São Paulo - Pesquisa Ibope divulgada ontem mostra o candidato do PT, Fernando Haddad, à frente na corrida eleitoral em São Paulo, com 49% das intenções de voto, ante 36% de José Serra (PSDB).
O levantamento, encomendado pela TV Globo e pelo jornal “O Estado de S.Paulo”, mostra pouca variação em relação à pesquisa anterior, divulgada no dia 11 de outubro, quando Haddad tinha 48% e Serra aparecia com 36% das intenções de voto.
A pesquisa divulgada ontem mostra ainda que brancos e nulos somam 10% e outros 5% ainda não sabem em quem vão votar no próximo dia 28.
A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
Considerando apenas votos válidos - quando são excluídos bancos, nulos e, no caso das pesquisas, os eleitores indecisos -, Haddad aparece com 57% e Serra com 43%. No primeiro turno, Serra teve 30,75% dos votos válidos, enquanto Haddad teve 28,98%.
A pesquisa foi realizada de 22 a 24 de outubro e foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP), sob o número SP-01912/2012.
Campanha vê debate mais agressivo
São Paulo - A quatro dias do segundo turno, os candidatos à Prefeitura de São Paulo José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) travaram ontem o debate mais agressivo da campanha até agora. No encontro promovido pelo SBT e pelo UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a “Folha de S.Paulo”, os rivais bateram boca sobre corrupção, promessas e gestões de seus aliados.
Em vantagem nas pesquisas, o petista adotou postura mais ofensiva. Ao rebater afirmação de Serra sobre o mensalão disse que o “desrespeito” do adversário “chega às raias da insanidade”. O tucano citara a condenação de dirigentes do PT no STF e questionado se o partido repetiria o mensalão em São Paulo.
Visivelmente contrariado com a insinuação, Haddad reagiu dizendo ter “reputação ilibada”. Lembrou também o caso Aref, em que o ex-chefe do departamento de aprovação de obras da prefeitura, nomeado para o cargo por Serra, é investigado pela evolução de seu patrimônio. O tucano retrucou afirmando que o diretor era assessor da gestão Marta Suplicy (PT).
O bate-boca se estendeu à plateia. “Respeite o Haddad”, gritou Marco Aurélio Carvalho, apoiador de Haddad. “Se dê o respeito”, devolveu Orlando Morando, um dos coordenadores tucanos.
Quando lhe cabia perguntar, Haddad buscava fustigar o oponente, indagando sobre supostas promessas não cumpridas da “gestão Serra/Kassab” e medidas do governo estadual, do tucano Geraldo Alckmin, como a cobrança de pedágio por quilômetro rodado em rodovias.
Serra afirmou que o petista estava fazendo “proselitismo com essa história” e associou o rival à criação de taxas na administração Marta.
Saúde
A saúde, tema que ganhou força no segundo turno, foi usada por Serra na tentativa de acuar Haddad. Ele perguntou se o programa do rival para a área “exclui, como se tem falado, as organizações sociais [entidades pagas pela prefeitura para gerir equipamentos públicos]”.
Na TV e no rádio, o tucano acusa o PT de se opor ao modelo e afirma que Haddad encerrará as parcerias com essas entidades, causando desemprego e fechamento de unidades de saúde.
O petista não respondeu diretamente. Contra-atacou citando lei estadual que prevê a destinação de 25% dos leitos do SUS para clientes de planos de saúde e lembrando que o atual secretário municipal de Saúde, também integrante do governo Serra, responde a processo “por desvio de merenda”.
Buscando demonstrar apoio às entidades que administram centros de saúde da prefeitura, Haddad disse que autorizou o funcionamento do curso de medicina de uma delas, a Santa Marcelina.
No último bloco, Serra adotou a estratégia de não responder sobre os temas das perguntas de Haddad. Questionado sobre enchentes, por exemplo, propôs ampliação do Bilhete Único.