Política

?Fantasma? da Funprev é bloqueado

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Dois dias após a descoberta da fraude em que um servidor da Fundação de Previdência (Funprev) criou uma aposentada fantasma e desviou R$ 35 mil para sua contacorrente, uma sindicância foi instaurada para apurar o caso. A publicação está no Diário Oficial deste sábado, bem como a exoneração do cargo de chefia de Informática e Estatística, que vinha sendo ocupado pelo acusado Paulo Fernando Chiuso. A entidade conseguiu também o bloqueio de R$ 4 mil na conta do funcionário apontado como autor do golpe.

O presidente da Funprev, Gilson Gimenes Campos, explica que foi solicitado o bloqueio à conta de Paloma Albuquerque Lins, nome da aposentada fantasma criada pelo servidor e incluída na folha de pagamento da fundação. “Como ela não existia, foi o que pudemos fazer”.

No entanto, Chiuso foi o afetado, pois utilizou sua própria conta bancária para receber os vencimentos fraudulentos da servidora fantasma.

O valor já retido pela Funprev corresponde a 11% do montante desviado. Gimenes afirma que a recuperação do dinheiro será prioridade assim que todo o processo de investigação for concluído.

Por quatro meses, cerca de R$ 8.700,00 eram creditados na conta atribuída à Paloma, identificada como servidora inativa, dotada na Secretaria Municipal da Educação e moradora do Estado da Bahia.

O golpe foi identificado após a retirada da aposentada fantasma do sistema que gera a folha de pagamento. Este procedimento não é aceito nem mesmo quando os beneficiários vão a óbito. A tentativa de despistar o crime foi feita pelo autor pouco antes do recadastramento promovido anualmente pela Funprev, que exige a ‘prova de vida’ dos aposentados e pensionistas.

 

Não encontrado

Nesta sexta-feira, a reportagem tentou contato telefônico por inúmeras vezes com Paulo Fernando Chiuso. A informação, porém, é de que o operador de computador foi viajar. Ontem, ele não foi trabalhar após avisar sua superior que não passava bem, na última quinta-feira, quando a fraude no sistema previdenciário foi revelada pela Funprev aos veículos de comunicação.

O servidor ainda não foi afastado, mas já perdeu seu cargo de chefia. Segundo Gilson Gimenes de Campos, presidente da fundação, ele pode tirar férias durante o período de apuração dos casos. Caso as suspeitas sejam confirmadas, Chiuso poderá ser exonerado do cargo ao qual foi admitido via concurso público.


Inquérito

O delegado assistente do 3º. DP, Carlos Creppe Júnior, abriu inquérito policial após o registro de boletim de ocorrência por estelionato. Ele afirma que, por se tratar de lesão a órgão público, a investigação deve começar o quanto antes, com a intimação de todos os envolvidos já na semana que vem.

Apesar dos indícios apresentados pela Funprev, Creppe explica que o caso não pode ser considerado flagrante.

 

Sindicância investiga mais quatro

A Funprev alega que já possui todos os indícios que incriminam Paulo Fernando Chiuso. Além disso, novos documentos serão enviados de São Paulo para embasar o caso de provas materiais, produzidas pela Conam, empresa que presta assessoria financeira e contabilista para a entidade previdenciária. Apesar disso, quatro servidores estão no alvo da sindicância instaurada ontem.

Além de Chiuso, outros três servidores compõem a lista dos funcionários que tinham, e tem, acesso a senhas do sistema de folha de pagamento. “Fizemos dessa forma para garantir a lisura das investigações. É preciso ir a fundo”, comenta Gilson Gimenes Campos.

Apesar disso, apenas o acesso de Paulo Fernando à folha de pagamento foi bloqueado. “Não podemos travar todas. Caso contrário, a folha não seria rodada”, explica. A comissão de sindicância é presidida pelo procurador Marcos Rios e composta pela assistente social Marlene de Brito e pela agente de administração Sílvia Helena Polido. Segundo Gilson, todos os profissionais escolhidos preenchem aos requisitos exigidos pela legislação.

O grupo tem 30 dias para concluir os trabalhos. O prazo pode ser renovado, mas o presidente da Funprev não acredita na possibilidade. “Os fatos estão aí”, pondera.

A folha de pagamento da Funprev poderá também ser investigada por uma auditoria externa.

 

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