Política

Semel admite erro em cotação e prefeito manda caso para jurídico


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O secretário municipal de Esportes e Lazer, Roger Barude, admitiu ontem o erro no processo de cotação dos conjuntos de jogos de xadrez e outros materiais esportivos. Como adiantou o Jornal da Cidade de quarta-feira, os produtos não foram especificados no levantamento de preços que antecede a licitação, culminando na explosão dos valores dos gastos estimados. Diante disso, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) afirmou que vai submeter a documentação ao setor jurídico da prefeitura.

Apesar disso, o chefe do Executivo minimiza o fato, alegando que o erro não prejudicou a compra para os Jogos Abertos do Interior, pois os preços homologados na compra estão muito abaixo dos cotados. “Além disso, o material que será entregue, em relação ao xadrez, será de qualidade superior à prevista em edital”.

A exceção para o argumento do prefeito, porém, vale justamente para as peças de xadrez, adquiridas por R$ 299,00. A cotação média indicava R$ 234,00. E os materiais fabricados em poliestireno são encontrados por R$ 54,00, como mostrou o JC na última quarta-feira.

A alegação para o preço maior era de que as outras empresas não ofereciam o rei com altura de 10,5 centímetros. No entanto, a edição de ontem revelou que o padrão oficial adotado em competições é de 10 centímetros e a especificação exigida foi a sugestão de uma das empresas concorrentes, desclassificada, justamente, por não dispor do produto.

Rodrigo também argumenta que as chances de erros aumentam quando a prefeitura licita materiais que não são adquiridos frequentemente. “Nós temos aprimorado os procedimentos, mas fazia muitos anos que não comprávamos jogos de xadrez”.

Acontece que a Semel, responsável pela cotação, foi alertada por mais de uma vez sobre a necessidade de refazer o processo em razão da especificação dos materiais, descritos, até então, genericamente. Um funcionário da pasta alegou que a medida não seria necessária.

A responsabilidade da pasta ganha ainda mais dimensão pelo fato de Roger Barude ter ratificado essa postura, com a dispensa do novo procedimento autorizada a próprio punho.

 

Com o próprio jogo

Enxadristas procuraram o Jornal da Cidade para questionarem a necessidade de compra de jogos de xadrez pelo município, sendo que os competidores utilizam suas próprias peças em campeonatos oficiais. No caso dos Jogos Abertos do Interior, a prefeitura teria que ceder apenas os tabuleiros. “Nunca vi ser diferente em nenhuma outra cidade”, relata um veterano praticante da modalidade.

O secretário Roger Barude alega, porém, que a aquisição dos materiais é necessária, pois Bauru deve se responsabilizar pelo fornecimento das peças caso atletas de outras cidades não as tragam. “Além disso, nossos competidores vão utilizá-las. Elas também ficaram para escolinhas de xadrez”, justifica.


Ops!

 

O JC apurou que Mogi das Cruzes, última cidade a sediar os Jogos Abertos, também adquiriu 70 conjuntos de peças de xadrez, seguindo plano de trabalho estabelecido pela Secretaria do Estado de São Paulo. A única diferença é que cada um deles custou R$ 24,56. O valor é 11 vezes menor que o praticado pela Semel de Bauru.

 

A assessoria de imprensa de Mogi, porém, ainda vai informar para o JC quais as especificações das peças compradas para que a comparação real possa ser estabelecida.

 

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