Marcelo Camargo/ABr |
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Dilma fez o anúncio durante visita ao Salão Internacional do Automóvel, em São Paulo |
São Paulo - O governo anunciou ontem a prorrogação, até o fim do ano, das alíquotas menores de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ao setor automotivo. O objetivo é manter o estímulo ao consumo, sem alta de preços, e dar fôlego ao crescimento da economia.
Coube à presidente Dilma Rousseff afirmar, em visita ao Salão Internacional do Automóvel, em São Paulo, que o benefício tributário não acabaria em 31 de outubro. Mais tarde, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, explicou que a prorrogação tem o objetivo de manter as vendas aquecidas no setor sem aumento de preços.
“Não queremos que haja aumento de preços neste fim de ano. Se suspendêssemos a desoneração, as empresas iriam aumentar os preços e queremos que os preços continuem baixo”, ressaltou ele.
Mantega afirmou ainda que os dois meses a mais de benefício tributário terão efeito de contenção da inflação. “Sempre que pudermos contribuir para baixar a inflação, o faremos”, sustentou.
A redução do IPI depende da cilindrada do automóvel e se está contemplado pelo regime automotivo e Mantega adiantou que as mesmas alíquotas atuais continuarão valendo por mais dois meses. O mais beneficiados são os modelos 1.0, cujo imposto continua com alíquota zero. Modelos de até 2 mil cilindradas têm alíquota de 5,5 até 6,5%, enquanto que os utilitários, de 1%.
Mantega voltou a falar que o imposto menor tem como prerrogativa que as empresas continuarão aumentando o emprego no setor.
O governo avalia que o setor automotivo é essencial para a economia brasileira porque responde por cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial. Além disso, tem efeito multiplicador na cadeia de produção por intermédio da compra de autopeças, máquinas e equipamentos.
O benefício foi anunciado em maio e já foi prorrogado uma vez em agosto. Agora, Mantega disse que a redução não deve se manter em 2013. “Provavelmente é a última prorrogação”, afirmou.
Vencem também no final do ano o IPI menor para produtos da linha branca, móveis, papéis e laminados.
O ministro disse que a prorrogação do incentivo para o setor automotivo vai gerar uma renúncia fiscal de cerca de R$ 800 milhões, mas que não está preocupado porque há outras compensações. “Isso garante que as empresas continuarão aumentando o emprego, que é fundamental”, disse.
Atração de investimentos
Dilma aproveitou o discurso no evento para dizer que o novo regime automotivo, o Inovar-Auto, deve gerar mais tecnologia e conhecimento científico no setor, além de atrair mais investimentos. “Nós queremos gerar tecnologia, porque o nosso país tem um desafio e chama-se o desafio da produção, e produzir vai significar para o nosso País ter uma imensa capacidade de inovar”, disse a presidente. “Não é possível que a gente ache que o nosso País não possa gerar conhecimento científico e tecnológico na indústria automobilística.”
Dilma e Mantega ressaltaram que o mercado brasileiro é atrativo o suficiente para gerar os investimentos necessários para o novo regime automotivo. “Somos um mercado extremamente atraente, temos que ter consciência disso”, afirmou a presidente. “É um mercado significativo, com uma imensa capacidade de gerar oportunidades para todos, por isso acredito que o Inovar-Auto combina várias coisas.”
Dilma fez questão de dizer ainda que o regime não pretende acabar com as importações de veículos. “Nós vamos continuar importando, mas o que não vamos fazer é sobretudo importar”
Afinado com a presidente, Mantega lembrou que, diferentemente do Brasil, outros países estão fechando unidades de produção.
