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“As crianças são mais suscetíveis à doença por terem menor noção de higiene se comparadas aos adultos”, diz a médica Maria Helena Abreu |
A notícia de um possível surto de meningite causou certo alarme nos bauruenses ontem. Três novos casos foram confirmados pelo hospital em que os pacientes estão internados, o que provocou até ausência em massa em um colégio. Apesar de ainda não se configurar como um surto, 2012 serve de alerta. Até agora, o município teve 27% de casos a mais da doença do que em 2011 inteiro. Duas suspeitas ainda estão em investigação.
As internações foram registradas no Hospital Unimed entre a última quinta-feira e ontem. Ao todo, seis pessoas foram internadas. As idades não foram divulgadas. Em nota emitida pela assessoria de comunicação da instituição, a meningite foi descartada em um dos casos.
Do restante, a gerente de Enfermagem da Unimed, Ediana Melchiades, afirma que três possuem confirmação de diagnóstico de meningite viral, e dois ainda aguardam o resultado.
Todos os casos, conforme protocolo, foram notificados à Vigilância Epidemiológica. Até o fim da tarde de ontem, porém, o município afirmava que os seis casos ainda estavam em investigação.
Três desses pacientes são estudantes do Colégio São José, conforme a própria escola confirmou em nota emitida aos pais e à reportagem do JC. Um caso seria de meningite viral e outros dois, já confirmados, ainda estariam em investigação para saber se são a forma bacteriana da doença.
“Hoje (ontem), muitos alunos faltaram. Cerca de 50% não vieram. Porém, fomos à Unimed e à Comissão de Controle de Infecções. Estamos seguindo todas as informações passadas pelos órgãos responsáveis”, garante o diretor da escola, Valter dos Santos Xavier.
O fato gerou repercussão entre os pais dos alunos, que se manifestaram por meio de uma rede social na internet. Eles questionavam o porquê da não suspensão das aulas. “Estamos seguindo o protocolo que nos foi passado. A vigilância disse que não há necessidade de suspender as aulas. Distribuímos garrafas de água para as crianças não usarem o bebedouro”, destaca o diretor, complementando ainda que pesquisou junto à Beneficência Portuguesa e ao Hospital Estadual (HE) e não há nenhum aluno do colégio internado nas instituições.
Aumento
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Divisão de Vigilância Epidemiológica, informou que não foi caracterizada nenhuma situação de surto de meningite. Porém, as pessoas precisam se prevenir (veja o quadro ao lado), uma vez que houve um aumento significativo da doença em 2012.
Em todo o ano passado, foram registrados, de acordo com a assessoria de comunicação do município, 65 casos. Com os três que foram confirmados pela Unimed ontem, Bauru já soma em 2012 - faltando ainda mais de dois meses para o fim do ano - 83 casos.
Se forem confirmadas as outras duas suspeitas que estão em investigação, os números crescerão ainda mais. Como a prefeitura não informa quaisquer dados dos pacientes, não é possível saber a faixa etária e tampouco o local onde estudam ou trabalham.
Entretanto, a médica sanitarista Maria Helena de Abreu, da Vigilância Epidemiológica Municipal, afirma que as crianças são mais suscetíveis à doença. “Crianças naturalmente estão mais expostas por terem menor noção de higiene se comparadas aos adultos”, finaliza.
Especialista afirma que vacina não protege 100%
Uma dúvida que atinge muitas pessoas e que deve ser bem esclarecida é em relação à eficácia da vacina contra a meningite. Apesar de ser um dos principais meios de se prevenir da doença, especialistas explicam que ela não protege contra todos os tipos.
De acordo com o médico infectologista Marcelo Pesce, a vacina apresenta uma evolução muito grande ao que era no passado. Entretanto, ela não protege contra todos os tipos de bactérias que causam a doença e nem contra os vírus.
Atualmente, segundo o portal do Sistema Único de Saúde (SUS), algumas das vacinas existentes estão disponíveis no calendário básico de vacinação da criança: BCG que previne as formas graves de tuberculose, a vacina contra a meningite por Haemophilus influenza tipo B, pneumocócica 10-valente e a meningocócica conjugada C.
“Apesar de não proteger contra todos os tipos, a vacina é muito importante no combate à doença. Vale destacar que não há risco de se vacinar e de pegar a meningite por meio da vacina. Ela não tem o germe vivo”, afirma o médico.
Além da vacinação, é importante ainda se atentar aos sintomas e procurar um médico o quanto antes ao verificá-los. Entre os principais estão febre, rigidez da nuca, dor de cabeça, vômito e manchas na pele.
“O tratamento existe para todas as formas da doença. Ele é feito com antibióticos. Em alguns casos, porém, não dá resultado e a pessoa tem complicações e sequelas. Por isso, é importante ficar atento”, completa o infectologista Marcelo Pesce.
Experiência ruim
Uma das mães que está assustada com os casos recentes da doença na cidade já sentiu dentro da própria família o que é a meningite. “Tenho um filho de 8 anos. Há um mês e meio, ele ficou oito dias internado e isolado com a doença. Foi horrível”, conta a bancária, de 37 anos, que pediu para ter a identidade preservada.
Além desse garoto, ela tem uma filha de 6 anos. A criança estuda exatamente no colégio que teve três casos confirmados ontem. “Ela já não foi à aula hoje (ontem) e não vai voltar para lá enquanto eu não tiver a certeza de que está tudo seguro”, afirma a mãe.
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