Areiópolis – Acidente ocorrido no final de semana em Areiópolis (69 quilômetros de Bauru), região de Botucatu, expôs o drama de quem depende do serviço público de saúde. Atingida por uma TV de tubo de 29 polegadas, uma menina de 2 anos e 3 meses não conseguiu ser atendida no Pronto-Socorro (PS) local e acabou morrendo do Hospital das Clínicas (HC) de Botucatu. Familiares da criança alegam que não havia médico de plantão na unidade e que a demora de cerca de 40 minutos no atendimento pode ter contribuído para a sua morte.
O acidente ocorreu no sábado, por volta das 19h. O operador de máquinas Vanderbergue Bulhões de Oliveira, 30 anos, conta que a filha Núbia Godoy de Oliveira estava assistindo televisão com a mãe, no quarto do casal, quando levantou-se da cama para pegar um copo de água. Por acidente, a menina acabou esbarrando no móvel onde estava a televisão e o aparelho de 30 quilos caiu sobre ela, atingindo sua cabeça.
“Eu já peguei ela no colo e saí gritando pela rua e aí veio um rapaz com um carro e já me levou para o hospital. Aí eu cheguei lá e não tinha médico”, conta. Segundo Vanderbergue, a informação sobre a falta de médico plantonista no PS teria sido dada pela enfermeira da unidade. Ele alega ainda que ela recusou-se a avaliar o estado de saúde de sua filha e o orientou a levá-la até o PS de São Manuel.
O vizinho que ajudou a socorrer Núbia deixou ela e seus pais na saída da cidade, onde está instalado o posto do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). De lá, ela foi socorrida pela ambulância, onde estava apenas a enfermeira, até as proximidades da praça de pedágio de Botucatu. No local, de acordo com Vanderbergue, a criança foi transferida para uma viatura de suporte avançado, vinda de Botucatu, onde havia uma médica.
Ele alega que Núbia demorou cerca de 40 minutos para receber os primeiros atendimentos e que, na viatura do Samu, teve várias paradas cardiorrespiratórias e foi reanimada pela médica. Segundo o HC, a menina deu entrada na unidade às 20h21. “A equipe médica realizou todos os procedimentos necessários para o atendimento de emergência, mas a mesma, infelizmente, acabou não resistindo aos ferimentos, evoluindo a óbito no dia 21 de outubro, à 0h02”, informa.
Vanderbergue criticou a falta de médico de plantão no PS de Areiópolis e disse que, se o profissional estivesse no local, a sua filha teria alguma chance de sobreviver. “Eu não posso dizer que ela poderia ter sido salva, mas posso dizer que poderia ter ajudado bem”, afirma. “Eu não estou querendo culpar o médico, mas eu acho que médico é essencial numa cidade de 12 mil, 13 mil habitantes”.
A ocorrência, registrada como morte suspeita no plantão policial de Botucatu, será investigada pela delegacia de polícia de Areiópolis. Ontem, a Polícia Civil informou que a criança passou por exame necroscópico no Instituto Médico Legal (IML) de Botucatu e que a Polícia Científica realizou perícia na residência onde ocorreu o acidente. O JC telefonou várias vezes para o diretor de saúde de Areiópolis, Paulo Godoy, mas ele não atendeu as ligações.