Fotos: Neide Carlos |
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Leandro Gonçalves disse à polícia que matou Waldomiro da Silva por ele estar assediando sua esposa
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Quatro disparos: dois no braço, um no peito e outro na cabeça. Foi com tamanha violência que Waldomiro Mancinho da Silva, 40 anos, foi assassinado em plena tarde de ontem (26) em frente a um frigorífico no Núcleo Mary Dota. Leandro Gonçalves, 25 anos, foi preso horas depois e confessou o crime à Polícia Militar (PM). Segundo ele, sua esposa estaria sendo assediada pela vítima.
O homicídio ocorreu por volta das 16h, na avenida Rosa Malandrino Mondelli. Waldomiro trabalhava no frigorífico e estava saindo do estabelecimento juntamente com outros dois amigos. Ele estava no banco de trás de um Monza.
Foi quando Leandro Gonçalves apareceu em um Kadett, placas BHK 9206, de Bauru. “Eu estava virando e ele bateu com tudo na gente”, conta o motorista do carro em que a vítima estava, um homem de 39 anos, que pediu para ter a identidade preservada.
Após a colisão na lateral direita do Monza, Leandro Gonçalves desceu do automóvel armado com um revólver calibre 38. O motorista ainda tentou desarmá-lo (leia mais ao lado), porém, após se desvencilhar, Leandro colocou o tronco para dentro do carro e fez os disparos contra Waldomiro. “Ele não disse nada. Atirou só”, conta o amigo da vítima. As marcas de sangue ficaram espalhadas por todo o banco traseiro do carro.
Os amigos levaram Waldomiro à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Mary Dota. Ele chegou com vida ao local, porém, pouco depois, morreu.
Enquanto isso, viaturas da Base Leste, Sudeste, Força Tática, Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam) e o Águia da PM tentavam localizar o autor dos disparos. Com base em informações colhidas na cena do crime, seguiram o trajeto feito por ele. O destino era um assentamento de trabalhadores rurais nas proximidades.
Em frente ao lote 70, o veículo usado no crime foi encontrado. “Por todo o caminho, havia sinais de fuga. O carro deve ter sofrido uma pane e parado por ali”, explica o tenente Tiago Santos, comandante da Base Sudeste.
Prisão
Com a localização do Kadett, os policiais realizaram um cerco dentro do raio de fuga. Leandro foi encontrado pouco tempo depois tentando entrar no Esquadrão da Vida.
“As características batiam e ele foi abordado pelos policiais. Não ofereceu resistência e confessou o crime. Disse que Waldomiro estava assediando a mulher dele”, afirma o tenente.
Leandro estava com três mochilas. Em uma delas havia dois revólveres com a numeração raspada. Um calibre 38, com uma munição intacta e quatro deflagradas, e um calibre 32, com cinco projéteis intactos.
Nas outras mochilas, havia roupas e alimentos. “Isso nos indica que o crime foi premeditado e ele estava preparado para fugir e se esconder”, complementa o tenente Santos.
Nem a vítima e nem o autor tinham passagens pela polícia. Leandro Gonçalves foi preso e levado ao Plantão da Polícia Civil. Lá, disse que agiu em legítima defesa porque estava sendo ameaçado.
Porém, o delegado plantonista Mário Henrique Ramos o autou em flagrante por homicídio qualificado por meio que impossibilitou a defesa da vítima e motivo fútil. Ele seria conduzido ainda ontem para a Cadeia Pública de Avaí.
Esposa do autor e vítima trabalhavam juntos
De acordo com o que o JC apurou, Valdomiro Mancinho da Silva trabalhava junto com a esposa de Leandro Gonçalves. “Eu via ele (Leandro) só esperando a esposa. Não tínhamos contato”, contou o motorista do carro onde a vítima foi assassinada.
Ainda segundo o amigo, Valdomiro trabalhava no setor de abate do frigorífico, era casado e tinha dois filhos. “Ele estava muito ruim. Do jeito que o deixamos no Pronto-Socorro não dá para ter esperanças”, disse, pouco antes de saber que o colega de profissão não resistira aos ferimentos.
Bastante abatido, o amigo lamentava o fato de quase ter conseguido desarmar Leandro. “Eu ainda desci do carro e lutei contra ele. Quase consegui imobilizá-lo, mas ele se soltou”, conta o motorista, com um corte no braço e a camisa rasgada.
