Partido do prefeito Rodrigo Agostinho, o PMDB de Bauru realiza sua convenção hoje, 9h, para eleger o diretório municipal. Atualmente, a sigla é comandada pelo vereador reeleito Renato Purini (PMDB), que preside a comissão provisória, instituída em junho do ano passado pelo diretório estadual peemedebista. Tudo indica que o mandatário siga à frente da legenda, sem concorrência com outras chapas. O fato de a convenção ter sido pouco comentada reflete o resultado das urnas, nas quais o partido se fortaleceu.
O PMDB saiu maior da eleição municipal deste ano, com a reeleição esmagadora de Rodrigo no primeiro turno, quatro cadeiras na Câmara Municipal e quase 10 mil votos de legenda, motivados pelo bom desempenho da campanha majoritária. A expectativa era de que a convenção para formalizar o comando do partido no município tivesse pompas e ampla divulgação.
No entanto, o próprio prefeito admite que soube da convenção apenas esta semana, após uma conversa com Renato Purini, na terça-feira. O discurso é de consenso e entendimento entre as lideranças, em razão, principalmente do fato de que um novo período de governo se inicia e não haveria motivos para grandes divergências.
Apesar da negativa de Rodrigo, comenta-se que o chefe do Executivo teria se envolvido na discussão para indicar nomes de sua confiança, além do ex-presidente Alex Gasparini, candidato a vereador derrotado, desafeto de Purini e presidente do PMDB de Bauru antes da intervenção estadual. “Passei dois dias em Brasília. Nós vamos conversar ainda hoje [ontem] para discutir alguns detalhes, mas não houve isso”, disse Rodrigo.
Renato também nega o que chama de ‘boatos’ e diz que ele próprio encontrou com Alex e o convidou para integrar o diretório e a Executiva do PMDB municipal.
No olho do furacão
A justificativa para a rapidez na convocação da convenção está na ponta da língua de Renato Purini. Ele explica que o partido recebeu comunicado do diretório estadual informando que a data-limite para a realização do ato seria hoje, 20 de outubro. No entanto, este documento teria sido emitido de São Paulo no dia 1 deste mês, menos de uma semana antes da eleição.
“A gente estava no meio do processo. Não tinha como conciliar uma coisa com a outra. Mas assim que tudo acabou, começamos a convocar os militantes porque eles precisam comparecer para votar”, argumenta o vereador. Ao todo o PMDB tem 1.900 filiados com direito a voto, sendo o quórum mínimo de 123 para que a convenção de hoje seja validada.
Diretório
Renato Purini informou que precisam ser eleitos 45 membros do diretório, além de 15 suplentes. Entre eles, 15 vão assumir os postos de delegados do PMDB e cinco vão compor o Conselho de Ética do partido. A principal ‘disputa’, porém, será a composição da Executiva, formada por nove membros.
Por enquanto, o martelo está batido apenas para a manutenção de Purini na presidência. Os outros cargos, incluindo vice, secretários e tesoureiro, deverão ser escolhidos somente hoje. O vereador, no entanto, acredita no consenso.
É certo também que o prefeito e secretários municipais filiados ao PMDB ficarão de fora dela, por exigência do estatuto do partido, segundo Purini.
Compõem a comissão provisória, vigente até hoje, a secretária de Educação Vera Casério, o ex-deputado Roberto Purini, Alex Gasparini, além do presidente e de Rodrigo Agostinho.
Data limite
Apesar da pressa, o prazo para que os diretórios municipais do PMDB realizem suas convenções é só no dia 25 de novembro. Purini alega, porém, que a implicação está no vencimento da comissão provisória vigente. “Amanhã [hoje] é a data limite. Ela tem validade de 90 dias e pode ser renovada. Isso já aconteceu. Depois, o Amauri [Roma] assumiu por mais 90 e eu, novamente, por mais dois prazos de 90 dias. Agora não dá mais”.
Informado sobre a possível irritação de Rodrigo Agostinho, o vereador diz desconhecer. “Quem ficou de mau humor fui eu. Eu era quem mais queria que isso fosse feito com mais tempo, mas pior mesmo seria deixar o PMDB sem comando”, minimiza.
Purini, que deve ser reeleito neste sábado, diz que tentou – sem sucesso - postergar o prazo junto ao mandatário estadual da sigla, Baleia Rossi (PMDB).