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Cultura parcial não acha bactérias nos casos de meningite em Bauru

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

A Prefeitura de Bauru, por meio da Secretaria Municipal de Saúde e da Divisão de Vigilância Epidemiológica, confirmou que os três casos divulgados ontem realmente são de meningite. Porém, a cultura parcial, de 24 horas, não encontrou bactérias em nenhum dos casos. Os resultados de outras três suspeitas da doença devem sair ainda hoje.

Os três casos confirmados são do Colégio São José. Todas as crianças já receberam alta e estão sendo tratadas em casa. A vigilância realiza exames agora para saber se a doença é da forma viral - mais comum e tranquila - ou a bacteriana.

Para isso, é feito um exame de cultura que dura 72 horas. A primeira parcial, de acordo com a diretora da Vigilância Epidemiológica, Cristiane Rosevelte e Silva, não apontou a presença de bactérias. “Na primeira cultura, a de 24 horas, não foi apontada qualquer presença de bactérias. Isso nos deixa mais tranquilos”, complementa a médica sanitarista.

A confirmação oficial dos três casos feita pela prefeitura já havia sido divulgada pela Unimed, conforme o JC publicou na edição de ontem. Além desses, há três suspeitas que ainda estão em investigação para confirmar se são ou não meningite.

Segundo a assessoria de comunicação da Unimed, essa confirmação deve ser emitida pelo Instituto Adolfo Lutz ainda hoje. Nesses três casos ainda pendentes, somente uma pessoa ainda está internada. “Mas o caso não é grave”, acalma Cristiane Rosevelte e Silva.

Com esses três casos na mesma escola, muito se falou sobre um possível surto de meningite em Bauru. A diretora da Vigilância Epidemiológica explica que, para se configurar o surto, precisaria haver dois casos do mesmo tipo bacteriano da doença no local.

“O surto é só quando a doença é causada pelo mesmo agente etiológico. Os números não são alarmantes. Nada indica um surto no colégio ou mesmo em Bauru”, completa a médica.

É importante se atentar aos principais sintomas da doença - febre, rigidez da nuca, dor de cabeça, vômito e manchas na pele – e, caso constatados, procurar um médico. Somente o profissional pode indicar o tratamento adequado.

Além da vacinação, manter uma boa higiene e evitar locais aglomerados são boas medidas para evitar a meningite.

 

Sem pânico

Apesar de haver muitos boatos acerca de novos casos de meningite na cidade, a assessoria de comunicação da Unimed afirmou que nenhum paciente com suspeita da doença chegou ao hospital. O mesmo no Hospital Estadual (HE).

A reportagem consultou alguns hospitais em Bauru ontem e verificou que não houve aumento na procura de atendimento por conta do medo de um possível surto da doença. As escolas particulares também não apresentaram ausência acima do comum. “Realmente, não há nada fugindo do normal”, finaliza a diretora da Vigilância Epidemiológica, Cristiane Rosevelte e Silva.

 

Tendência de queda

A confirmação dos três novos casos fixa em 83 o número de ocorrências de meningite em Bauru este ano. Nos últimos seis anos, 2012 é o segundo colocado em quantidade de casos de meningite. Este ano só “perde” para 2007, quando o município teve impressionantes 177 ocorrências da doença.

A diretora da Vigilância Epidemiológica, Cristiane Rosevelte e Silva, entretanto, acredita que a curva nos próximos anos será decrescente. O motivo é a inclusão da vacinação contra a meningite no calendário infantil.

“A vacina contra a doença entrou em agosto deste ano no calendário infantil. Agora, a tendência é de que os registros apresentem queda daqui para frente”, explica.

Esta vacina está disponível na rede pública de saúde, porém, deve seguir o calendário infantil de vacinação. Outras vacinas para a doença só podem ser obtidas de forma particular.

 

Poucos casos graves

De acordo com informe técnico divulgado ontem pelo Departamento de Saúde Coletiva e Divisão de Vigilância Epidemiológica, de todos os casos registrados em 2012, a quantidade de ocorrências graves é bem pequena.

Segundo especialistas, os tipos mais graves são a Meningite Meningocócica, Meningite Meningocócica com Meningococcemia e Meningococcemia. Do total de casos de 2012, esses tipos só representam 5,4%.

Sendo assim, a grande maioria é mesmo viral. O informe aponta que a meningite desse tipo representa 64,9% do total.

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