A realidade da Educação de Jovens e Adultos no Brasil sempre foi motivo de críticas. Mas neste espaço falarei um pouco sobre a minha experiência na EJA. Trabalho há 10 anos no Centro Estadual de Educação de Jovens e Adultos "Presidente Tancredo Neves", em Bauru, São Paulo. No Estado só existem 19 centros iguais ao nosso. Nossa escola destoa muito de tudo o que é tratado em relação a essa modalidade de ensino. Nossa metodologia de ensino prevê presença flexível, mas obrigatória, para os alunos; atendimento individualizado, mas buscamos a personalização. Atendemos somente alunos com idade igual ou superior a 18 anos e, preferencialmente, trabalhadores.
Não temos problemas de indisciplina, depredação, vandalismo, enfim... Costumamos chamá-la de "Escola do futuro", pois para a realidade que vive a escola pública, de uma maneira geral, esse modelo de escola é o que deveria ser seguido. Trabalhamos com 28 professores para atender 4.500 alunos, ou seja, uma estrutura mínima. Todos os professores são especialistas nas disciplinas que atendem e precisam ter o perfil para trabalhar com EJA. Trabalhamos por áreas de conhecimento. As verbas que recebemos são suficientes para manter a escola muito limpa e bem cuidada. Produzimos o material didático que utilizamos e promovemos várias atividades de enriquecimento curricular para preparar melhor nosso aluno, mas é lógico, nem tudo são flores.
Todos os anos centenas de alunos procuram a escola com o objetivo de concluírem os estudos interrompidos no passado pelos mais diversos motivos. Fico me questionando: como não conseguimos acabar com essa demanda? Por que tantos se excluem, ou são excluídos, do ensino regular todos os anos? Além disso, a evasão nessa modalidade de ensino é assombrosa, mesmo numa metodologia como a dos Centros, ultrapassa 50%. E esse é mais um motivo de preocupação, ou seja, esses alunos acabam se impondo um novo fracasso? Uma nova exclusão?
Penso que, por melhor que seja a escola de educação de jovens e adultos, é triste concebê-la. Como já disse Paulo Freire, o maior educador que este país já teve: "eu sonho no mínimo com que não seja possível dizer que não é possível sonhar". E meu sonho é que um dia não existam mais escolas de educação de jovens e adultos. Sonho que a educação básica seja capaz de educar a todos. Que os maiores recursos sejam direcionados para atendimento às crianças e adolescentes. E que professores que se dedicam à formação básica de nossos estudantes sejam os mais bem preparados e remunerados do país. Aí, sim, teremos motivo para nos orgulhar.
Rosemeire Ap. Saraiva Chibebe - professora coordenadora pedagógica do CEEJA-Bauru