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Chuva e granizo provocam queda de energia, acidentes e alagamento em Bauru e região

Por Tisa Moraes | Colaborou Redação
| Tempo de leitura: 10 min

Uma tempestade rápida, de cerca de meia de duração, foi capaz de provocar estragos em pontos distintos de Bauru, ontem à tarde. Acompanhada de granizo e vendaval, a chuva que atingiu a cidade resultou em capotamento, alagamento e queda de árvores. Por ter sido registrada no final da tarde, também testou a paciência dos motoristas, que enfrentaram trânsito lento nas principais artérias viárias da cidade.

 

Tradicional ponto de alagamento de Bauru, a quadra 1 da avenida Alfredo Maia, mais uma vez, foi coberta por água. Moradores que precisavam atravessar o trecho se aventuraram, apoiando-se nos muros dos imóveis, até chegar ao outro lado. Contrariando as recomendações do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil, alguns motoristas e até motociclistas desafiaram a sorte e trafegaram em meio à água represada.

 

Já na avenida Nações Unidas Norte, na altura do acesso à Vila Garcia, um Corsa ocupado por um casal e uma criança capotou depois que o motorista perdeu o controle da direção. Segundo informações prestadas pela Defesa Civil, o veículo teria aquaplanado e caído em um barranco. 

 

Os ocupantes, que não haviam sido identificados até o fechamento desta edição, foram socorridos pelo Corpo de Bombeiros e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) apenas com ferimentos leves. “Provavelmente, ele tentou frear sobre a água e o carro ficou desgovernado”, avalia o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, que esteve no local do acidente.

 

Também por sorte, ninguém ficou ferido em outra ocorrência perigosa registrada na quadra 4 da avenida Comendador José da Silva Martha, no Jardim Estoril. Segundo informações prestadas pela Defesa Civil, galhos se desprenderam de uma árvore e caíram sobre o estacionamento de uma farmácia, arrebentando a fiação da rede elétrica do estabelecimento. 

 

 

Trânsito lento

 

Ninguém ficou ferido e, como nenhum veículo estava estacionado no momento do acidente, também não houve registro de outros danos patrimoniais. Já na quadra 19 da rua Alfredo Ruiz, também no Estoril, uma árvore caiu com a força dos ventos e interditou o trânsito. 

 

Acionada, a assessoria de imprensa da CPFL informou que as chuvas provocaram interrupções no fornecimento de energia elétrica em vários bairros da cidade. Até o início da noite de ontem segundo o centro de operações da empresa, os casos mais críticos se concentravam no Jardim Jussara, além de outros dois bairros, onde 714 unidades consumidoras estavam sem o serviço.

 

Já o tráfego de veículos, normalmente complicado em horário de pico, ficou ainda mais sobrecarregado por conta das fortes pancadas de chuva, que começaram por volta das 16h30. 

 

Entre os locais de demandaram paciência e atenção adicionais dos motoristas estavam a avenida Castelo Branco desde a Praça Primaz Chujiro Otake até a altura da quadra 30, trevo de acesso da avenida Nuno de Assis à rodovia Marechal Rondon, trecho urbano da rodovia até as imediações da avenida Cruzeiro do Sul, avenida Comendador José da Silva Martha desde a Praça Portugal até a altura do condomínio residencial Shangrilá e toda a extensão da avenida Duque de Caxias. 

 

 

Pancadas

 

Segundo dados do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a última tempestade semelhante a esta, com raios, vendaval e pancadas fortes foi registrada há cerca de um mês. No dia 21 de setembro, o registro foi de 72,1 milímetros de chuva, que castigaram a cidade.

 

Já no dia 19, após 63 dias de estiagem, foram 13,5 milímetros de precipitações até as 22h, suficientes para garantir alívio aos moradores que sofriam com o tempo seco. Ontem, em pouco mais de meia hora, o IPMet registrou 10,9 milímetros de chuva, que foi dividida em pelo menos três pancadas fortes no final da tarde.

 

Antes da tempestade, por volta do meio-dia, os ventos chegaram a 47,3 quilômetros por hora, quando a umidade relativa do ar batia a casa dos 40%. Depois do temporal, o nível foi elevado e, até o início da noite, se mantinha em 94%. 

 

Granizo atinge quase toda a cidade

 

Pedras de gelo caíram do céu, ontem, em Bauru. Em vários pontos da cidade, moradores relataram ter presenciado o fenômeno, que ocorre pela formação de nuvens chamadas cumulonimbus (ou cumulus nimbus), típicas de dias de tempestade.

 

Comentários de internautas na fan page do Jornal da Cidade, no Facebook, dão conta de que as pedras atingiram regiões como a do Jardim Higienópolis, Jardim Ferraz, Centro, Vila Industrial, Vila São Paulo, Vila Souto, Jardim Redentor, Jardim Estoril, Núcleo Geisel, Parque Vista Alegre, Núcleo José Regino, Vila Independência e na estrada de acesso ao bairro rural de Quirilândia, na região do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp). 

 

Apesar de pequenas, as pedras assustaram os moradores, principalmente aqueles que estavam com veículos estacionados em áreas descobertas e ficaram preocupados com possíveis danos materiais. Mas, conforme informações prestadas pela Defesa Civil e Corpo de Bombeiros, nenhum grande estrago foi registrado. 

 

Conforme explica o meteorologista do IPMet, Bruno Lisboa Medina, na tarde de ontem Bauru foi coberta por uma imensa célula de chuva, de onde partiram algumas precipitações pontuais de granizo. “Como ocorreram em pontos muito diferentes, comprova-se que esta célula era realmente muito forte”, cita.

 

Ele refere-se a grandes nuvens de tempestade chamadas cumulonimbus. Para a formação das pedras de gelo, estas nuvens precisam estar sob efeito de correntes ascendentes e intensas de ar, com alto conteúdo de água líquida e grande extensão vertical. Para se ter uma ideia, a célula que se formou ontem sobre Bauru tinha cerca de 16 quilômetros de altura, segundo revela o meteorologista André Mendonça de Decco, do IPMet.

 

“Ela é tão alta que ultrapassa a isoterma de 0 grau. Ou seja, em sua parte mais alta, as gotas de água acabam congelando. Se elas conseguirem atingir um tamanho e peso consideráveis, rompem a força de empuxo que as mantém no topo da nuvem e acabam caindo”, detalha.

 

De acordo com o meteorologista, a base da cumulonimbus se forma, em média, a um quilômetro de altura e sua parte mais alta pode chegar a 18 quilômetros. As nuvens com menos de oito quilômetros de altura, mais frequentes, só possuem capacidade para formar chuvas de média e fraca intensidades.

 

 

Chuva deve continuar hoje

 

A frente fria que traria chuva forte para Bauru tinha sido anunciada na semana passada pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Para hoje e amanhã, a previsão aponta chuva intensa, que pode persistir durante todo o dia. 

 

Porém, não há expectativa de queda nas temperaturas. As mínimas permanecem na casa dos 18 graus e as máximas, por volta dos 30 graus. 

(Da Redação)

 

 

Chuva com vento de 70km/h provoca estragos na região

 

Um temporal que atingiu a madrugada e manhã de ontem derrubou árvores, postes, destelhou prédios públicos e suspendeu até abastecimento de água. Os ventos de 70km/h atingiram Paulistânia, Duartina, Agudos e Marília.

 

Cerca de seis mil pessoas tiveram a energia elétrica interrompida em três cidades.

 

O Grupo Eletricidade Atmosféricas (Elat) registrou, entre 0h e 10h de ontem, mais de 21 mil raios nuvem-solo no Estado de São Paulo. A maior intensidade da chuva atingiu a região de Bauru em um raio de 150 quilômetros.

 

Segundo a meteorologista do Ipmet de Bauru Rita Teixeira Lopes, a área de instabilidade é uma frente  fria que atingiu a região. 

 

A CPFL Paulista confirmou que cinco mil unidades consumidoras das cidades de Duartina, Paulistânia e Agudos tiveram o fornecimento de energia interrompido à 0h22 de ontem. O fornecimento foi restabelecido para cerca de 3.900 por volta de 8h.

 

Equipes operacionais da empresa atuaram no restabelecimento do serviço para 1.056 unidades consumidoras restantes, 541 delas em Paulistânia. O restabelecimento completo do sistema ocorreu às 12h, segundo informações do Centro de Operações da empresa.

 

Em Paulistânia (48 quilômetros de Bauru), os funcionários da prefeitura  tiveram muito trabalho para remover a grande quantidade de galhos e árvores que ficaram espalhados na via pública. As aulas foram suspensas nas escolas estaduais e municipais.

 

O vendaval foi seguido de tempestade e chuva de granizo. Segundo a Defesa Civil, o vento forte destelhou vários prédios públicos, derrubou várias árvores e causou queda de energia em toda a cidade. Além dos danos nos prédios, a escola da cidade teve que suspender as aulas devido ao impacto na estrutura do colégio. “Apesar dos vários danos, não tivemos desabrigados. Ainda vamos calcular os estragos causados pela chuva”, afirma o coordenador da Defesa Civil do Interior, Evandro Antônio Caversan.

 

Segundo o diretor de Obras de Paulistânia,  Fábio Rogério Pereira, o estrago maior foi no telhado da Escola Municipal de Ensino Fundamental padre Sebastião Oliveira Rocha.   

 

Segundo moradores, em Duartina (38 quilômetros de Bauru), algumas fachadas de lojas foram destruídas e algumas casas ficaram parcialmente destelhadas. Árvores tiveram galhos quebrados e algumas foram arrancadas. Faltou energia durante a madrugada, porém, segundo Evandro, a situação na cidade já estava sob controle de manhã.

 

Em Duartina houve 12 quedas de árvores e danos em um outdoor da Igreja Internacional da Graça de Deus, localizada na av. São Paulo (na Vila Salomão Sabbag) e no alambrado do Campo de Futebol do Núcleo Habitacional José Sebastião Pupo. 

 

Na zona rural, a prefeitura de Duartina informou que a queda de uma árvore ocorreu sobre a estrada do Bairro da Água Branca na madrugada, mas no início da manhã de ontem foi retirada a árvore e a passagem já estava liberada.

 

Em Agudos (13 quilômetros de Bauru), a energia foi interrompida das 3h às 7h15. O maior estrago foi em prédio da cooperativa de caminhoneiros, danos em outdoor e no portal de entrada.

 

 

 

Abastecimento suspenso

 

O temporal derrubou cerca de 10 postes de energia elétrica no Vale do Canaã em Marília, na saída para Assis (zona Sul) e deixou cerca de 100 mil pessoas sem água ontem. A queda da fiação suspendeu o fornecimento de energia elétrica aos sistemas de captação de água do Peixe e Cavalete. Diante dessa situação, cerca de 70% da cidade ficou desabastecida logo nas primeiras horas da manhã de ontem. 

 

Assim que a energia foi restabelecida, os dois sistemas de captação, localizados na zona Sul, voltaram imediatamente a bombear água para a estação de tratamento. Todavia, mesmo trabalhando com força total, foram necessárias pelo menos 18 horas para que todos os reservatórios estivessem novamente cheios. A prefeitura informou que o sistema Peixe fornece 1,8 milhão de litros de água por hora, enquanto que o sistema Cavalete (composto por cinco poços) 320 mil litros/hora. Ainda ontem à tarde, a energia foi restabelecida pouco depois do meio-dia, mas os reservatórios deveriam atingir o nível normal hoje.

 

Chuva causa transtornos na Capital

São Paulo -  As chuvas de ontem causaram pane em vários semáforos da Capital. Por volta das 17h, 69 equipamentos estavam apagados ou com a luz amarela piscando. O problema é constante em dias chuvosos e traz transtornos para motoristas, além de riscos de acidentes.

Durante a manhã e na tarde de ontem, avenidas importantes como a Rebouças (zona oeste de SP), Inajar de Souza (zona norte), Itaquera (zona leste) e Jabaquara (zona sul) tinham semáforos com problemas.

A situação permaneceu até o início da noite em diversos pontos, em todas as regiões da cidade. Às 19h, havia 16 semáforos apagados e 34 com a luz amarela piscando. A lentidão era de 76 km no horário.

Em março deste ano, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) disse que iria substituir 1.054 equipamentos por modelos mais modernos e que instalaria 12 mil lâmpadas de LED em semáforos.

Ontem, a companhia informou, em nota, que já instalou os novos semáforos e que “a previsão é de que até o final do ano todas as lâmpadas incandescentes sejam substituídas por LEDs”.

A CET disse ainda que instalou “200 aparelhos do tipo no-break nos principais cruzamentos da capital, onde a incidência de falta de energia elétrica era maior”.

 

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