Quioshi Goto |
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Presidente Gilson Gimenes diz que autor deve ser exonerado |
Um servidor da Fundação de Previdência dos Servidores Municipais Efetivos de Bauru (Funprev) criou uma ‘aposentada fantasma’ para quem foram destinados R$ 35 mil nos últimos quatro meses. O funcionário cadastrou sua própria conta corrente para receber o dinheiro atribuído à beneficiária fraudulenta, que recebeu o nome fictício de Paloma Albuquerque Lins. A diretoria da fundação não revelou a identidade do autor, mas o JC apurou tratar-se do operador de computador e chefe da seção de Informática e Estatística Paulo Fernando Chiuso.
O dinheiro desviado foi injetado mensalmente em favor do funcionário, junto com toda a folha de pagamento da Funprev, que é de R$ 5,8 milhões e atende a 2.500 beneficiários. O valor extorquido da entidade girou em torno de R$ 8.750,00 ao mês. O golpe foi identificado na última quarta-feira e revelado ontem pelo presidente da fundação, Gilson Gimenes de Campos, durante entrevista coletiva.
A Funprev alega ter ‘indício efetivos’ do crime. No entanto, uma sindicância será instaurada para apurar os fatos. De acordo com a entidade, mesmo com a comprovação da irregularidade - o que permitiria a abertura de um processo administrativa - a investigação interna é importante para que eventuais desdobramentos sejam identificados.
Gilson Gimenes afirma que o servidor pode vir a ser exonerado. Segundo o presidente, a documentação que comprovará o ato virá de São Paulo, onde fica a empresa Conam, que presta assessoria financeira e contábil para a Funprev. “A partir disso, tomaremos todas as providências legais”. Um boletim de ocorrências por estelionato foi registrado, ontem, no 3.º DP da Polícia Civil.
Deixou rastros
O golpe foi identificado pelo sistema que gera a folha de pagamento. Isso porque, após ter incluído o nome da ‘aposentada fantasma’ em junho deste ano, o servidor excluiu o nome de beneficiários da lista da Funprev. “O sistema não aceita isso. Mesmo quando o aposentado ou o pensionista vai a óbito, não é este o procedimento”, comenta Gilson Gimenes Campos.
De acordo com a Funprev, quatro de seus 39 servidores têm acesso a senhas do sistema de inclusão em folha de pagamento. O autor foi facilmente identificado, porém, pelo fato de ter associado a ‘fantasma’ à mesma conta corrente em que recebe seus salários. “Foi um ato estúpido”, pontua o presidente,
A entidade não soube informar se o CPF utilizado por Chiuso para o cadastramento também é falso. “Quando ele apagou, todos os outros dados foram perdidos do nosso sistema. Mas a Conam tem esses dados e nós vamos recebê-los”, afirma.
Apesar disso, a entidade revelou que a ‘inexistente Paloma’ teria sido aposentada pela Secretaria de Educação. De acordo com o cadastro feito pelo autor da fraude, a ‘fantasma’ viveria no Estado da Bahia, segundo apuração do JC.
Sem contato
Para garantir o direito de Paulo Fernando Chiuso se pronunciar sobre as acusações, a reportagem entrou em contato com um familiar do servidor da Funprev. O interlocutor, porém, informou que o operador de computador havia viajado e não passou seu contato por telefone celular, alegando que Chiuso não passava bem e não queria falar com ninguém.
Paulo Fernando é lotado na Divisão Administrativa e já passou pelo estado probatório na Funprev. Ontem, ele foi trabalhar normalmente e, segundo o presidente da entidade, não havia sido informado oficialmente sobre a descoberta da fraude.
A fundação ainda não afastou o servidor de suas atividades, sob o argumento de que aguarda provas materiais para fazê-lo.
Presidente nega ‘insegurança’
Apesar da fraude atestada na folha de pagamento, o presidente da Funprev, Gilson Gimenes Campos, nega que o fato tenha sido provocada por inseguranças no sistema. “Pelo contrário, o conflito apontado pelo sistema foi fundamental para que o caso fosse identificado”.
Pelo menos uma falha, porém, pode ser apontada, em razão de o sistema ter permitido o cadastro de uma mesma conta corrente para dois lançamentos. Gilson, porém, rebate que, por mais seguro que fosse o sistema a má fé do funcionário da Funprev foi o fator determinante para a fraude.
No entanto, a Funprev não se atentou para a criação de mecanismo que fiscalizasse os lançamentos e inclusões feitos pelos servidores que têm acesso ao controle da folha de pagamento. Isso é fundamental, ainda mais porque a entidade dispõe de uma empresa contratada para prestar assessoria nesse sentido.
Gimenes reforça ainda que, anualmente, entre novembro e dezembro, a entidade promove o recadastramento dos aposentados e pensionistas, que, segundo o presidente, exige a ‘prova de vida’ dos beneficiários.
