Marília - O presidente da Câmara de Marília (100 quilômetros de Bauru), Yoshio Takaoka (PSB) e mais dois assessores foram presos pela Polícia Federal em flagrante, na manhã de ontem. O parlamentar é acusado de tentar destruir supostas evidências que comprovariam a compra de votos na eleição deste ano.
Yoshio, que faz parte do grupo de apoio ao prefeito eleito Vinícius Camarinha (PSB), prestou depoimentos por mais de sete horas na delegacia. A reportagem não conseguiu ouvi-lo até o fechamento desta edição.
Segundo o delegado José Navas, a polícia identificou um carro oficial da Câmara com dois funcionários. Ao abordar e vistoriar o veículo foi encontrado documentos com anotações do vereador Yoshio que indicavam a suposta compra de votos na eleição deste ano.
A PF encontrou diversos documentos em posse de funcionários do Legislativo, referentes a contratos em branco, listas com nomes de centenas de eleitores e cópias de documentos e manuscritos indicando nome de pessoas que foram intimadas pela PF para prestar depoimento no inquérito que apura a compra de votos.
Navas disse que os contratos, devidamente firmados com data anterior ao pleito eleitoral, tinha objetivo de fazer a “maquiagem” da operação de compra de votos, convertendo de forma fraudulenta os eleitores que negociaram seu voto, como se fossem “cabos eleitorais” do vereador eleito. Os envolvidos são dois assessores, dos quais uma mulher, cujos nomes não foram divulgados pela polícia.
Eles irão responder pelo crime de fraude processual e falsidade documental. Takaoka também foi preso e pode perder o registro da candidatura. O vereador do partido socialista se reelegeu para o segundo mandato com 2.125 votos e integra o grupo político do deputado federal Abelardo Camarinha. Se o atual presidente perder o mandato, quem assumirá a vaga será Herval Seabra, primeiro suplente, também ligado ao futuro governo municipal. Após o depoimento, o vereador foi encaminhado à Cadeia de Lutécia, um assessor à Cadeia de Garça e a assessora do Legislativo à Cadeia de Vera Cruz.
Esquema
O suposto esquema de corrupção eleitoral já vinha sendo investigado pela Polícia Federal há dias. Há suspeita de mais vereadores envolvidos no pagamento de R$ 100,00 ou R$ 50,00 a eleitores pelo voto. Pelas apurações, na última semana antes da votação do pleito municipal assessores dos candidatos teriam entrado em contato com pessoas já previamente cadastradas oferecendo serviço de última hora para trabalhar na campanha em troca de dinheiro.
Há eleitor que nunca prestou qualquer serviço para os candidatos e aceitou a oferta. O pagamento teria sido feito em cheque e o candidato declarou oficialmente como gasto de campanha eleitoral. O que teria dado errado é o fato de que em alguns casos o contrato de prestação de serviço não ter sido assinado, o que possibilitou investigar a compra do voto.
Ontem os assessores teriam levado o cheque a eleitores para simulação de suposto vínculo empregatício.