do Jardim Redentor no Distrito Industrial, também com mão única, sem os "feiosos" canteiros na região central, mantendo-os a partir do cruzamento com a Avenida Nações Unidas em diante, com três pistas de rolamento para autos e uma exclusiva para ônibus.

Aliado a esse conceito também se faz necessário "transformar" o transporte coletivo urbano com o intuito de atrair boa parcela da população a sua utilização e, quiçá, a custo "zero" para o contribuinte como já o faz municípios vizinhos como Agudos e Piratininga, guardadas as devidas proporções. Coaduno com a opinião do vereador Roque Ferreira que, em entrevista recente à TV Câmara, apregoou que tal qual a saúde e a educação são custeadas com o dinheiro dos nossos impostos o mesmo deveria ocorrer com o transporte coletivo, disponibilizando-o assim para toda a população e universalizando seu uso. O que irrita os motoristas bauruenses é a falta de fluxo no trânsito e essa irritação já está custando muito caro aos cofres públicos haja vista o elevado índice de acidentes com vítimas, mas poderão custar ainda mais à nossa tão criticada saúde pública se investimentos em melhorias no trânsito, intelectuais e materiais, não forem consubstanciados urgentemente. Em tempo: há soluções!

O autor, professor Said Yusuf Abu Lawi, é doutorando em Saúde Coletiva pela USP, mestre em Planejamento Urbano e Regional pela Unesp, diretor do Instituto de Ensino Superior de Bauru e jornalista profissional

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