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Caminhonete colide em Bauru com 75kg de cocaína

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Polícia Militar Rodoviária/Divulgação

Foram mais de 107 porções de cocaína localizadas pela polícia

Uma colisão no acesso 354 da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), a Bauru-Marília, revelou um grande transporte de cocaína. Por motivos ainda a serem esclarecidos, a Hilux SW4, de placas NKP 1560 de Anastácio, no Mato Grosso do Sul, colidiu no barranco existente na curva acentuada do trecho, perdeu o controle e caiu na canaleta existente no local. Com o impacto, cerca de oito tijolos do entorpecente que estavam escondidos nos para-choques do veículo ficaram espalhados. No total, estavam embalados e escondidos no veículo 107 porções de cocaína, que somaram 75,312 quilos. No varejo, segundo a Polícia Civil, toda essa droga vale cerca de R$ 750 mil.

Tudo começou com uma simples ocorrência de acidente na rodovia. Conforme apurado junto ao 1º tenente Vitor Tamarozzi, comandante do pelotão de policiamento Rodoviário da cidade de Jaú, era por volta das 13h30 de ontem quando ele realizava patrulhamento pela via e foi abordado por um popular.

“Nós estávamos realizando patrulhamento pela rodovia quando avistamos um popular acenando. Ele disse que neste acesso tinha acontecido um acidente, então fomos até lá para ver do que se tratava e vimos a Hilux acidentada. Alguns metros antes, no chão, estavam alguns tijolos da droga. Não havia ninguém no veículo”, detalhou Tamarozzi.

Teve início então uma revista minuciosa no automóvel. Nas laterais dianteiras e traseiras foram localizados 79 tijolos de cocaína. No seu interior estavam dois aparelhos celulares. Por conta da grande quantidade de droga, o automóvel foi vistoriado por inteiro: console, bancos, assoalho, teto.

O rádio do automóvel não era apenas um rádio, mas um provável comunicador entre a Hilux e um ou mais carros. Um dispositivo composto por microfone e antena encontrado acoplado ao ao sistema possivelmente transmitia a conversa em tempo real entre esses veículos.

“Geralmente eles usam esse dispositivo para comunicar o veículo que está em escolta sobre qualquer movimento estranho, ou presença policial. Este aparelho será apreendido e encaminhado para perícia”, salientou o delegado Ricardo Dias, titular da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Bauru, que também esteve no local.

Polícia Militar Rodoviária/Divulgação

O veículo precisou ser aberto com alicate para retirar a droga

O carro foi todo aberto com alicates, serras e tesouras hidráulicas pela equipe do Corpo de Bombeiros. Após quatro horas de trabalho, foi encontrado o restante do entorpecente na longarina (viga de sustentação localizada embaixo do veículo) da Hilux. A Polícia Científica esteve no local e realizou perícia.

Dono do carro?

Enquanto algumas equipes da Polícia Rodoviária acompanhavam a abertura da Hilux ano 2008, avaliada em cerca de R$ 80 mil, o pelotão do Tático Ostensivo Rodoviário (TOR), iniciou uma busca pelo suposto dono do carro: Laudeir Faustino, 27 anos, morador da cidade de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

“Com as placas do veículo foi feita uma consulta e se chegou ao dono do carro. Em nosso sistema de pesquisa nós conseguimos acesso à foto do RG dele e iniciamos a procura. Como tinha um ônibus que saía às 17h20 do Terminal Rodoviário com destino a Campo Grande, Mato Grosso do Sul, fizemos a parada deste ônibus no quilômetro 342 da rodovia Marechal Rondon (SP-300) e encontramos ele”, relatou o 3º sargento Cleber Leonardo Gouveia, comandante de uma equipe do TOR.

Quase no mesmo momento, por volta das 18h30 da noite de ontem, os 107 tijolos de cocaína e o suposto dono do veículo foram apresentados à Dise. As partes do automóvel foram recolhidas por um guincho e levadas ao Pátio da 5ª Ciretran de Bauru.

Divulgação

 

Dracena-Campinas

No momento em que foi preso e em conversa informal na Dise, Laudeir Faustino, 27 anos, confessou que a Hilux - em que estavam ele e outro homem negro, gordo, que conduzia o carro -, teria saído da cidade de Dracena (322 quilômetros de Bauru) com destino a Campinas (267 quilômetros de Bauru).

“Informalmente ele disse que não é o dono da droga e que teria saído de Dracena com sentido a Campinas. Ele contou ainda que eles estavam em quatro carros, o dele e mais três, e que, no acesso, o condutor do veículo, um homem gordo e negro, se perdeu e se acidentou, sofrendo fratura exposta na perna”, contou o 3º sargento Gouveia, do TOR.

Este suposto condutor da Hilux teria sido socorrido por uma picape, de placas de Ourinhos. Laudeir conseguiu chegar até o Terminal Rodoviário de Bauru porque acionou um serviço de mototáxi.

O delegado Ricardo Dias, titular da Dise, pondera que a possibilidade do destino deste entorpecente ser Bauru não está descartada. “Nós vamos investigar todas as possibilidades. Temos as apreensões dos celulares e vamos puxar o fio da investigação. Pelo sistema que vimos do carro, aparentemente, não é a primeira vez que ele transportou droga. O que importa, no momento, é que, talvez por golpe de sorte, conseguimos desfalcar um grande comércio”, opinou o delegado.

Laudeir Faustino, que não possui antecedentes criminais, foi preso em flagrante por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Como se trata de prisão em flagrante, ele deve permanecer preso preventivamente, sem data definida, até julgamento. Depois de ser apresentado à Dise, ele foi levado à Cadeia Pública de Avaí. Em seguida deve ser transferido ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru.

Até o fechamento desta edição o outro suspeito que provavelmente conduzia a Hilux não tinha sido localizado.

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