Os R$ 2 milhões anunciados pela Secretaria do Estado de Saúde como investimentos que serão direcionados para a compra de novos equipamentos do Hospital de Base (HB) não chegam nem perto do valor necessário para garantir a recuperação funcional e estrutural da unidade. O montante poderá chegar a R$ 40 milhões e, de acordo com Divisão Regional de Saúde de Bauru (DRS-6), o governo paulista está disposto a transferir esses recursos à Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp). A entidade assumirá a gestão do hospital em janeiro deste ano.
A aquisição de equipamentos deve ficar em torno de R$ 10 milhões. Já a reforma estrutural do prédio, que havia sido anunciada pelo Estado, está orçada em R$ 30 milhões, segundo a diretora da DRS, Doroti da Conceição Vieira Alves Ferreira.
Após a primeira reunião da equipe de transição do HB, realizada ontem, o vice-presidente da Famesp, Antonio Rugolo, afirmou que os cerca de R$ 2 milhões disponibilizados são uma necessidade emergencial. Ele ressalta que os valores exatos serão definidos ao longo dos trabalhos da comissão, que serão realizados dentro do hospital a partir de segunda-feira.
No entanto, diz que a compra de equipamentos deve custar cerca de quatro vezes mais o valor investido na Maternidade Santa Isabel. “Recebemos lá R$ 2,8 milhões. Agora as necessidades são muito maiores e vão ser apontadas pelo projeto”, comenta Rugolo, levando a conta ao valor de aproximadamente R$ 10 milhões, apontado acima.
Doroti confirma a pré-disposição da Secretaria de Estado da Saúde de enviar os recursos apontados pelo desenho que será apresentado pela equipe. Ela destaca que só a montagem de um equipamento de hemodinâmica, já comprado para o HB, custa R$ 70 mil. “As demandas são muitos grandes. Temos, por exemplo, que trocar todas as camas e equipar os leitos. Os novos equipamentos serão apontados pela avaliação”, ressalta.
Quanto à reforma estrutural, a diretora da DRS diz que os esforços neste sentido vão começar assim que a Famesp assumir o hospital. Segundo ela, o alto valor é explicado pelo grande volume de intervenções necessárias. “As redes elétricas e hidráulicas estão bastante comprometidas”.
“Vejo com bons olhos”, diz Doroti Ferreira sobre regulação municipal
Alvo de polêmicas entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Bauru, principalmente após o registro de óbitos de pacientes que esperavam por leitos, a regulação das vagas do Hospital de Base é reivindicada pela Secretaria Municipal de Saúde. Atualmente, elas são gerenciadas por uma Central, localizada em São Paulo.
Doroti Ferreira, diretora regional de Saúde, afirmou que a ‘parceria’ é vista com bons olhos pela DRS e pela Secretaria do Estado. “Essa questão será discutida pela equipe. A proposta vem a calhar com o processo de descentralização da regulação das vagas pretendido pelo governo estadual”, ressalta.
A diretora da DRS afirma que a política já está sendo implantada em algumas regionais e deve chegar a Bauru no ano que vem. “No primeiro momento, deve acontecer no Hospital de Base, mas ainda não sabemos exatamente como será isso”.
A Famesp, no entanto, não compactua deste posicionamento. O vice-presidente, Antonio Rugolo, alega não entender o posicionamento da prefeitura. “Se as vagas existem para Bauru, não tem por que negarmos. Elas serão disponibilizadas para o município”.
Otimismo
O promotor Fernando Masselli Helene participou da reunião, realizada na manhã de ontem, e destacou seu otimismo em relação à transição pelo fato de o serviço à população não sofrer interrupções. “São muitos os detalhes que precisam ser acertados, mas a sociedade não será prejudicada”.
Ele ressalta ainda que, mesmo sem a convocação do chamamento público, não há dúvidas de que a Famesp vá assumir a gestão do hospital.
No entanto, atual mantenedora da unidade, Associação Hospitalar de Bauru (AHB) segue sem um interventor. Dois membros da antiga equipe permanecem nos cargos até o dia 31de outubro para garantir a efetivação dos pagamentos e eventuais decisões que precisem ser tomadas.
Diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag também participou do encontro. Segundo ele, a reunião foi importante para consolidar o interesse da Famesp na gestão do HB.
Assistência
Atendendo, atualmente, com 40% da capacidade do período que antecedeu a crise da AHB, o Hospital de Base contará com 200 leitos com a gestão da Famesp, 64 a mais do que os ativos hoje.
De acordo com a Secretaria da Saúde, o HB será de “porta aberta” para casos de urgência e emergência, com caráter regional, e vai manter as redes de atendimento em Ortopedia, Cardiologia e Neurologia. Para isso, o governo disponibilizará R$ 55 milhões ao ano, no custeio do hospital. A Famesp já gerencia, em Bauru, o Hospital Estadual, o Manoel de Abreu e, desde junho, a Maternidade Santa Isabel.
Sindicato de fora
Após a garantia de emprego, por pelo menos um ano, aos 987 funcionários do Hospital de Base, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde (Seessb) reivindicou participação na equipe de transição da gestão da unidade, formada por município, Estado e Famesp. O pedido, porém, não foi acatado.
Doroti Ferreira alega que a atuação da comissão tem caráter estritamente técnico e questões trabalhistas não serão discutidas. Ela garante, porém, que todas as atas de reuniões serão disponibilizadas aos funcionários e ao sindicato.
A diretora da DRS e o vice-presidente da Famesp, Antonio Rugolo, afirmam que o poder público e a Famesp estarão à disposição dos trabalhadores para que dúvidas sejam tiradas. Os trabalhos da equipe serão realizados dentro do HB, o que, segundo ambos, vai estreitar a relação entre as partes.
Doroti lembra ainda que já se reuniu com o sindicato ontem e novo encontro está marcado para a próxima segunda-feira.
Já a pendência do passivo trabalhista que, segundo o Seessb, gira em torno de R$ 5 milhões será discutida em reunião na semana que vem entre o Ministério Público