Política

Servidor cria ?aposentada fantasma?

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Quioshi Goto

Presidente Gilson Gimenes diz que autor deve ser exonerado

Um servidor da Fundação de Previdência dos Servidores Municipais Efetivos de Bauru (Funprev) criou uma ‘aposentada fantasma’ para quem foram destinados R$ 35 mil nos últimos quatro meses. O funcionário cadastrou sua própria conta corrente para receber o dinheiro atribuído à beneficiária fraudulenta, que recebeu o nome fictício de Paloma Albuquerque Lins. A diretoria da fundação não revelou a identidade do autor, mas o JC apurou tratar-se do operador de computador e chefe da seção de Informática e Estatística Paulo Fernando Chiuso.

O dinheiro desviado foi injetado mensalmente em favor do funcionário, junto com toda a folha de pagamento da Funprev, que é de R$ 5,8 milhões e atende a 2.500 beneficiários. O valor extorquido da entidade girou em torno de R$ 8.750,00 ao mês. O golpe foi identificado na última quarta-feira e revelado ontem pelo presidente da fundação, Gilson Gimenes de Campos, durante entrevista coletiva.

A Funprev alega ter ‘indício efetivos’ do crime. No entanto, uma sindicância será instaurada para apurar os fatos. De acordo com a entidade, mesmo com a comprovação da irregularidade - o que permitiria a abertura de um processo administrativa - a investigação interna é importante para que eventuais desdobramentos sejam identificados.

Gilson Gimenes afirma que o servidor pode vir a ser exonerado. Segundo o presidente, a documentação que comprovará o ato virá de São Paulo, onde fica a empresa Conam, que presta assessoria financeira e contábil para a Funprev. “A partir disso, tomaremos todas as providências legais”. Um boletim de ocorrências por estelionato foi registrado, ontem, no 3.º DP da Polícia Civil.

 

Deixou rastros

O golpe foi identificado pelo sistema que gera a folha de pagamento. Isso porque, após ter incluído o nome da ‘aposentada fantasma’ em junho deste ano, o servidor excluiu o nome de beneficiários da lista da Funprev. “O sistema não aceita isso. Mesmo quando o aposentado ou o pensionista vai a óbito, não é este o procedimento”, comenta Gilson Gimenes Campos.

De acordo com a Funprev, quatro de seus 39 servidores têm acesso a senhas do sistema de inclusão em folha de pagamento. O autor foi facilmente identificado, porém, pelo fato de ter associado a ‘fantasma’ à mesma conta corrente em que recebe seus salários. “Foi um ato estúpido”, pontua o presidente,

A entidade não soube informar se o CPF utilizado por Chiuso para o cadastramento também é falso. “Quando ele apagou, todos os outros dados foram perdidos do nosso sistema. Mas a Conam tem esses dados e nós vamos recebê-los”, afirma.

Apesar disso, a entidade revelou que a ‘inexistente Paloma’ teria sido aposentada pela Secretaria de Educação. De acordo com o cadastro feito pelo autor da fraude, a ‘fantasma’ viveria no Estado da Bahia, segundo apuração do JC.

 

Sem contato

Para garantir o direito de Paulo Fernando Chiuso se pronunciar sobre as acusações, a reportagem entrou em contato com um familiar do servidor da Funprev. O interlocutor, porém, informou que o operador de computador havia viajado e não passou seu contato por telefone celular, alegando que Chiuso não passava bem e não queria falar com ninguém.

Paulo Fernando é lotado na Divisão Administrativa e já passou pelo estado probatório na Funprev. Ontem, ele foi trabalhar normalmente e, segundo o presidente da entidade, não havia sido informado oficialmente sobre a descoberta da fraude.

A fundação ainda não afastou o servidor de suas atividades, sob o argumento de que aguarda provas materiais para fazê-lo.

 

Presidente nega ‘insegurança’

Apesar da fraude atestada na folha de pagamento, o presidente da Funprev, Gilson Gimenes Campos, nega que o fato tenha sido provocada por inseguranças no sistema. “Pelo contrário, o conflito apontado pelo sistema foi fundamental para que o caso fosse identificado”.

Pelo menos uma falha, porém, pode ser apontada, em razão de o sistema ter permitido o cadastro de uma mesma conta corrente para dois lançamentos. Gilson, porém, rebate que, por mais seguro que fosse o sistema a má fé do funcionário da Funprev foi o fator determinante para a fraude.

No entanto, a Funprev não se atentou para a criação de mecanismo que fiscalizasse os lançamentos e inclusões feitos pelos servidores que têm acesso ao controle da folha de pagamento. Isso é fundamental, ainda mais porque a entidade dispõe de uma empresa contratada para prestar assessoria nesse sentido.

Gimenes reforça ainda que, anualmente, entre novembro e dezembro, a entidade promove o recadastramento dos aposentados e pensionistas, que, segundo o presidente, exige a ‘prova de vida’ dos beneficiários.

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